O mito da terceira zona franca do mundo

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Por: Micael Alvino da Silva 

Fotos: Lilian Grellmann

Existe um mito muito forte sobre a Tríplice Fronteira atribuído à revista Forbes, uma publicação americana especializada em negócios e economia. Diversos acadêmicos e jornalistas se referem a Ciudad del Este como sendo a “terceira zona franca do mundo”, que perderia apenas para Miami e Hong Kong.

No livro que considero a publicação mais importante sobre a história da região, intitulado Água Grande: construindo as fronteiras entre Brasil, Argentina e Paraguai, publicado em 2018 nos Estados Unidos (até o momento não há versão em espanhol ou português), há uma menção ao que seria uma “história apócrifa da Forbes”. Mas, na verdade, a informação não passa de um mito.

Não é possível saber exatamente quando surgiu, porém em um artigo de 1996 já há a referência: “De acordo com a Revista Forbes…”. Essa chamada se repete com frequência, mas nenhum acadêmico ou jornalista cita a fonte adequadamente. Ou seja, não há a indicação da revista (edição, data, número, página ou autoria).

Além disso, poucos que fazem a referência se dedicam a refletir sobre o que isso significa. Por exemplo: o que é uma zona franca? Ciudad del Este é uma zona franca? Por que uma cidade do Paraguai é comparada a uma cidade dos Estados Unidos e outra da China?

A pedido, uma pesquisadora que está fazendo estágio de pós-doutorado na Columbia University (Nova York) fez a gentileza de consultar as palavras-chave no acervo da Forbes. O resultado foi: “nenhum registro”. Confirmou minha hipótese de que a expressão “Ciudad del Este é a terceira zona franca do mundo” não passa de um mito.

*Micael Alvino da Silva

Doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e professor adjunto na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Coordenador do curso de Pós-Graduação em Relações Internacionais Contemporâneas e do Grupo de Pesquisa Tríplice Fronteira e Relações Internacionais (CNPq) – https://triplicef.org/

 



Formada em Jornalismo (UDC) e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas (Unila), atualmente é jornalista e editora na Revista 100fronteiras.


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