Quando falamos da região trinacional, falamos de integração, fraternidade e cooperação. Este abençoado território é coroado por uma das sete maravilhas da natureza, cercado pelos dois parques nacionais, que formam um dos 33 pontos críticos de biodiversidade do mundo, e que todos nós temos a imensa responsabilidade de cuidar.

Três cidades, três países, cujos residentes e turistas transitam diariamente em completa paz e fraternidade. O castelhano, o português e o guarani se fundem e manifestam a diversidade de nossa identidade regional.

Mas há um elemento que traça um fio condutor em nossa história, cultura, raízes, presente e que nos define. É a erva-mate e as tradições em torno dela. Desde os povos originários guaranis, que a consumiam como um elixir sagrado de energia.

Na chegada dos jesuítas, no século XVII, primeiro foi proibida por ser um costume que os padres jesuítas observaram como pagão, mas quando reconheceram as propriedades energéticas da infusão, rapidamente foi incorporada no hábito dos 30 povoados jesuíticos e posteriormente foi convertida em moeda de troca “ouro verde” que se expandiu por todo o vice-reinado do Alto Peru.

Posteriormente, após a expulsão dos padres jesuítas, o segredo da germinação da semente de erva-mate foi perdido, e o ouro verde permaneceu imerso, escondido na densa selva paranaense, guardado por nossos irmãos Mbya Guaranis.

Foi no início do século XX que apareceram na província de Misiones, na Argentina, proprietários interessados na exploração da erva-mate, especialmente na região do alto Paraná, chegando exatamente a toda a região trinacional.

Erva-mate Argentina
Imagem reproduzida da Internet.

É nessa época que aparece o Mensú, trabalhador dos ervais, que nos remete a uma história muito triste, de lágrimas, sangue e sofrimento, ligados a uma forma de escravidão daqueles tempos, e a que nosso herói misioneiro, Ramón Ayala dedica a canção “El Mensú”, que numa poesia com cheiro de selva e erva, nos remete a essas pessoas tão sofridas.

O redescobrimento da forma de germinação da semente de erva-mate, pelo botânico Carlos Thays, e com a ajuda de grandes produtores de erva-mate da época, facilitou a colheita extensiva, especialmente em todo o território da província de Misiones.

Com a chegada da onda de imigrantes em Misiones, famílias que fugiam da guerra na Europa em busca de uma vida em paz e digna, muitos deles encontraram na erva-mate sua fonte de sustento, fundando secadores.

A tradição foi mantida de geração em geração, e alguns desses secadores hoje representam as mais famosas marcas de erva-mate a nível internacional. Destaca-se a cidade de Apóstoles, no sul da província de Misiones, a capital internacional da erva-mate, onde se podem visitar secadores e o Museu Juan Szichowski.

A erva-mate é um emblema de identidade que os residentes desta maravilhosa região ostentam com orgulho. Este elemento tão forte se manifesta nos 5 sentidos, através de emoções que nos remetem à nossa infância, a terra vermelha, o verde espesso da selva, o canto dos pássaros e cigarras, o aroma da casa da avó.

Consumida como mate, tereré, chimarrão. Claro, o mate cozido, que acompanha outras delícias regionais como chipa em suas diferentes formas e reviro. Símbolo de amizade, fraternidade e paz.