Você já ouviu falar da Criança Interior? Eu mesma só conheci esse termo por que tenho uma grande amiga, terapeuta de Constelação Familiar e que trabalha com esse tema.

Eu tenho uma foto minha de quando criança na estante da sala. Eu tinha uns 2 aninhos na foto. Sempre gostei de olhar para aquela menina de cabelos ondulados e olhinhos puxados e imaginar o que ela estava pensando no momento da foto. Muitas e muitas vezes em momentos de tristeza e questionamentos sobre a minha vida, olhava e perguntava em voz alta, sim, em voz alta, se era esse o futuro que ela tinha imaginado quando criança, ou contava das alegrias que estava vivendo, enfim, sempre compartilhando minha vida atual com aquela imagem.

Muitos de vocês podem pensar que sou louca, mas a pouco tempo descobri que não é loucura olhar para sua criança e conversar com ela. Eu fazia isso inconscientemente, muitas vezes sendo apenas um momento de pura nostalgia, mas de muita importância para meu crescimento interior.

Quando fiz um breve curso com a Daiane Neves, comecei a perceber que aquela imagem não existia apenas no porta retrato da estante, aquela menina vivia ainda dentro de mim, e toda vez que eu falava com ela, olhava para ela, sem ter consciência, estava olhando e tratando daquela menina que vivia dentro de mim e que trazia com ela uma imensa bagagem sentimentos, experiências, traumas, enfim, uma história que refletia nas minhas atitudes e escolhas da vida adulta.

Descobri então que minha criança estava muito viva dentro de mim, que devido a minha conexão espontânea com ela já havia tratado alguns traumas da infância, que eu só era uma pessoa mais divertida e mais consciente do meu eu, por ser “louca” e estar em contato com ela.

Afinal, o que é essa criança interior, como ela atua na nossa vida presente, o que ela nos ensina ou nos impede de realizar?

Resumidamente a criança interior é um pedacinho da nossa mente que quando ia se desenvolvendo e experimentando a vida, o dia a dia, foi se adaptando e desenvolvendo respostas a comportamentos externos para viver em seu meio familiar e social. Ali, nesse pedacinho da mente, que algumas vezes pode estar em um lugar obscuro dentro de nós, é onde podemos encontrar nossas necessidades não satisfeitas, aquelas emoções que foram reprimidas e hoje não nos deixam expressar emoções que gostaríamos de ter, nossa intuição, criatividade e capacidade de rir de nós e das bobeiras do mundo, bem como a capacidade de brincar e imaginar.

Faz parte da vida enquanto estamos crescendo viver experiências de desamor, exclusão e abandono de nossa criança, o que muitas vezes nos leva, como forma de defesa, nos retrair, não nos permitindo receber ou dar amor plenamente em nossa vida adulta.

Faz sentido para você que as dores da nossa criança têm grande impacto em nossas vidas, podendo atuar como verdadeiros programas em nosso sistema e limitando nosso progresso?

A parte da criança interior ferida: onde guardamos as feridas emocionais da nossa infância, tudo que não expressamos, todos os mecanismos de defesas que desenvolvemos para sobreviver afeta totalmente na nossa vida adulta. Porque por mais que não nos recordemos da nossa infância ela atua inconsciente nas nossas ações hoje. Nossa criança interior ferida atua nas nossas relações mais próximas.

Daiane Neves – Terapeuta Humanista

Lembro agora do filme Hook – A Volta do Capitão Gancho, com Robbie Williams ele só conseguiu acreditar que ele era o Peter, que era o garoto perdido e que podia voar quando voltou a brincar, quando a imaginação, o faz de conta vira realidade. Naquele momento ele entra em conexão com a sua criança interior e tudo começa a fazer sentido, pois ele trás as experiências vividas quando era um garoto perdido para o seu presente.

A criança interior da luz, essa que guarda nossa espontaneidade, alegria, leveza, criatividade, autenticidade, essa parte guarda nosso ser essencial, que todos possuímos e que quanto mais cuidamos das nossas feridas emocionais, mais essa criança da luz aparece na vida adulta.

Daiane Neves – Terapeuta Humanista

Quando somos adultos incorporamos a ideia que crescemos e não podemos mais ter os sonhos de criança, incorporamos o dia a dia do adulto com suas obrigações e comportamentos esperados e acabamos por ficar muitas vezes frustrados com nossa realidade, pois não mais nos permitimos ser crianças.

Nesse encontro com nossa criança, acontece também o encontro com a nossa essência, nossos sonhos, nossas vontades, nossas emoções da infância, podendo nos ressignificar dentro da nossa própria vida acessando as emoções infantis e trazendo para nossa vida atual de maneira saudável onde não é preciso abandonar a criança interior, mas sim, acolher e abraça-la.

Esse tema da criança interior é bastante complexo e tem várias questões que podem ser abordadas, não é a minha finalidade com esse texto trazer essas questões para serem discutidas aqui. Mas sim levar, você leitor para uma pequena análise, para um breve encontro com você mesmo, com a sua criança.

Faça um pequeno exercício, pegue uma foto de você quando criança, se concentre nela, limpe sua mente dos problemas do dia a dia e apenas sinta. Identifique as emoções e sentimentos que passam por você nesse exato momento e a partir deles você vai sentir, o quão forte ou fraca é sua conexão com ela. Você ficou triste, lembrou de algum momento especifico, abriu um sorriso verdadeiro? O que sentiu?

No meu ponto de vista, o mundo seria muito mais alegre e com menos diferenças se tivéssemos esse contato, pois todos poderiam ser adultos melhores, curados do traumas e cobranças da sua infância.

Tratar as feridas da criança interior é dar uma nova chance pra viver a vida que se quer viver.

No mês de abril a Daiane abrirá uma turma da jornada da criança interior, onde os participantes receberam durante 1 mês via WhatsApp módulos com meditações, exercícios de escrita Terapêutica e + 4aulas ao vivo.

Quer conhecer sua criança? Este será seu primeiro passo para conhecer a sua criança interior e saber como ela está.

Um forte abraço da minha criança interior para a sua.

Vanessa Ramunno Medalha, pedagoga e designer, amante das artes e das palavras desde a adolescência. Atualmente se dedica a escrita de textos, poemas e romances. Colunista da revista vem dar informações e dicas sobre terapias e comportamento, estudiosa que é na busca da sua evolução pessoal através da vivência como paciente de diversas terapias e estudante de Coaching infantil.

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