Fazer a diferença na vida de alguém é o maior e melhor presente que um jornalista pode dar. Talvez um indivíduo seja ouvido pela primeira vez, ou uma injustiça é resolvida. 

Esses momentos quando um editor de notícias pega um telefone para ouvir uma voz assustada dizer, “Você é tudo que me resta, não tenho mais a quem recorrer”. O último ponto entre esperança e derrota.

É um contrato sagrado, tão velho quanto o jornalismo em si, e ainda o teor de nosso tempo tentaria dividir as pessoas das redações jornalísticas. Se esses que tentam tornar os jornalistas no inimigo tiverem sucesso, o direito das pessoas ao acesso independente de informação será perdido. E como nós bem sabemos, um mundo onde as pessoas estão cegas aos fatos é um mundo perigoso.

Durante a pandemia global, números recordes de audiência foram reportados ao redor do mundo com leitores, telespectadores e ouvintes absorvendo as notícias e informações que salvaram vidas. Mesmo assim, uma minoria voraz e cada vez mais presente impulsionou um termo depreciativo, a tão chamada “mídia de massa” (mainstream media) – como se a união em um ambiente baseado em fatos fosse uma coisa negativa.

Isso é porque os fatos as vezes podem ser desconfortáveis e jornalistas tem uma grande responsabilidade em retratar eles do jeito certo.

Sabemos que desde que o “Dia Mundial das Notícias” começou em 2017, os desafios enfrentados na indústria só cresceram. E até podemos entender melhor as pressões comerciais e os constantemente-em-mudança hábitos de audiência, mas ainda não fazemos o suficiente para nos explicarmos.

Isso significa que as redações tem seu trabalho designado. Explicar as metodologias e como os fatos são descobertos se tornou tão importante quanto os fatos em si.

Aqueles que são potenciais membros da audiência consomem o maioria de sua informação em redes rápidas e fechadas. Já vimos exemplos de novo e de novo onde pequenos mas ativos grupos de minorias simplesmente acreditam no que são contados, muitas vezes por forças poderosas que tem algo a esconder. O jornalista é usado como isca em um ataque contra verdades desconfortáveis. Como resultado, a indústria tem que dedicar mais tempo para alcançar aqueles que já decidiram os fatos antes mesmo de terem acesso aos mesmos.

Ambientes fechados – e emparedados – existem por toda a internet, evitando a pluralidade de pensamento e opinião, e prevenindo que fatos e a realidade sejam compartilhados. Em meio aos desafios colocados a nossa frente, a certeza é um dos traços menos atrativos a serem mostrados.

O Dia Mundial das Notícias, envolvendo mais de 500 redações, é uma iniciativa global direcionada a melhoria da “alfabetização” midiática e do engajamento da audiência. Incluímos exemplos de como as vidas são melhoradas quando jornalistas contam uma história. Nós demonstramos os esforços de pequenas redações e como essas representam a importância de uma comunidade. Sustentamos todo nosso trabalho com a crença de que o acesso a informação é um direito humano.

A velocidade da mudança, e os perigos e riscos em uma sociedade que as vezes só parece ir em uma direção, indo até uma audiência global que está exausta e ao mesmo tempo saturada com informações. Temos papéis construtivos para desempenhar em meio ao extraordinário desenvolvimento de notícias.

O poder do jornalismo independente nunca foi tão importante, e tristemente, por causa dessa hiper relevância, os riscos e ameaças para os jornalistas, seus contadores de história, somente cresce. A velocidade da polarização, um termo do século 18 usado originalmente para identificar características da luz em uma fotografia, hoje faz a concordância ser fora de moda. Mas como as redações ao redor do mundo dizem, todos temos direito sobre nossas opiniões, mas não somos donos dos nossos próprios fatos.

Guerra, incerteza econômica, a determinação de passar por cima de práticas geracionais em nossas instituições são as mudanças que o mundo está encarando. Jornalismo, no seu melhor, no meio de tudo isso, com um papel de unir e não dividir mas com entendimento e transparência mútuos.

O Dia Mundial das Notícias existe para ajudar a indústria das notícias a se explicar melhor, para envolver a audiência global na comprovação de como a informação correta pode fazer a vida ser melhor.

O presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, nasceu mais perto da presidência de Abraham Lincoln do que de seu próprio mandato. Essa perspectiva mostra menos a idade do homem e mais as oportunidades e avanços que foram alcançados no último século – levantando com urgência o questionamento de onde vamos a partir daqui.

Sobre o autor: 

Foto: Fred Lum/The Globe and Mail

David Walmsley é o Editor Chefe do “The Globe and Mail” e o criador do Dia Mundial das Notícias.

O Dia Mundial das Notícias é uma campanha global para destacar o valor do Jornalismo. É organizado pelo Fórum de Editores da Associação Mundial de Publicadores de Notícias (WAN-IFRA) em parceria com a Fundação Canadense de Jornalismo.

David Walmsley é o criador do Dia Mundial das Notícias e ex-presidente da Fundação Canadense de Jornalismo. Editor-chefe do The Globe and Mail, Toronto, Canadá.

David Walmsley

Criador do Dia Mundial das Notícias e ex-presidente da Fundação Canadense de Jornalismo. Editor-chefe do The Globe and Mail, Toronto, Canadá.

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