A Itaipu Binacional dá mais um passo para, no futuro, soltar a ave harpia (Harpia hapyja) na natureza. Um workshop vai ajudar na criação de um dispositivo que será utilizado no monitoramento remoto da ave, quando ela for solta.

O evento foi realizado no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), na quarta (9), quinta (10) e sexta-feira (11) e reuniu especialistas de instituições voltadas à preservação da espécie de países como Costa Rica, Venezuela, Panamá, México, Equador e Argentina. Além dos profissionais da Itaipu, participaram especialistas brasileiros do Projeto Harpia.

Durante o workshop, foram coletadas as medidas das harpias do RBV. Para isso, cada ave foi levada ao hospital veterinário – instalado provisoriamente no Centro de Recepções do RBV, enquanto acontece a reforma do hospital. A ave é retirada de uma caixa de madeira e, seguindo todo o protocolo de manejo, tem seus olhos cobertos (para reduzir o estresse) e as garras protegidas por uma faixa.

Os especialistas, então, coletam as medidas do corpo da ave. As informações vão ser levadas a um banco de dados para gerar as medidas exatas do dispositivo que será preso à ave quando ela for solta. Será uma espécie de “mochila” de material plástico feita em impressora 3D e presa por meio de tiras de teflon no dorso do animal.

É muito importante entender o comportamento da harpia, como o movimento de seu corpo na captura de uma presa, por exemplo, para desenvolver um dispositivo que não prejudique a ave, nem corra o risco de cair. O workshop também visa desenvolver um protocolo com técnicas de colocação do dispositivo na espécie. Atualmente, não existe nenhuma normativa sobre o assunto.

Essa “mochila” carrega um radiotransmissor que permitirá o monitoramento da ave por certo período na natureza, de acordo com o tempo da bateria. Essas informações são fundamentais para garantir o sucesso da soltura da harpia.

O workshop aconteceu após a realização da “Oficina de avaliação de manejo integrado para conservação da harpia na Mata Atlântica, com foco na região Sul (parte 2)”, em Curitiba (PR), na terça-feira (8), que reuniu mais de 50 especialistas no assunto.

O objetivo foi elaborar um documento com diretrizes e boas práticas para a soltura da espécie. Esse documento leva em consideração os exames necessários e o período de aclimatação, antes da soltura, além do posterior monitoramento do animal na natureza. Este último tópico está sendo tratado no workshop no RBV.

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