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Faz um bom tempo que tenho utilizado este espaço para tratar sobre as relações internacionais e a Tríplice Fronteira. O assunto do mês não poderia ser outro: o inesperado fechamento da fronteira entre o Brasil e o Paraguai por conta da ameaça imposta pelo coronavírus.

Foto:Dantas Duarte 

Uma fotografia da Ponte da Amizade vazia não era captada desde os primeiros dias de seu funcionamento. Há algumas fotos de 1965-1966 às quais se somarão os registros de 2020. Diferentemente do contexto anterior, estima-se que a circulação da Ponte da Amizade ultrapasse o número de cem mil pessoas que diariamente cruzam a fronteira por algum motivo, especialmente para trabalhar ou estudar. Essa é a fronteira mais movimentada da América do Sul, quando não está fechada.

O Paraguai decidiu fechar a fronteira no dia 18; e o Brasil, no dia 19. O processo que levou às respectivas decisões foi distinto. O presidente do Paraguai anunciou de forma precoce o enfrentamento à pandemia global e impôs medidas restritivas desde o dia 14. Do lado brasileiro, primeiro veio a crítica ao país vizinho, que estaria agindo com exagero. Mesmo assim, alegando razão sanitária e de esgotamento do sistema de saúde e abastecimento em cidades fronteiriças brasileiras, o Brasil também seguiu o caminho do fechamento.

Dessa forma, pode-se dizer que o inesperado aconteceu: fechou a fronteira Brasil-Paraguai. Uma medida drástica que não era possível de ser imaginada antes da compreensão dos dramáticos contornos impostos pela pandemia. O coronavírus encerrou aproximadamente 300 mil pessoas do lado brasileiro, 800 mil do lado paraguaio e 100 mil do lado argentino. Uma medida drástica, mas necessária para conter a rápida proliferação do vírus.

Micael Alvino da Silva

Doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de História das Relações Internacionais na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

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