Passar em uma seleção de mestrado não é tarefa fácil. Envolve dedicação, muita leitura relacionada à área, um projeto consistente e em diálogo com as linhas do programa, um bom desempenho na entrevista e também uma boa dose de ansiedade durante todo o processo.

Reconhecendo esses desafios, estudantes e docentes do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI) da UNILA criaram o Projeto Incluir (http://bit.ly/_incluir_unila).

O objetivo do projeto é auxiliar os interessados em ingressar em programas de pós-graduação na área de Relações Internacionais, visando diminuir a desigualdade de acesso.

Para isso, o Incluir oferece suporte acadêmico na estruturação dos projetos de pesquisa, por meio de tutorias, e é destinado a pessoas com deficiência, indígenas, membros de povos aldeados, refugiados ou portadores de visto humanitário, e pessoas que se identifiquem como negros, pardos, trans ou intersexo.

As inscrições devem ser feitas até o dia 18 de junho, por meio de formulário (http://bit.ly/_incluir).

Não há obrigatoriedade de submissão de projeto ao PPGRI da UNILA. Ao participar da tutoria, o interessado irá se preparar para qualquer programa de Relações Internacionais no país.

O coordenador do PPGRI, professor Lucas Mesquita, diz que o Programa sempre trabalhou, desde a sua criação, em 2019, com base numa política de acesso afirmativo, preocupando-se, inclusive, com a divulgação do edital em cinco línguas.

“Estamos muito alinhados ao entendimento de que o Programa precisa gerar condições para que grupos sociais que não possuem acesso ou que têm uma dificuldade de entrar num programa de pós-graduação possam ver aqui um espaço para que essa formação ocorra”, diz ele, que percebe que alguns processos seletivos para candidatos estrangeiros ou grupos sociais minoritários tendem a parecer complexos.

A tutoria para os candidatos

Cerca de dez estudantes do PPGRI participarão como voluntários desta proposta de tutoria. Entre eles, estão Juddy Garcez Moron, que estuda questões sobre feminismo, e João Alípio Anastácio de Paula Correia, que pesquisa sobre democracia.

Ambos não são naturais de Foz do Iguaçu e vêm de formação em instituições privadas. Eles chegaram à UNILA e perceberam algo em comum: a vontade de ajudar novos interessados a conquistar uma vaga na pós-graduação.

“A gente percebe a missão da UNILA se concretizando quando ela encanta, e logo entramos nesta dinâmica. Muda a vida da gente de cabeça para baixo e aí se percebe que tem que fazer diferente”, diz João.

E eles não estão sozinhos nesta empreitada: contam com um time que está se preparando para auxiliar novos ingressantes e também com o apoio dos professores e da coordenação do Programa. Juddy diz que, por ser um projeto novo, tudo se constrói no coletivo.

“Tanto os alunos quanto a coordenação e o corpo docente, estamos todos aprendendo juntos, e daí percebemos que todas as iniciativas em que trabalhamos são integradas. A gente pensou em detalhes do edital, pensou no perfil das pessoas em que deveríamos focar”, conta.

A ideia de compartilhar conhecimento não é de agora. Eles também participaram na organização da Semana Discente do Programa e, no ano passado, de um workshop sobre inscrição no processo seletivo, engajando os atuais discentes para que pudessem dar orientação sobre documentação necessária, etapas de um projeto de pesquisa e como se portar numa entrevista.

A tutoria, neste ano, é um avanço de etapas anteriores, como explica Lucas Mesquita.

“Já tivemos uma melhora muito grande, mais candidatos conseguiram cumprir o processo seletivo. Não necessariamente foram aprovados, mas a gente já teve menos candidatos sendo reprovados por falta de documentos ou por erros na formatação de projetos”.

Mas como vai ficar a tutoria na prática?

À medida que os interessados se inscrevem, o Projeto organiza a distribuição dos orientandos entre os estudantes tutores disponíveis, que serão selecionados de acordo com a proximidade com os respectivos temas de pesquisa.

As tutorias serão realizadas em ambiente virtual, em encontros mensais com duração aproximada de 30 minutos.

A dinâmica dos encontros pode ser ajustada de acordo com a necessidade e a disponibilidade de ambas as partes.

“A gente percebe que os que vão ter o atendimento individual formam um público muito diverso. Há os que chegam com o projeto pronto e querem dar uma lapidada, e os que chegam sem nada, que é a maioria das pessoas. Mas estaremos preparados para as duas situações”, diz João.

Em paralelo aos encontros virtuais, os tutores enviarão sugestões e revisões do projeto de pesquisa. Juddy explica que não há um limite de vagas para as orientações.

“Estamos tentando nos organizar para que cada um receba no máximo três orientandos. Se tiver muitos inscritos, podemos entrar em contato com outras turmas ou programas, se for necessário”, explica.

Também haverá um encontro único de 40 minutos, para orientação sobre a etapa de entrevistas, que também é considerado um momento complexo para quem não está acostumado ao meio acadêmico.

Participe do Incluir

O coordenador Lucas Mesquita reforça que a proposta da tutoria independe de onde o candidato irá prestar seleção de pós-graduação e é uma oportunidade para que os participantes tenham um melhor desempenho nos processos seletivos, independentemente de ter tido um histórico de dedicação acadêmica ou não.

“Não importa onde o candidato vai participar de processo seletivo. Ele pode, em função dessa tutoria, entrar em um programa em que antes não iria conseguir, ou porque tinha uma dificuldade de formatar um projeto, de se organizar para uma entrevista, ou porque não teve oportunidade na graduação de participar de projetos de pesquisa ou extensão, ou pela necessidade de trabalhar”, analisa.

Importante que, apesar de o prazo final ser 18 de junho, quanto antes o candidato se inscrever, mais encontros com os futuros tutores ele poderá ter. João reforça que o Incluir é uma chamada principalmente para aqueles que não se sentem confortáveis com o meio acadêmico e que ainda não se sentem integrados a essa dinâmica.

Ele vê como uma iniciativa de construção de capacidades e reforça o convite.

“Se você se interessa por esse negócio de mestrado, mas acha que não é para você, porque não teve uma boa formação ou não se sente capacitado, acredite, o Projeto Incluir é para você”, complementa.

Em caso de dúvidas, entre em contato pelo e-mail [email protected]

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