Quando a pandemia chegou e obrigou as pessoas a ficarem em casa, a rotina mudou e se viu a necessidade de haver espaços que priorizassem a saúde, conforto e bem-estar das pessoas. Além disso, pediu-se muito por natureza, por estar em um local que transmitisse ar puro e gerasse conexão.

Com isso, a sustentabilidade – que é tão vista atualmente como importante para a sobrevivência do ser humano – passa agora a ser essencial nas edificações, e aí volta à cena um modelo bem particular de arquitetura: a vernacular.

O que é arquitetura vernacular?

Quem é do meio da arquitetura com certeza já estudou sobre esse modelo, mas talvez de modo geral as pessoas não tenham muito conhecimento sobre esse assunto, no entanto, em algum momento, já devem ter visto esse tipo de construção.

De origem antiga, mais precisamente dos anos 1800, a arquitetura vernacular surgiu em locais onde não havia a presença de arquitetos e engenheiros, por isso as próprias pessoas da comunidade construíam suas casas utilizando recursos disponíveis naquela determinada região. Sendo assim, a arquitetura vernacular é também conhecida como arquitetura popular, com edificações simples e utilizando-se de materiais retirados da natureza, mas que geram pouco impacto ao meio ambiente, considerados assim sustentáveis.

Características da arquitetura vernacular

Os principais destaques para esse tipo de construção remetem ao uso de materiais locais, tipo de clima e solo, condições econômicas e influências históricas. Alguns exemplos da arquitetura vernacular são as casas feitas de bambu, adobe, cabanas, iglus e chalés alpinos.

(Connecticut – Mick Hales Photography)

Apesar de hoje em dia não serem comum, essas construções mantêm viva a história e a tradição de uma localidade e são desenvolvidas de forma sustentável, pois se integram ao meio ambiente.

O uso da arquitetura vernacular nos dias de hoje

Com a evolução do conhecimento e das tecnologias, as construções passaram a ter características modernas. No entanto a sustentabilidade sempre gritou por um espaço nas edificações, por isso traços da arquitetura vernacular continuam a ser usados ainda hoje. Seja como forma de reduzir o custo da energia e até mesmo proporcionar o isolamento térmico e acústico das construções, o uso de técnicas vernaculares está presente.

Uma recente matéria publicada no site ArchDaily, escrita por Duo Dickinson,ressalta que o isolamento social fez as pessoas se voltarem para si mesmas como forma de se reencontrar. “Cada um de nós habita um espaço interior que é só seu, um ambiente vernáculo com a sua própria linguagem estética. Neste momento de reclusão, neste movimento de voltar-se para dentro de si, parece que todos estamos redescobrindo nossas próprias referências individuais que nos fazem ser aquilo que nós somos. Depois de mais de um século da ‘canonização’ da arquitetura pela arquitetura, parece que enfim as coisas estão começando a mudar”, destaca parte do texto. 

(Mexico Photograph)

Com isso, ele explica que a arquitetura vernacular passará a ter mais espaço no mundo pós-pandemia, num momento em que a arquitetura moderna predominava deixando de lado a história e o contexto cultural em que estava inserida.

O artigo frisa também que as construções de hoje em dia são feitas de maneira homogeneizada, com o uso do vidro, aço e concreto – que afastam as pessoas do mundo lá fora. Ele sugere uma remodelação na arquitetura, pois a “forma como nos relacionamos com o mundo, e com as outras pessoas, tem uma influência direta naquilo que construímos, e as estruturas que edificamos hoje, por sua vez, têm um impacto significativo na maneira como se faz arquitetura amanhã”.

Sentir-se realmente em casa

Além de repensar as edificações e o uso da sustentabilidade e conexão com o local onde está inserido, o isolamento social fez as pessoas repensarem no prazer que é estar em casa e sentir-se em casa, criando uma aproximação com o ambiente, comunicando-se com o mundo.

Por isso hoje, mais do que projetar um espaço moderno e tecnológico, é preciso pensar em como esse espaço vai agregar valor ao morador, vai produzir identidade com a comunidade na qual está inserido e devolver o prazer de estar em casa. É um desafio para os profissionais da área e futuros arquitetos, que precisam estar em constante evolução para acompanhar as mudanças do mundo.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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