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Vacinas são agentes imunizadores contra doenças infectocontagiosas. Desencadeiam uma resposta imunológica (anticorpos) contra o agente infeccioso (antígeno).

Havendo novo contato com o agente infeccioso, a memória imunológica desencadeia a produção rápida de anticorpos que protegem contra a doença.

A produção de uma vacina tem de passar por várias etapas necessárias para mostrar que ela é eficaz, segura e que sua imunidade é duradoura. Pronta, pode impedir epidemias e até erradicar uma doença.

A vacina é feita à base do agente causador da doença inativado (morto), ou enfraquecido (atenuado), ou, de parte dele, para imunizar contra a doença que ele causa. Acompanham o agente (antígeno) outros insumos como líquidos de suspensão, substâncias conservantes e estabilizadores.

Tanto o agente como esses insumos podem causar reações adversas, que podem ir de muito leves a muito graves. Quanto menos reações, mais segura é uma vacina.

Temos vacinas eficazes e seguras contra a tuberculose, hepatite B, HPV, febre amarela, difteria, tétano, coqueluche, sarampo, varíola, raiva, poliomielite, gripe e outras doenças infectocontagiosas.

A covid-19 surgiu em dezembro de 2019. Logo, começou uma corrida internacional pela produção de uma vacina. Segundo a OMS, já há 163 vacinas em desenvolvimento, e 23 delas já estão sendo testadas em humanos.  

Algumas, mais avançadas, já estão na fase de testes clínicos, inclusive no Brasil. Mas nenhuma, até agora, foi registrada e liberada pela Anvisa. O índice mínimo de eficácia aceitável é de 90%. Segura é aquela que não tem efeitos colaterais graves.

A vacina que levou menos tempo para ficar pronta foi a da caxumba. Demorou quatro anos para ser aprovada para a comercialização. A vacina contra o ebola vírus levou cinco anos e meio; a da poliomielite (Salk), sete anos; a da tuberculose, 13 anos; a do rotavírus, 15 anos; a do HPV, 25 anos; a da catapora, 28 anos.

O que preocupa é a pressa e a rapidez com que a vacina contra a covid-19 está sendo produzida.

Com apenas alguns meses de observação clínica, sua eficácia e segurança ainda não são convincentes. A própria doença é complexa e ainda pouco conhecida. E sobre as vacinas ainda há muitas perguntas sem resposta.

Quem pode e deve ser vacinado? Quem já tem anticorpos pode receber a vacina? Se a vacina não teve efeito, pode receber outro tipo de vacina (visto que há, pelo menos, sete tipos diferentes)? Quais os efeitos colaterais das vacinas? Quantas doses são necessárias? Quanto dura a imunidade? As que usam o RNA podem produzir alterações genéticas em nosso DNA?

A chinesa é um pouco mais conhecida. Feita à base de vírus inativados (mortos), como a vacina Salk da poliomielite. Mas, segundo os próprios chineses, tem 5,37% de efeitos adversos, alguns graves, que chegaram a causar a suspensão temporária dos testes há poucas semanas.

Ao passo que a Salk, da poliomielite, tem apenas 0,25% de efeitos adversos, e são muito leves. A vacina chinesa tem poucos meses de observação clínica, enquanto a vacina Salk levou sete anos para ficar pronta, mostrando 50% de imunidade na primeira dose, 90% na segunda, 99% na terceira e precisou de uma quarta dose para ter uma imunidade duradoura.

A chinesa teve menos de 70% de eficácia na primeira dose, dada a nove mil voluntários, e apenas um terço já tomou a segunda. Ainda não há terceira nem quarta dose.

O tempo é curto demais para conclusões confiáveis e definitivas. O mesmo se diga das demais. A de Oxford (AstraZeneca) sequer divulgou os resultados das primeiras etapas.

É feita à base de um vetor viral não replicante, tecnologia nunca usada antes em humanos. Tem resposta imune robusta, mas provocou efeitos adversos leves em 66% dos vacinados, e houve complicações graves, como um caso de mielite transversa, uma inflamação grave da medula espinhal, que exigiu suspensão temporária dos seus testes.

A vacina da Pfizer mostrou eficácia de 90% e aparente segurança. Sua tecnologia usa o chamado BNT162b2, um ácido ribonucleico que é um mensageiro químico que contém instruções para a fabricação de uma proteína. Um tipo de vacina nunca usado.

A pressa na produção acelerada, o pulo evidente de etapas e os elevados índices de complicações preocupam e causam desconfiança e medo.  

A taxa de mortalidade pela covid-19 é baixa. Variou de 2% a 4% no mundo, segundo a OMS. Foi bem menor de 1%, ou seja, 0,27% nos centros médicos que aderiram ao tratamento precoce e profilático.

Por isso se discute o risco da obrigatoriedade de uma vacina feita a toque de caixa, que saltando passos essenciais ainda tem tantas dúvidas e inseguranças, com objetivos mais comerciais e políticos do que interesses na saúde da população propriamente dita.

Parece injustificável tanta pressa em empurrar uma vacina feita em alguns meses, ainda em testes, sendo que todas as demais levaram de quatro a 28 anos para demonstrar sua eficácia e segurança. É irracional ser contra as vacinas, mas é irresponsável aceitar uma vacina ainda em testes, sem a devida comprovação de eficácia e segurança.

Antoninho Ricardo Sabbi

Membro emérito da Sociedade Brasileira de Cancerologia e Mastologia. CRMPR-7093.

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