O quadro Memórias de Foz apresenta Roberto Paraiso Rocha. Bacharel em Direito pela Universidade Estadual de Minas Gerais, advogado da Magnesita (aposentado), procurador do estado do Rio de Janeiro (aposentado), procurador-geral do estado do Rio de Janeiro (1975-1979), professor titular (aposentado) de finanças públicas da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), membro do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros), conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/RJ (aposentado), além de ter trabalhado como advogado na Sociedade Nacional de Agricultura e ter atuado como conselheiro no Tribunal de Ética da OAB/RJ por mais de dez anos.

Roberto Paraiso Rocha

Essas são só algumas das atividades que o doutor Roberto Paraiso Rocha exerceu durante sua vida. Ele nasceu em uma fazenda na cidade de São João Marcos – um antigo município do estado brasileiro do Rio de Janeiro que foi alagado, despovoado e demolido na década de 1940 para a formação da represa de Ribeirão das Lages, construída para a produção de energia elétrica e abastecimento da cidade do Rio de Janeiro. Hoje em dia, as relíquias se transformaram no primeiro museu arqueológico ao ar livre do Brasil.

Com a futura esposa Ceres em viagem à Buenos Aires. 

Nascido em 21 de agosto de 1928, ainda bebê, Roberto Paraiso Rocha foi morar em Oliveira, Minas Gerais, cidade localizada a 150 quilômetros a sudoeste de Belo Horizonte, capital do estado, em um sobrado localizado na fazenda de seus pais. O sobrado em que morou quando criança é, nos dias atuais, um patrimônio histórico do município.


Tomando posse de procurador geral do Estado do Rio de Janeiro junto ao governador Faria Lima.

O grande amor de Roberto

O jurista sempre quis ser advogado, por conta de uma tradição de família. Conforme ele, é mais do que paixão, é algo fisiológico. Estudioso desde sempre, por imposição materna, Roberto ingressou na faculdade de Direito no ano de 1947.

Foi na Universidade de Minas Gerais que conheceu seu grande amor: Ceres. Era uma sala de aproximadamente 50 homens e cinco mulheres, e a futura esposa estava entre elas. Ceres era uma mulher muito à frente do seu tempo. Saiu do interior de Minas Gerais para cursar Direito na capital, algo raro naquela época.

Formandos da Faculdade de Direito de Minas Gerais. 

Foram meses de paquera. Ceres, porém, não cedia, pois ela queria focar nos estudos. Até que um dia não resistiu mais às investidas. Casaram-se em 24 de setembro de 1950 – ainda durante a faculdade. Foram mais de cinco décadas juntos, até ela falecer no final de 2001.

Desse amor nasceram Adriana de Lacerda Rocha e Paulo Valverde de Lacerda Paraiso Rocha. Conforme conta a filha Adriana, o pai, Roberto, sempre foi muito romântico e dava flores e presentes nas datas festivas, como aniversário de casamento, de namoro e de nascimento.

Uma vida pelo Direito

A escolha pelo Direito se deu devido a uma tradição de família, na qual há muito mais juristas e advogados do que qualquer outra profissão. Naquela época, os quadros de formatura eram expostos na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte (MG), para que os habitantes da cidade tomassem conhecimento de quem eram os formandos.

Roberto e a esposa se formaram em 1952. No início da carreira, trabalhou no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, em BH, onde atuou como datilógrafo.

Homenagem do IAB – Instituto dos Advogados Brasileiros. 

Também foi admitido pelo Instituto de Advogados Brasileiros – entidade diferente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), onde só eram e são admitidos advogados conhecidos, indicados e aprovados em razão dos trabalhos realizados e da repercussão social do exercício da profissão.

No Rio de Janeiro, trabalhou voluntariamente em diversas eleições, sendo repetidamente presidente de seção.

Em 1975, como procurador-geral do estado do Rio de Janeiro, o Dr. Roberto Paraiso Rocha teve um papel de destaque e referência para os demais, além de ter sido fundamental na fusão do antigo estado da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro. Na época, o fluminense trabalhou com o governador Faria Lima e o prefeito Tamoio.


Certificado em reconhecimento ao trabalho realizado na PGE/RJ. 

Naqueles tempos era possível acumular a função de procurador do estado com o exercício de advocacia. Roberto atuou como advogado da empresa Magnesita por mais de quatro décadas. Assim como o magistério na UERJ também por mais de 40 anos, sendo professor titular.

Rocha é autor do livro Constituição do Estado do Rio de Janeiro: 5 de outubro de 1989 – Anotada. E recentemente, em dezembro de 2019, lançou a atualização do livro Ética e Disciplina na Advocacia: Tribunal de Ética e Disciplina OAB/RJ (TED-RJ) – 1998/2006 (com atualização e quadro comparativo CED/2015).

Roberto escolheu Foz do Iguaçu

Em 2011, Roberto Paraiso Rocha escolheu vir morar em Foz do Iguaçu pelo fato de querer viver perto da filha, Adriana de Lacerda Rocha, e do genro, Hegrisson Carreira Alves – quem ele considera também um filho, já que o outro filho de sangue, Paulo Valverde de Lacerda Paraiso Rocha, casou-se com uma neozelandesa e se mudou para a Nova Zelândia.


Formatura do filho Paulo na faculdade de engenharia, PUC-RJ, junto com a família. 

Ele gostou da cidade, pois a Terra das Cataratas possibilitou a Roberto a realização de suas atividades diárias sem o trânsito do Rio de Janeiro. Ele gosta do clima, das opções gastronômicas e dos cinemas – que frequentava antes da quarentena.

O novo normal

Com o início da pandemia, Roberto, que tem 92 anos de idade, agora vive o “novo normal”, mantém os hobbies de leitura, gosta de livros biográficos, de assistir a filmes e séries, além de levantar materiais para o livro autobiográfico que está preparando.

Mas isso só porque ainda não pode passear nas ruas, afinal Roberto é um senhor muito ativo. Antes da pandemia, ele costumava ir a eventos culturais e a diversos restaurantes – aliás, a paixão por cinema vem do pai, que era dono de um cinema em Oliveira (MG) quando Roberto ainda era criança e adolescente.

Ele continua cuidando da saúde física, porém agora suas sessões de fisioterapia são on-line, e ele se esforça usando pesos, caneleira e bicicleta ergométrica.

“Assim, posso dizer que nasci debaixo de água – extinta cidade de São João Marcos/RJ, mas não sou peixe”, finaliza com seu bom humor de sempre.

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1 Comentário

  1. Olá. Meu nome é Christina e trabalho na comunicação do projeto do Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, citado no perfil do Dr. Roberto Paraiso Rocha. Ficamos muito felizes sempre que identificamos ex-moradores de São João Marcos e, neste caso, ainda mais ao constatar a importância da antiga cidade na memória familiar e nas referências dele, mesmo tendo deixado a região ainda bebê. Por favor, transmitam ao Dr. Roberto um forte abraço da equipe do Parque (que está fechado temporariamente devido à pandemia) e digam que, no futuro, esperamos que ele possa nos visitar. Para saber mais sobre o Parque: http://www.saojoaomarcos.com.br. E-mail: contato@saojoaomarcos.com.br <3

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