Quando a palavra democracia é mencionada, qual é a primeira coisa que vem à sua mente? 

Aposto que não é jornalismo. Por mais que os dois estejam de mãos dadas, a democracia e o jornalismo tem um relacionamento que não pode terminar para o bem estar da comunidade, e vamos esclarecer o porquê em três pontos. 

Democracia

Governo em que o povo exerce a soberania. Um sistema político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes por meio de eleições periódicas.

  1. O mundo sem mídia é um mundo sem filtro 

É fato que o jornalismo é um setor que atualmente não está em sua melhor fase, e é justamente por esse motivo que a democracia está em risco. 

Os desertos de notícias tem aumentado cada vez mais em todo o mundo, no Brasil, 14% da população vive em cidades sem jornalismo local. Uma pesquisa feita pelo Atlas da Notícia em 2021 identificou que cinco em cada dez municípios estão nessa condição. São mais de 2.900 cidades, onde vivem mais de 29 milhões de pessoas, em que não foram encontrados veículos de comunicação local.

Consequentemente, as lacunas são preenchidas pelas mídias sociais e excesso de desinformação. Além disso, outro ponto que é importante mencionar são os “pseudo-jornalistas”.

Foto: Marcos P./ Unsplash.

A tecnologia aproximou continentes, países, cidades e pessoas. Hoje, a conexão imediata permite a qualquer um de nós registrar, compartilhar e comentar os fatos. Mas o relato confiável do que acontece é resultado da aplicação de um conjunto de técnicas e de compromissos éticos próprios do jornalismo. 

O mesmo acontece, por exemplo, com o direito, engenharia e a medicina, que exigem de seus profissionais conhecimentos específicos e complexos. Essa capacitação é determinante para a qualidade dos serviços prestados nessas áreas essenciais para todos nós. 

Estudos mostram que empresas de notícias locais mais fracos levam a mais corrupção, menor participação eleitoral, polarização e mais alienação da comunidade.   

É difícil para os moradores resolverem os problemas de sua comunidade e acompanhar os seus representantes sem ter informações precisas e uma compreensão justa. Isso prejudica a todos, independentemente de suas políticas.

  1. A importância do jornalismo local

Vivemos na era da desinformação. Ao mesmo tempo em que as notícias chegam de forma instantânea em nossos celulares, a informação de qualidade está cada vez mais escassa. 

E isso ficou claro com a pandemia de coronavírus que desencadeou a pandemia de notícias falsas, as fake news, o que reflete um deserto no jornalismo local e de qualidade.

“Tolstoi tem uma frase: se queres ser universal canta sua aldeia. Isso quer dizer que tudo começa na sua cidade, no jornalismo local que só pode existir se existir democracia que ampare a liberdade do jornalista expressar o que existe de mais verdadeiro e sério em sua comunidade. É justamente onde temos estas publicações locais que começa a verdadeira democracia “

Regina Bucco, diretora Executiva da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner).

O jornalismo mantém e promove o conhecimento de cada região, fortalecendo identidades, relatando histórias das pessoas como nenhuma outra mídia pode fazer, incentivando as necessárias participações das comunidades nos grandes debates sobre os rumos de cada localidade, contribuindo na construção de setores públicos e privados comprometidos com os interesses dos cidadãos e estabelecendo uma agenda construtiva para o diálogo entre as pessoas. Por isso, é preciso enfatizar e multiplicar a importância do jornalismo profissional.

Denys Grellmann,Publisher do Grupo 100fronteiras apresentando os resultados de audiência do portal 100fronteiras para a equipe.
  1. A compreensão e apoio da comunidade 

O fortalecimento do jornalismo local e a democracia não é algo simples. A comunidade precisa estar a par da importância deste relacionamento. 

Roda de conversa com a Bea Panni, leitora do portal 100fronteiras.com. Neste dia a ouvimos e aplicamos uma pesquisa qualitativa de usuário.

O engajamento da comunidade é indispensável no jornalismo local, isso se dá por vários fatores que vão desde a apuração dos fatos até o interesse dos leitores. 

Isso nós vivenciamos no dia a dia da redação, ter um bom relacionamento com os leitores é fundamental para que haja uma confiança recíproca, credibilidade, auxílio em projetos e a ajuda para mudar a visão distorcida que a comunidade tem em relação aos jornalistas.

Na busca do engajamento com a comunidade, enfrentamos vários problemas, que envolvem questões políticas, opiniões, e desconfianças de compromisso com autoridades. Isso nos exigiu uma posição clara e mais transparência com nossos leitores.  

Em resumo, jornalismo e democracia andam de mãos dadas e um não sobrevive sem o outro. Por isso, cada vez mais é importante ressaltar que o jornalismo local de qualidade é essencial para as comunidades, e os desertos de notícias são um risco para o futuro.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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