No entanto, com o passar do tempo, muitos estudiosos começaram a questionar outras formas de inteligência, como sugere Gardner ao formular a ideia das inteligências múltiplas.

Gardner propõe que não há apenas uma inteligência, mas sim várias. Ele identificou pelo menos nove delas, sendo estas: lógico matemática, linguística, musical, espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal, interpessoal, naturalista e existencial. Nessa perspectiva, entende-se que cada um de nós possui inteligências específicas que não se limitam à avaliação do QI.

Outros estudiosos que também abordaram o tema da inteligência foram os psicólogos Salovey e Mayer (1990, p. 189), que definiram o termo Inteligência Emocional (IE). Segundo eles, a IE é “a capacidade do indivíduo monitorar os sentimentos e as emoções de si e dos outros, discriminando e utilizando essas informações para direcionar seus pensamentos e comportamentos”.

  • Como as emoções impactam em nossa vida?

A capacidade em autorregular as emoções está profundamente atrelada à qualidade de vida, desempenho profissional e relações sociais saudáveis. Todavia desenvolver a IE é muito mais difícil na prática que a teoria, pois exige habilidade em interpretar e responder aos acontecimentos de nossa vida de maneira assertiva, consciente e harmoniosa.

Uma pessoa que tem dificuldade em manejar as suas emoções, tem maior probabilidade de cometer algum deslize comportamental que a faça perder uma oportunidade importante em sua vida. Por outro lado, pessoas que sabem lidar com as suas emoções tendem a ter melhor desempenho em suas atividades e relações.

Primeiramente, deve-se entender que cada um possui habilidades e dificuldades particulares, e que não é possível definir de forma generalizada se uma ou outra pessoa possui ou não inteligência emocional, pois isso dependerá da forma que ela aprendeu a lidar com as circunstâncias de sua vida, e isso também terá influência de seu temperamento.

Por exemplo, eu posso ser um bom amigo, muito empático e compreensível, mas, em contrapartida, não saber lidar com o ciúme em meus relacionamentos amorosos. Ou então, posso ter um bom desempenho profissional, mas não saber lidar com os colegas de trabalho. A IE exige autoconhecimento, uma vez que é necessário que o indivíduo conheça o seu funcionamento.

Foto: Reprodução internet.
  • Como desenvolver a IE?

Apesar de ser um trabalho desafiador e gradual, é possível desenvolver habilidade para autorregular-se emocionalmente em situações específicas. A seguir será explicado como exercitar a IE, por meio de um processo de três etapas, envolvendo Identificação, Simulação e Prática. Lembrando que esse exercício não descarta a psicoterapia, quando necessário.

  • Identificação:

Antes de tudo, busca-se identificar e analisar quais as áreas da vida necessitam de melhoramento. Sugere-se que seja trabalhado uma questão por vez. Para que se identifique as dificuldades, é possível responder perguntas como:

Quais as minhas inabilidades?”, “O que me tira do sério ou desestabiliza o meu comportamento?” e “Porque isso me tira do sério?”.

Essas são perguntas fundamentais que servirão como ponto de partida e, apenas identificando-as, pode-se partir para a simulação.

  • Simulação:

A simulação é o modelo do comportamento adequado que se deve criar, para isso utiliza-se métodos de teatralização e autoconversação. Pode-se fazer isso reproduzindo situações difíceis frente ao espelho e treinando as respostas e reações, e isso inclui a linguagem que se utiliza, o tom de voz e a postura corporal. A teatralização fará com que se crie repertórios de respostas mais conscientes.

  • Prática:

Esse é o momento de colocar em ação o que foi trabalhado, e nada melhor do que fazer isso durante as experiências reais. É normal que haja erros e acertos durantes as tentativas, mas a prática leva ao desenvolvimento. Conforme se treina e pratica, vai-se substituindo o comportamento “desajustado” pelo “ajustado”. Para que a mudança se fixe na mente e mude o comportamento, é necessário repetição e frequência.

A repetição é a necessidade da prática sistemática, ou seja, do exercício diário, para que o cérebro crie novos circuitos e registre o aprendizado. A frequência é o período em que se perdura essa atividade, que não deve ser cessada até o alcance completo do objetivo. Toda a mudança inicialmente é difícil, mas conforme se pratica, torna-se natural.

Com isso, entende-se que a IE está relacionada à capacidade da pessoa em gerenciar de maneira saudável a sua vida, e isso a torna uma prática de autoconhecimento. O interesse acerca do tema tem aumento significativamente nos últimos tempos, a medida em que se compreende a relação da qualidade emocional com a produtividade e qualidade de vida.

Referência Bibliográfica
GARDNER, Howard. “A Multiplicity of Intelligences”. Scientific American, 1998.

Salovey, P. & Mayer, J. D. (1990). Imagination, Cognition and Personality. In P. Salovey, & J. D. Mayer (Series Ed.). EmotionalIntelligence, 9, 185-211.

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Psicólogo Clínico e Escritor
Cursa especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental (PUC-RS), Terapia do Esquema (IPTC) e Análise do Comportamento Aplicada (Rhema).

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