100f: Como iniciou seu trabalho até chegar ao comando do Foztrans?

Licério Santos: Eu sempre atuei nas entidades da cidade, pois penso que não adianta só reclamar do governo e das entidades, é preciso participar também, fazer a sua parte. É com essa visão venho já há 30 anos participando de entidades do turismo e da sociedade civil organizada. Fui presidente do Sindetur (Sindicato das Empresas de Turismo de Foz do Iguaçu), por três gestões. Fui duas vezes presidente e duas vice-presidente do Comtur (Conselho Municipal de Turismo). Sou vice-presidente da Confederação Nacional do Turismo entre outras atuações em entidades.

No setor público, já participei de outros dois governos municipais, onde em um trabalhei como Diretor de Recursos Humanos e outro trabalhei na Secretaria de Turismo como Diretor de Turismo e Desenvolvimento.

E agora, na gestão do Chico Brasileiro, assumi em janeiro de 2021 a Superintendência do Foztrans.

100f: No que consiste o Foztrans?

Licério Santos: Primeiro que trabalhar à frente do Foztrans é um grande desafio, considerando que a área de atuação do Foztrans é muito abrangente e interfere no dia a dia da nossa cidade e da comunidade. Tudo o que se refere a trânsito, sinalização viária, semáforos, fiscalização, transporte público, Estarfi, é de responsabilidade do Foztrans, assim como tudo que se refere a concessão de transportes, serviço de turismo, táxi, transporte escolar e motoristas de aplicativos.

Além disso, nesse momento de pandemia, estamos fazendo a fiscalização sobre a questão Covid, fazendo a fiscalização de superlotação do transporte público, convencendo as pessoas de que tem que ficar em casa e também orientando o trânsito, especialmente dos residentes do Paraguai que vem em busca de atendimento médico, essa operação é feita em conjunto com a Guarda Municipal. Ainda sobre Covid, apoiamos a Vigilância Sanitária e Secretaria de Saúde na vacinação.

Foztrans

100f: Falando em fiscalização como está a situação do transporte público?

Licério Santos: Tem duas questões, a fiscalização do contrato como um todo, é de responsabilidade do Foztrans, no que se refere a horários, linhas, etc., e uma vez que há infrações nos cabe a notificação e multa. E outra é a questão da fiscalização da superlotação dos ônibus do transporte público, em cumprimento aos decretos da Covid-19.

Eu sempre falo que se combateu muito a questão das festas clandestinas, bares, aglomerações, só que a pessoa que vai pra uma balada, vai consciente, vai por que quer, sabe que está errado, mas decide correr esse risco. Entretanto a pessoa que usa o transporte público não tem alternativa, é imputado a ele o uso  do transporte público. Isso é uma grande irresponsabilidade da concessionária, não compactuamos com isso.

Dessa forma fazemos uma fiscalização rigorosa e de muita responsabilidade. Pois não dá para aceitar que uma empresa diga que não tem alternativa e submeta o cidadão a essa condição de ter que usar ônibus superlotados correndo alto risco de contaminação. Entendemos que esta atitude é uma decisão deliberada da concessionária de colocar as pessoas em risco. Isto é inaceitável.

A gente entende a questão empresarial, mas não importa a justificativa, o que importa é que não pode aglomerar pessoas.  

É nossa obrigação fazer a fiscalização, que é feita em conjunto com a Guarda Municipal, Procon, Vigilância Sanitária. Temos feito essas operações com frequência.

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(foto: Rádio Cultura)

100f: E sobre a fiscalização dos carros paraguaios, como está sendo feita?

Licério Santos: Não são pontos específicos, porque o motorista saberia de antemão que ali haveria fiscalização. Então são pontos aleatórios e a operação é decidida horas antes de acontecer. Mas claro que sempre tem os pontos estratégicos para fazer, como a marginal da BR 277 próximo da ponte, a Av. JK, Av. José Maria de Brito, Beira Rio, entre outros locais. Essas operações tem dado resultado essa fiscalização, pois diminuiu muito a vinda de paraguaios ao sistema de saúde em Foz. Acredito que as pessoas tenham se conscientizado disso, de que não nos cabe fazer o atendimento de pessoas não residentes no país. Essa operação visa fiscalizar somente os cidadãos estrangeiros que vem a Foz buscar atendimento médico Covid. No entanto, os empresários, trabalhadores, taxistas e transporte de cargas não são alvo dessa fiscalização.

100f: Vocês intensificaram a fiscalização durante a pandemia e seguem com esse trabalho, certo?

Licério Santos: Sim. Agora, será que precisaria o poder público dizer para as pessoas que elas não podem usar os espaços públicos, levar os filhos ao parquinho? Não deveria ser assim, as pessoas deveriam ter essa consciência do que deve e o que não deve fazer para evitar o aumento da contaminação, causando o caos na saúde pública. Na medida que não existe essa consciência, o poder público tem que agir de maneira mais incisiva para que as regras sanitárias sejam cumpridas.

Neste sentido o Foztrans, Guarda Municipal e Secretaria da Fazenda, estão atuando e já começaram a aplicar multas para aqueles que não estejam respeitando as regras dos Decretos Covid quanto ao uso de  espaços públicos e máscaras.

Além dessas ações temos equipes que circulam na cidade, quando ocorrem as denúncias as equipes mais próximas se deslocam até a ocorrência de aglomerações e festas clandestinas. Nesse caso quem aplica a multa é a Secretaria da Fazenda.

100f: Atualmente como é formada a diretoria do Foztrans?

Licério Santos: O Foztrans, além da Superintendência, tem três diretorias, a de Trânsito e Sistema Viário, Transporte e Desenvolvimento Público e Administrativa e Financeira. Através dessa estrutura são coordenadas todas as atividades do Foztrans, de engenharia de tráfego, ciclovias, departamento de fiscalização; departamento de atendimento ao público, atendimento de protocolo e departamento de transporte coletivo e desenvolvimento, Estarfi, educação de trânsito e demais trabalhos. Enfim, o Foztrans é bem plural no sentido de atuação dentro da cidade.

100f: Quais os projetos para esse ano?

Licério Santos: Temos dois em fase final. Um deles é o novo modelo de Estarfi, muito mais moderno, que trará mais agilidade e facilidade para os usuários e colaboradores.

Vai atender a uma demanda justa que o comerciante tem, porque as pessoas continuam a não ter consciência de como deve ser uso do estacionamento rotativo. A área onde está definida como estacionamento rotativo não é estacionamento para o dia inteiro, pois a intenção é movimentar a cidade.

Foztrans

E com esse novo sistema teremos muito avanço. Porque a pessoa poderá adquirir os créditos direto pelo aplicativo, através do monitoramento veicular a identificação do uso irregular será feito com mais precisão, pois identifica em uma determinada quadra quais as vagas que teoricamente estariam livres e quais tem carro estacionado. Então imediatamente é feita a verificação de qual vaga está sendo usada regularmente e dependendo da situação será feita a notificação do usuário. As multas seguirão da mesma forma, com notificação e aplicação de multa, quando necessário.

Hoje o Estarfi não é autossuficiente, temos um quadro grande de funcionários e por fim a arrecadação acaba sendo insuficiente. Então a proposta é que com esse novo sistema, além de melhorar para usuário e comerciante, irá melhorar a arrecadação do sistema Estarfi, sem a necessidade de multa. Porque a multa decorre da infração do usuário, pelo uso irregular da área de estacionamento rotativo.

Outro projeto muito aguardado também, que está em fase de contratação, é SIMFOZ, dos semáforos. Hoje temos 106 semáforos na cidade e destes 35 são autônomos, ou seja, não necessitam de intervenção humana para funcionar. Eles regulam automaticamente o tempo de abertura de cada via, dependendo do fluxo de veículos, permite também, a sincronização entre os semáforos. Na prática, nos horários de pico deixa mais tempo aberto as vias que estão mais ocupadas. Outra função é a identificação de carros parados na via por mais de dois minutos, assim o sistema avisa o centro de monitoramento e com isso identifica de forma mais rápida se há algum acidente ou situação que necessite de ação no local por parte do Foztrans.

Outra vantagem é que ele é integrado ao transporte público. Por meio de drives que serão instalados nos ônibus, ele acompanhará o horário e caso o ônibus esteja atrasado ele libera a via onde o ônibus passa, evitando com isso atrasos no transporte público que terá prioridade no tráfego.

Outro projeto que estamos em andamento é o da identificação das ruas, que é uma demanda da comunidade e dos turistas, que está em fase de licitação.

Também temos os leilões de veículos, são realizados até quatro leilões por ano, dos veículos que são recolhidos por irregularidades e não são retirados pelos proprietários no prazo previsto.

Outra ação importante são as blitz, que acredito que seja um dos maiores benefícios para a cidade, porque além de tirar os veículos irregulares de circulação, é uma operação complexa onde você consegue identificar pessoas que tenham problema com a justiça, desse modo, as blitz são mais um instrumento de segurança para a população.

100f: Sobre os transportes por aplicativo, como está a relação do Foztrans com eles?

Licério Santos: Hoje a nossa relação com os transportes por aplicativo está tranquila, porque somos a favor das pessoas trabalharem e terem uma renda, nossa única exigência é que se regularizem, que façam sua licença e regularização junto ao Foztrans.

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100f: Como você analisa os novos desafios da sua gestão neste ano?

Licério Santos: Acredito que cada gestor que assume um cargo público, além de cumprir com tudo aquilo que é da sua pasta, é importante deixar sua contribuição para a sociedade.

Nesse sentido, além dos projetos que já citei, também estamos desenvolvendo um projeto para fazer uma macro sinalização das vias públicas, ruas e avenidas da cidade, contemplando inclusive todas as novas obras estruturantes que estão em construção, como a segunda ponte, perimetral leste entre outras.

Também queremos melhorar e ampliar as ciclovias, contemplando os bairros e centro da cidade como por exemplo o projeto que já está em andamento da ciclovia na Av. JK que conectará o centro à região norte, através da ciclovia que está sendo construída na Av. Tancredo Neves. Isso dará a oportunidade para as pessoas utilizarem com segurança o sistema de ciclovias da cidade.

Nesse contexto, o Foztrans tem um papel macro na cidade e tudo o que fazemos interfere na vida das pessoas. Desse modo, buscamos fazer o melhor trabalho, trazendo modernização e facilitando o dia a dia do cidadão.

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Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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