O jornal Neue Zürcher Zeitung, o mais antigo da Suíça e de grande prestígio na Europa, destacou ações desenvolvidas pela Itaipu Binacional e pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) para a promoção de tecnologias sustentáveis no Oeste do Paraná.

Com o título Brasilien macht Geld aus Gülle (Brasil ganha dinheiro com esterco, em português), de autoria de Alexander Busch, a reportagem aborda como a produção de biogás – a partir de dejetos de animais de propriedades da região da usina – tornou-se uma solução viável não somente para a geração de energia, mas para aumentar a vida útil do reservatório de Itaipu.

A publicação, de agosto deste ano, foi encaminhada pela Embaixada do Brasil em Berna, na Suíça, e chegou à Itaipu por meio de um ofício do Ministério das Relações Exteriores.

Na matéria, é destacada a importância da produção de proteína animal como fator predominante para a economia do Oeste do Paraná e como os dejetos dessa cultura podem afetar drasticamente a vida útil do reservatório e da barragem da usina. Isso porque microrganismos consumidores de concreto podem surgir em águas ricas em matéria orgânica.

No texto, o jornalista enfatiza o esforço da Itaipu e do CIBiogás em encontrar soluções ambientalmente corretas para resolver o problema da reposição permanente de dejetos no reservatório. Além de economicamente sustentáveis, elas são capazes de aumentar a renda dos produtores rurais.

Foto: Assessoria.

“O esterco de porco, por exemplo, tem teor de metano de 65% – e, portanto, é extremamente valioso como matéria-prima para a produção de biogás”, menciona Bush.

“Caso as expectativas positivas se confirmem, o Brasil teria potencial para tornar-se ‘líder mundial na área’, nas palavras de Ricardo Castanho, diretor da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha”, informa o documento do Itamaraty.

Itaipu atua nesse processo desde 2008, quando firmou um projeto com a Fundação Parque Tecnológico Itaipu para desenvolver e implantar unidades de demonstração do Programa Geração Distribuída. Estas preveem a utilização de biogás de suinoculturas para geração de energia em pequenos geradores.

A iniciativa foi o pontapé para as alterações de regulação no sistema elétrico nacional, que hoje permite a compensação de energia através de fontes renováveis, muito utilizada, por exemplo, no caso dos painéis fotovoltaicos.

Segundo a Diretoria de Coordenação de Itaipu, as ações para as energias renováveis vêm ao encontro da fala do presidente Jair Bolsonaro, durante discurso por vídeo na Cúpula de Biodiversidade da Organização das Nações Unidas (ONU), no final de setembro.

Em sua fala, Bolsonaro abordou os esforços que seu governo está adotando para combater o que ele chamou de “duplo desafio”, que envolve “preservar nossos biomas e, ao mesmo tempo, enfrentar adversidades sociais complexas, como o desemprego e a pobreza, além de buscar garantir a segurança alimentar do nosso povo”.

Foto: Marcos Labanca.

A Itaipu

Com 20 unidades geradoras e 14 mil MW de potência instalada, a Itaipu Binacional é líder mundial na geração de energia limpa e renovável, tendo produzido, desde 1984, 2,7 bilhões de MWh. Em 2016, a usina brasileira e paraguaia retomou o recorde mundial anual de geração de energia, com a marca de 103.098.366 MWh. A hidrelétrica é responsável pelo abastecimento de aproximadamente 15% de toda a energia consumida pelo Brasil e de 90% do Paraguai.

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