É inevitável o pensamento do iguaçuense em razão da reabertura da Ponte da Amizade, no sentido de preocupação com nosso sistema de saúde devida a pandemia da Covid-19. E muitos questionaram a reabertura preocupados com o número de leitos na UTI que temos disponível no sistema público de saúde em nossa cidade e como o Paraguai se preparou para esse momento. Por isso fique atento a essa matéria que com certeza será esclarecedora a muitos iguaçuenses, brasileiros e paraguaios que por aqui transitam.

Dados de Foz do Iguaçu

Dados do número de COVID de Março de 2020 (início da pandemia em nosso município) à Outubro:
Março – 13 casos / nenhum óbito
Abril – 36 casos / 2 óbitos
Maio – 79 casos / 1 óbito
Junho – 768 casos / 8 óbitos
Julho – 2.447 casos / 19 óbitos
Agosto – 1.732 casos / 31 óbitos
Setembro – 2.173 casos / 42 óbitos
Outubro – 2.216 casos / 41 óbitos

Esses dados mostram a forma como foram sendo elevados os números de casos e os números de óbitos com o passar dos meses, mostrando que a partir de julho esse número foi bem considerado com 2.447 casos e o de setembro em 42 óbitos.

100fronteiras – Depois da reabertura da Ponte da Amizade, os casos de Covid-19 aumentaram em nosso município?

Agência Municipal de Notícias – O aumento no número de casos de Covid-19 está relacionado a diversos fatores, entre eles a maior circulação de pessoas e turistas devido à reabertura da Ponte Internacional da Amizade; as festas com aglomeração de pessoas, especialmente pós-feriado e principalmente, ao relaxamento por parte da população das medidas de proteção, com o uso de máscara e a higienização constante das mãos.

100f. – Houve maior procura na saúde iguaçuense de moradores de Ciudad del Este?

AMN – As unidades de saúde do Jardim América e Jupira, próximas a cabeceira da Ponte da Amizade, já registraram aumento na procura por atendimento de brasiguaios – brasileiros que vivem no Paraguai. Desde o início da pandemia, 114 paraguaios foram notificados para a Covid em Foz, e destes, 16 casos foram confirmados. Duas pessoas, de nacionalidade paraguaia, morreram em consequência da doença no município.

100f. – Foi realizado o aumento de leitos na UTI depois da reabertura?

AMN – O Governo Municipal solicitou ao Governo Federal a criação de 50 novos leitos de UTI no Hospital Municipal Padre Germano Lauck. Esta demanda está inserida dentro do Plano de Contingência, elaborado pelo município e entregue ao Ministério da Saúde. Até o momento, não recebemos sinalização para implantação de novos leitos.

100f. – Quantos leitos de UTI temos disponíveis em nossa cidade?

AMN – Existem 75 leitos de UTI disponíveis para pacientes com a Covid-19, sendo 40 no Hospital Municipal e 35 no Hospital Ministro Costa Cavalcanti – 5 destes contratados pelo Costa no Hospital Madre de Dio, em São Miguel do Iguaçu.

100f. – Como está o rigor na saúde após a reabertura e foi realizado algum protocolo?

AMN – O Município preparou um Plano de Contingência em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, que prevê, entre outras coisas, a implantação de novos leitos de UTI, reforço na Atenção Básica, contratação de novos profissionais e fortalecimento do SAMU. O plano foi entregue ao Ministério da Saúde, que se dispôs em auxiliar o município com a contratação de profissionais.

100f. – Já se completou mais de 15 dias da reabertura, a saúde viu alguma mudança considerável?

AMN – Até o momento, nenhuma mudança trágica.

100f.  – Acredita que nossa cidade tem potencial para continuar atendendo público e privado de contaminados pelo Covid-19 e os paraguaios?

AMN – Foz do Iguaçu se preparou para a COVID ainda no começo do ano, em janeiro, com a aquisição de equipamentos, criação de novos leitos, duas novas alas no Hospital Municipal e a reforma do pronto socorro respiratório. Nenhuma pessoa ficou sem atendimento na cidade.

100f. – Na Ponte da Amizade no lado brasileiro está sendo realizado algum controle sanitário?

AMN – A prefeitura disponibilizou uma unidade de saúde móvel para tirar dúvidas e atender a população. No entanto, a procura está bem abaixo do esperado: cerca de duas pessoas por dia. Barreiras sanitárias não foram instaladas, porque se mostraram ineficazes e por gerar aglomeração de pessoas. 

Dados Paraguai

Nós como jornalistas locais também apuramos os dados do lado paraguaio, por isso falamos com profissionais da área de saúde do município de Ciudad del Este – Alto Paraná. Com isso temos a base de informações de ambos os lados para podermos saber a situação de nossa fronteira após a reabertura. Um dos nossos entrevistados foi Darío Villalba que é médico do Hospital Integrado Covid de Alto Paraná e o Dr. Carlos Pallarolas, pneumologista e Filial Alto Paraná Sociedad Paraguaya de Pneumologia.

100fronteiras – Faz mais de 20 dias da reabertura, foi realizado alguma mudança na saúde?

Dr. Darío Villalba – Já se completaram mais 20 dias da Ponte da Amizade reaberta e com isso foi notado pelas autoridades que os números de leitos ocupados, assim como os de consultas estão diminuindo em Alto Paraná, província de Ciudad del Este.

Dr. Carlos Pallarolas nos comentou que “há três semana da reabertura da Ponte Amizade não houve aumento relevante de casos e sim diminuição. Muitos poucos casos severos e sim casos mais leves.”

100f. – Depois da reabertura da Ponte da Amizade, os casos de Covid-19 aumentaram e houve maior procura na saúde paraguaia?

Dr. Darío Villalba  – Até o momento não houve nenhum evento novo que mude essa tendência e que possa ser atribuída a reabertura da ponte.

Dr. Carlos Pallarolas  –  Atualmente a capacidade de atendimento na área da saúde é de 300 à 400 por dia, mas as pessoas que procuram o sistema de saúde do lado paraguaio com problemas respiratórios são muito poucos.

100f. – Na Ponte da Amizade no lado paraguaio está sendo realizado algum controle sanitário?

Dr. Darío Villalba  – Os lavatórios, uso de máscaras, controle de temperatura e álcool em gel já eram regras sanitárias estabelecidas por todo o país quando começou a abrir gradativamente alguns serviços, a indústria e o comércio. O que aconteceu com a reabertura da ponte foi um trabalho mais exaustivo por conta da promoção das normas e o controle por parte do Ministério de Saúde e do Ministério do Trabalho.  

100f. – Foi realizado o aumento de leitos na UTI depois da reabertura? Quantos leitos de UTI temos disponíveis em CDE?

Dr. Darío Villalba  – Hoje o Hospital de Referência em Alto Paraná é o Hospital Integrado que tem 80 camas comuns e 38 leitos de UTI. Isso faz já três meses. Até o momento da entrevista estão sendo ocupados menos de 25% das camas comuns e mantemos uma média de 10 camas vazias na UTI.

100f. – Está sendo maior o rigor na saúde após a reabertura? A cidade se preparou de alguma maneira?

Dr. Darío Villalba  – Essa tendência nos permitiu atender a pacientes de outros estados, que anteriormente eram levados a Assunção, agora são transportados a Ciudad del Este. No momento não há plano de aumentar a quantidade de camas para a Covid-19.

Dados dos números de COVID em nível respiratório – Ciudad del Este município de Alto Paraná:
130 camas de leitos comuns – 10-15% ocupadas
30 camas de UTI e 12 de REA – 30 – 40% ocupadas

Dr. Carlos Pallarolas  – O departamento de saúde de Alto Paraná segue insistindo e reforçando todos os locais públicos principalmente para o uso de máscaras, distanciamento, álcool em gel, medida de temperatura, lavatório de mão. Isso já ajuda muito na não propagação do vírus, há muitas pessoas que tomaram consciência da situação atual da pandemia e a população tem se cuidado.

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