Entra nas células e busca adentrar no núcleo celular onde está o DNA. Toma-o de assalto, usando-o para multiplicar-se, de forma rápida e explosiva.

Cheia de vírus, a célula explode: milhares de vírus liberados invadem outras células. Temos dez trilhões delas no corpo. Em pouco tempo, a quantidade de vírus é incalculável. Maior carga viral, mais grave a doença.

Na corrente sanguínea, o vírus ataca a hemoglobina. Ela tem um núcleo de ferro que capta o oxigênio nos pulmões e o carrega para todos os tecidos do corpo. Ao soltar o oxigênio junto às células, capta o gás carbônico por elas liberado e o leva aos pulmões, de onde é expulso a cada expiração. A hemoglobina destruída libera o seu núcleo de ferro, que fica livre na corrente sanguínea. Ao passar pelos vasos sanguíneos do pulmão, o ferro livre se une ao oxigênio respirado e oxida; “enferruja”.

O ferro oxidadolesa a camada interna dos vasos sanguíneos, causando inflamação grave e trombose. Isso também ocorre ao nível de outros órgãos, nos quais o oxigênio é liberado, sendo mais evidente nos pulmões (falta de ar), coração (arritmias), rins (insuficiência renal), aparelho digestivo (diarreia) e sistema nervoso (dor, fraqueza). A cada hora, há menos hemoglobina oxigenando os tecidos, há menos troca gasosa ao nível dos alvéolos pulmonares inflamados e com trombos. Para a insuficiência respiratória aguda grave, UTI e respirador, é apenas um passo.

O melhor remédio ainda é evitar o contágio. No caso de contrair o vírus, a melhor conduta é o tratamento precoce. Quanto mais precoce, mais eficaz. Enquanto a vacina não chega, a alternativa é prevenir, é tratar. Quem vai a certas regiões da África, ou à Amazônia, toma cloroquina, preventivamente três meses antes, uma dose maior quando vai e fica tomando o remédio por seis meses para combater qualquer resquício de contaminação do plasmódio.
O “intrigante” é que no tratamento da malária a prevenção é válida, é científica e reconhecida como eficaz.

Mas, “curiosamente”, para a covid-19 “não funciona”, “é contra a ciência”, “não tem comprovação”. A prevenção e o tratamento precoce são recomendados no combate ao câncer e a qualquer outra doença. “Estranhamente” é exceção na covid, contrariando evidências e estudos científicos que comprovam o contrário.

Ao explodir a pandemia, a Itália não sabia o que fazer. Assistia a seus compatriotas morrerem. Seus corpos eram logo cremados. Mas as biopsias revelaram o que acontecia: rápida replicação viral, “tempestade” inflamatória, coagulação vascular disseminada, falência respiratória e morte. Era urgente tratar. Começaram pela hidroxicloroquina/cloroquina, que os chineses já haviam usado com bom resultado, ainda que não divulgado. Lançaram mão dos anticoagulantes para evitar a trombose. E a mortalidade começou a diminuir.

Dr. Didier Raoult, em Marselha, na França, seguiu o exemplo. Mas acrescentou a azitromicinaporque aumentava claramente a eficácia da hidroxicloroquina, quando a ela associada. Dra. Marina Bucar implantouo protocolo num hospital em Madrid, na Espanha. Em duas semanas, a mortalidade dos pacientes graves caiu de 88% para 49%, e com mais duas semanas, para menos de 1%.

Dr. Zelenko, em Nova Iorque, viu que o zinco potencializava a ação antiviral da hidroxicloroquina/azitromicina. Dr. Zeballoz, aqui em São Paulo, e depois a Universidade de Oxford, na Inglaterra, consagraram o uso dos corticoides (broncodilatadorese anti-inflamatórios potentes). O tratamento trouxe diminuição absurda da mortandade, esvaziamento dos hospitais, menos pacientes nas UTIs, menos uso dos respiradores, menos mortes.

Mas, então, a revista Lancet publica artigo contra a cloroquina/hidroxicloroquina, e a OMS a proíbe. A Suíça deixa de receitar. Em duas semanas, a mortalidade passa de 1%, com a medicação, para 13%, sem ela. Médicos protestam! A Lanceté obrigada a reconhecer os crassos erros metodológicos de seu artigo e o “despublica”. A OMS volta atrás. A Suíça torna a medicar. Em duas semanas, a mortalidade baixa de 13% para 1%.

Não restam mais dúvidas: a afirmação de que o medicamento é ineficaz não é verdadeira. É falsa e enganadora.Na China, na Índia, no Marrocos, na Turquia, nos Emirados Árabes, na Indonésia, na Malásia e em mais outros 43 países onde o medicamento é usado, a mortalidade é baixíssima. Já na Inglaterra, EUA, Irlanda, Suécia, África do Sul, hospitais públicos do Brasil, onde o medicamento não é usado, a mortalidade se mantém nas alturas.
Cristalinamente claro: o tratamento precoce funciona. Fundamenta-se em 61 trabalhos científicos randomizados, dos quais 37 já foram revisados.

Dois estudos de meta-análise o aprovam. No Brasil, exemplos claros de eficácia em Porto Feliz, em Floriano, na Unimed de Fortaleza, na Unimed de Belém. Nível de recomendação B e C, e nível de evidência 2A e 2B.

Mais de 90% da medicina usa os mesmos níveis de evidência sem sofrer questionamentos. Na cardiologia, apenas 8,5% de seus procedimentos e medicamentos são baseados em evidências 1A. Cerca de 50% têm grau de recomendação B; e 41,5%, grau de recomendação C. E não há críticas ou contestações político-partidárias contra a cardiologia. Apenas contra o tratamento eficaz da covid-19. Mas “contra fatos não há argumentos”.

Pode não ser a melhor evidência científica, mas é o melhor tratamento médico que existe até este momento. Não praticá-lo é perder a chance de salvar muitas vidas. A discussão, há muito, já não é científica.

É bioética. É ideológica. É política. Qualquer fala em contrário revelará desinformação e falta de conhecimento, quando não má-fé e falta de humanidade. Sem dúvida, uma conivência com tantas mortes evitáveis e desnecessárias.

Antoninho Ricardo Sabbi

Membro emérito da Sociedade Brasileira de Cancerologia e Mastologia. CRMPR-7093.

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