Técnicas como as cirurgias minimamente invasivas melhoram muito o processo de recuperação pós-cirúrgica. Todavia ainda é frustrante para o profissional veterinário quando um procedimento cirúrgico é feito com esmero e cuidados, mas o pós-operatório, que é quando o paciente vai para casa, não acontece da forma adequada.

E muitas são as causas: os animais não têm qualquer noção da necessidade de não tocar o ferimento cirúrgico e deixá-lo seguir no processo normal de cicatrização, uma vez que a lambedura dos ferimentos é uma prática comum nas espécies animais, que acaba, porém, retardando a cicatrização.

Por isso é necessário utilizar-se de artifícios para impedir que os animais se automutilem, seja por lambedura excessiva no ferimento cirúrgico, seja por arrancamento precoce dos pontos cirúrgicos. O uso de colares tipo “Elizabetano” ou de roupas cirúrgicas ajuda bastante nesse processo. Entretanto a conscientização dos tutores é essencial para o sucesso e recuperação do paciente.

Muitos se sentem culpados por ver os seus animais incomodados com o uso desses apetrechos, acabando por removê-los prematuramente. Alguns animais em poucos minutos podem remover os pontos de uma cirurgia, pondo todo o procedimento em risco – principalmente quando expõem áreas sensíveis como as decorrentes de cirurgias ósseas ou cavitárias.

Por outro lado, é importante lembrar que um organismo equilibrado nutricionalmente tende a ter uma recuperação e cicatrização melhor.

Dessa forma, é essencial que o paciente se alimente adequadamente com um alimento balanceado e que receba controle medicamentoso da dor pós-operatória.

Qualquer pós-operatório cirúrgico, por mais simples que seja, tem seus riscos inerentes que podem ser minimizados se forem seguidos os protocolos e as recomendações do profissional veterinário. Com isso, a recuperação do paciente tende a ser mais rápida; e os contratempos, passageiros.

Paulo Henrique da Silva

Graduado em Medicina Veterinária pela Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (1991). Mestre em Ciência Animal pela Universidade do Oeste Paulista (2013), Especialista em Clínica Médica e Cirúrgica em Cães e Gatos pela Universidade Federal do Paraná – Campus Palotina(2008) e em Marketing e Propaganda pela Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Cascavel (1999). Professor Celetista no Centro Universitário Dinâmica das Cataratas nas disciplinas de Patologia Clínica Veterinária e Anestesiologia Veterinária (2012-2016). Pós-graduando em Gestão Empresarial pela FGV. Atualmente trabalha como Clínico e Cirurgião Geral na PetBrazil Clínica Veterinária em Foz do Iguaçu-PR. Desenvolve atividades de Responsabilidade Técnica e manejo de cães de detecção em vários estados do Brasil. Tem experiência na rotina de atendimento de cães e gatos há 28 anos ininterruptos.

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