Janeiro é o mês de conscientização e combate à Hanseníase, muito frequente no Brasil, onde são registrados 30.000 novos casos a cada ano. Nosso país ocupa o segundo lugar em número de casos da doença, superado apenas pela Índia. Nosso País concentra 90% dos casos registrados nas Américas, onde a doença não existia antes da chegada dos europeus.

Antigamente conhecida como Lepra, teve seu nome mudado para Hanseníase, para reduzir o preconceito em torno da doença, pois os portadores sofriam rejeição e exclusão social. Trata-se de uma doença infectocontagiosa que ataca os nervos da pele e, eventualmente, os de outros órgãos.  

Os primeiros registros deste mal datam de 600 a.C. no Oriente, de onde a doença se espalhou pelo mundo e foi trazida para as Américas no período da colonização. Causada pelo Mycobacterium Leprae ou bacilo de Hansen – assim chamado em homenagem a Armauer Hansen, cientista norueguês responsável por identificá-lo no ano de 1873. Sua transmissão ocorre através das vias aéreas superiores, por contato com gotículas de saliva ou secreção nasal.

A doença aparece de 2 a 7 anos após o contágio. Apenas 5 a 10% da população contagiada adoece. A maioria das pessoas tem uma imunidade inata contra o Mycobacterium Leprae

A doença pode se manifestar de forma leve ou mais grave. Pode se revelar inicialmente como mancha esbranquiçada, avermelhada ou amarronzada, única ou múltipla. Evolui espontaneamente para a cura, mas em 25% dos casos pode evoluir para formas mais graves. As lesões têm diminuição da sensibilidade para o calor e frio, para a dor e tato. Pode haver diminuição de pêlos, suor e, ainda, formigamento e diminuição da força muscular.  

A doença tem cura e o seu tratamento é gratuito, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos Postos de Saúde. O protocolo dispensa internamento e qualquer forma de isolamento. É feito com antibióticos especiais em caráter ambulatorial e dura de 6 a 12 meses. A doença sem tratamento pode ser transmitida, causar sequelas que levam à incapacidade física, se o diagnóstico e tratamento tardam muito a acontecer. Quando em tratamento, a transmissão da Hanseníase cessa desde a primeira dose.

Antigamente a Lepra era associada aos “pecados da carne”, e os doentes eram vistos como “pecadores” que deveriam ser excluídos do convívio e desprezados.

O janeiro roxo é um grande passo na desmistificação da doença, na luta contra os preconceitos e a favor do combate eficaz contra esta enfermidade ainda tão frequente em nosso meio.  A Hanseníase tem tratamento e pode ser curada, mas ainda persiste o estigma que dificulta a adesão ao tratamento das pessoas que se sentem acuadas pelo preconceito e ainda têm dificuldade em aceitar o diagnóstico e procurar o atendimento adequado, que é relativamente rápido e gratuito. 

Democracia Inabalada.

Medicina Integrativa e Estética Médica. Especialista em Implantes Hormonais Bioidenticos e Prática Ortomolecular.

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