A relação do homem com outras espécies tem sido pensada em sua complexidade desde a década de 1940, mas somente a partir de 1980 os estudos ganharam força no cenário internacional em áreas como a etologia, a medicina veterinária e a psicologia.

Resultados de estudos encontraram a presença de aspectos como: o bem-estar físico e psicológico; sensação de conforto e segurança; suporte social; dependência e redução da pressão arterial em pessoas que interagiam com seus animais de estimação.

Conviver com os animais, para algumas pessoas, mostra-se tão importante quanto estar na companhia de outros indivíduos. O próprio termo “animal de estimação” ou “animal de companhia” é utilizado para a tradução de pet, do inglês, que deriva do francês petit, que remete a um “termo carinhoso utilizado por prazer e companheirismo”.

Nesse sentido, os animais de estimação são aqueles mantidos pelos humanos por razões afetivas.

No início da década de 1960, os primeiros estudos sobre o apego foram essencialmente entre mãe e filho, afirmando que a aproximação entre ambos garantiria proteção e segurança ao bebê. Muitos cães e gatos, assim como outros animais domesticados atualmente e que convivem com seus cuidadores, passam por um processo de humanização (antropomorfismo), sendo-lhes atribuídas características específicas do ser humano e sendo tratados, muitas vezes, como se fossem crianças no seio familiar.

Sob esse ponto de vista, assim como uma criança, os animais necessitariam de um adulto capaz de fornecer a eles os cuidados necessários para a sua sobrevivência. A maioria dos tutores manifesta a percepção de seus animais como substitutos parentais em algum momento de suas vidas e/ou depositários de afeto dos sentimentos humanos.

Os animais também são capazes de preencher o vazio sentido e percebido por seus cuidadores, bem como promover o alívio da saudade de outros familiares humanos e não humanos, além de serem uma fonte promissora de apoio e suporte social.

(Estudo referente: “Interação humano-animal: o apego interespécie”: Alves, L; Steyer, Simone:Perspectivas em Psicologia, Uberlândia, vol. 23, n. 2, pp. 124-142, jul./dez., 2019).

Paulo Henrique da Silva

Graduado em Medicina Veterinária pela Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (1991). Mestre em Ciência Animal pela Universidade do Oeste Paulista (2013), Especialista em Clínica Médica e Cirúrgica em Cães e Gatos pela Universidade Federal do Paraná – Campus Palotina(2008) e em Marketing e Propaganda pela Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Cascavel (1999). Professor Celetista no Centro Universitário Dinâmica das Cataratas nas disciplinas de Patologia Clínica Veterinária e Anestesiologia Veterinária (2012-2016). Pós-graduando em Gestão Empresarial pela FGV. Atualmente trabalha como Clínico e Cirurgião Geral na PetBrazil Clínica Veterinária em Foz do Iguaçu-PR. Desenvolve atividades de Responsabilidade Técnica e manejo de cães de detecção em vários estados do Brasil. Tem experiência na rotina de atendimento de cães e gatos há 28 anos ininterruptos.

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