Mobilidade Urbana, entenda as obras presentes na fronteira

572

 

 Foz do Iguaçu sempre foi caracterizada por grandes obras como a construção da Ponte Internacional da Amizade, a Itaipu Binacional, a BR-277 e mais recentemente a trincheira da Avenida Paraná; toda essa movimentação gerou não apenas oportunidade de emprego como também contribuiu para o desenvolvimento da cidade.

Agora, Foz passa novamente por um boom em que importantes obras de ligação estão sendo executadas. Sonhos antigos que finalmente saíram do papel para suportar a crescente mobilidade urbana do município. “Eu não diria que Foz do Iguaçu é uma cidade mal planejada. A problemática da mobilidade urbana é que nem sempre o planejamento e a gestão urbana são feitos de modo participativo e visando ao interesse da população, isso é fruto do não entendimento das melhores práticas para elaboração das políticas urbanas”, explica Alexandre Balthazar, arquiteto e urbanista.

No entanto, existem líderes na cidade que são interessados na participação ativa em projetos de desenvolvimento urbano, como foi o caso da ação movida pela sociedade para a construção da trincheira na Avenida Paraná em 2015. Após a construção dessa obra, outras ações foram desenvolvidas por moradores, desta vez para a construção do viaduto na Avenida Costa e Silva, porta de entrada da cidade. E mais uma vez, a obra saiu do papel.

Foto: Dantas Duarte

“Eu organizo algumas campanhas na cidade por meio das redes sociais, de maneira voluntária e apartidária, e uma delas é o #ViadutosFoz. Esse projeto surgiu da minha indignação com a conversão da Costa e Silva com a BR-277. Eu não admitia que uma cidade com a importância de Foz, que recebe milhares de turistas, que tem a beleza das Cataratas do Iguaçu e que possui a obra monumental da Usina de Itaipu, pudesse ter uma conversão tão pavorosa quanto aquela. Aquele trecho era uma vergonha para todos os cidadãos de Foz do Iguaçu”, justifica Ivo Valente Côrte, professor universitário.

De acordo com ele, as ações começaram em 2012, com o primeiro twitaço em prol de mais viadutos em Foz, com foco para a trincheira, mas ele destaca que já na época pedia a criação do viaduto na Costa e Silva. Hoje, vendo a obra do viaduto em sua fase final de execução, Ivo sente-se com a missão cumprida. “Sinto-me bem e com a sensação de dever cumprido no que se refere a este ponto. Vamos ter mais segurança em um ponto da cidade que era muito estressante e perigoso. Cabe lembrar que muitas outras pessoas estavam envolvidas para que este viaduto se tornasse uma realidade. O nosso papel foi deixar este assunto permanente na pauta política de Foz e região”, argumenta.

Mas mesmo com a conquista, ainda assim é dever de todo cidadão fiscalizar as obras e manter-se participativo nas discussões. “É fundamental ressaltar aqui o papel da população, tanto o Plano de Mobilidade Urbana quando o Plano Diretor Municipal são processos participativos, ou seja, é a população que deve definir seu futuro através de oficinas, grupos temáticos, audiências públicas ou mesmo das conferências da cidade. Se a população não exige que o processo seja participativo, o poder público tende a se acomodar. Quando a população acordar que é ela que decide o seu futuro, e não os servidores em seus gabinetes, o planejamento tenderá a ser mais eficaz”, alerta Alexandre.

Grandes projetos urbanos

Apresentado o cenário da mobilidade urbana, é importante destacar quais são essas obras e como elas de fato ajudarão a desenvolver a região, tornando o trânsito mais seguro e a qualidade de vida melhor.

Viaduto da Avenida Costa e Silva

Foto: Governo do Estado

A obra, iniciada em outubro de 2018, já está em fase adiantada de construção, custando R$ 15,8 milhões. Além disso, as obras também contemplam serviços de terraplenagem, pavimentação, drenagem, contenção, paisagismo, relocação de rede de energia elétrica e iluminação, sinalização, ligantes betuminosos e melhoria ambiental. A empresa responsável pela execução é a Engenharia e Construções CSO Ltda. De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o trabalho deverá ser entregue antes do prazo final, que está marcado para este ano ainda.

Vale destacar que o projeto foi doado pelo Fundo Iguaçu e ajustado por técnicos do DER. Outra informação é que a estrutura será batizada de Lyrio Bertoli, em homenagem ao ex-deputado e um dos pioneiros do Oeste do Paraná.

Ponte Internacional da Integração (2ª ponte)

Mais de 20 anos depois, finalmente as obras de construção da ponte que ligará Brasil e Paraguai pelas cidades de Foz do Iguaçu e Presidente Franco estão sendo executadas. A obra é gerenciada pelo Governo do Estado e custeada pela Itaipu. Terá um investimento total de R$ 463 milhões, sendo R$ 323 milhões para a construção da ponte e R$ 140 milhões para a Perimetral Leste, uma via de acesso direto entre a Avenida das Cataratas e a BR-277. O prazo para a execução é de 36 meses, e a empresa responsável pelas obras é a Construbase–Cidade–Paulitec.

A ponte de acesso entre os dois países será estaiada e terá 760 metros de comprimento e vão-livre de 470 metros, além de duas torres de 120 metros de altura cada uma. Já a pista será simples, com 3m70 de largura, acostamento de 3 metros e calçada de 1m70.

 

Mais importante do que ser mais uma via de ligação entre os dois países, a Ponte da Integração servirá para o tráfego de veículos pesados, que atualmente passa pela Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. Com isso, a intenção é desafogar a Ponte da Amizade, que hoje é a mais movimentada do país.

 

Perimetral Leste

Em paralelo a essa obra, outro projeto é o da construção da Perimetral Leste, uma via de acesso entre a Ponte da Integração e a BR-277 auxiliando no desvio de caminhões pesados que atualmente passam pelo centro da cidade. A obra é de responsabilidade da Construtora JL, de Cascavel, e tem prazo de 36 meses para a execução, sendo fiscalizada pelo DER.

 

De acordo com a assessoria da Itaipu, a previsão é que os dez primeiros meses sejam dedicados à conclusão dos projetos executivos e trâmites burocráticos. Há também a previsão da construção da aduana na margem brasileira, com os postos da Receita e Polícia Federal.

 

 

Ampliação da pista do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu

E para fechar, mais recentemente foi informado que a pista do aeroporto da cidade terá ampliação para poder receber voos diretos partindo da cidade rumo aos Estados Unidos e Europa. O anúncio foi feito pelo deputado federal Vermelho após reunião com o governador do Paraná, Ratinho Jr., e o secretário da Aviação Civil, Ronei Glanzmann.

O projeto, que também foi desenvolvido inicialmente pelo Fundo Iguaçu e agora está sendo elaborado em parceria com a Infraero, visa a aumentar a pista em 600 metros, ou seja, ela passará de 2.195 metros para 2.795 metros, tendo um custo de R$ 70 milhões. “Essa ampliação será emblemática para Foz, porque irá carimbar o aeroporto como internacional. Isso porque atualmente, com a pista curta, não é possível que aviões maiores decolem daqui para Estados Unidos e Europa, sem que se faça escala de reabastecimento. Ou seja, esses aviões de grande porte conseguem pousar em Foz, mas não conseguem decolar com o tanque totalmente cheio”, ressalta o secretário de Turismo da cidade, Gilmar Piolla.

Segundo ele, as obras estão previstas para iniciar em janeiro de 2020, tendo prazo de um ano para a execução. “Essa obra vai ser símbolo do nosso desenvolvimento sustentável do destino, proporcionando aumento do número de visitantes nacionais e internacionais”, comemora Piolla.

Análise

Por: Alexandre Balthazar, arquiteto e urbanista

Foz do Iguaçu está tornando-se um pátio de grandes obras, e isso é muito bom para a cidade, tanto pela geração de empregos diretos e indiretos como pelo resultado positivo que tais obras podem gerar. Para uma cidade desenvolver-se, uma série de fatores são fundamentais. Na questão econômica, a logística de transporte é fundamental, e é neste quesito que estão as principais obras já iniciadas ou com projetos avançados, ou seja, a nova ponte, Perimetral Leste, ampliação da pista do aeroporto e viaduto da Av. Costa e Silva.

No entanto é preciso pensar não apenas na mobilidade urbana como também na qualidade de vida por meio do desenvolvimento de projetos sustentáveis. Por exemplo, andar de bicicleta em Foz do Iguaçu ainda é considerado um esporte radical. Agora que as ciclovias e ciclofaixas começaram a ser feitas, falta muito para transitar de um lado a outro da cidade sem cruzar perigosamente com carros, ônibus e caminhões. Se os projetos previstos no Plano de Mobilidade Urbana continuarem saindo do papel, aí sim poderemos andar de bicicleta sem correr risco de morte.

 



Formada em Jornalismo (UDC) e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas (Unila), atualmente é jornalista e editora na Revista 100fronteiras.


Deixe um comentário