100fronteiras: Quem é Edivaldo Alcântara?

Edivaldo Alcântara: Eu tenho 45 anos e estou em Foz há 40 anos. Moro na invasão do Portal da Foz e pela dificuldade que nós temos com o poder público isso me incentivou a entrar na política. Porque o poder público nunca está a disposição da gente. Eu sou motorista do transporte público, fui cobrador. Também fui presidente do bairro e na última eleição, em 2016, faltando dez dias para acabar eu entrei e fiz mil votos, só com os passageiros do transporte público. E então nesse pleito fomos para as ruas e fui eleito.

100f: Tem alguém da família ligada a vida política?

Edivaldo: Quando eu era pequeno meu pai se candidatou duas vezes, mas não chegou a ser eleito. Meu primo acabou sendo vereador, lá na cidade onde nasci.

100f: Imaginava que seria eleito?

Edivaldo: Foi uma surpresa, porque só estávamos em quatro pessoas para ir para a rua fazer campanha. Não gastamos quase nada. A gente sentia que as pessoas queriam renovação. No Morumbi eu moro há 35 anos e claro que vem a surpresa porque a gente não tinha recursos para gastar, como a maioria dos candidatos. Eu escrevia no papel o número para votar, não tinha santinho. Então da Vila Borges até o Portal da Foz eu terei que representar toda essa região, olha o tamanho da responsabilidade.

Eu fiz voto em todas as áreas da cidade, não apenas na minha região. Os votos foram bem distribuídos e a gente teve tempo de trabalhar. Ia de casa em casa e falava com o eleitor, olho no olho, não ia mandar ninguém falar, eu falava.

E hoje nós estamos voltando nas mesmas casas agradecer os votos. Me surpreende como as pessoas se emocionavam ao me ver voltar, porque não é comum os vereadores fazerem isso.

Então a população tem essa carência de ver as pessoas voltarem, nem que seja para tomar um café e agradecer o voto.

Edivaldo Alcântara vereador de Foz
Edivaldo Alcântara foi eleito vereador de Foz.

100f: Qual o sentimento em ser eleito?

Edivaldo: É muito gostoso. Mas ao mesmo tempo aumenta a responsabilidade, é uma cobrança maior. Vou assumir com muito amor, muito carinho mesmo. Vou dar o máximo de mim. Assim como sou um bom motorista do transporte público eu quero ser um bom vereador na Câmara Municipal.

100f: O que a função do vereador representa para você Edivaldo Alcântara?

Edivaldo: Representa tudo, representa a minha cidade. 296 mil pessoas serão representadas por 15 vereadores. Então você vê o peso que isso tem, para não passar vergonha. Porque os últimos anos foram só vergonha. Tanto que as pessoas falam para eu não fazer o que os outros vereadores para trás fizeram.

É uma grande responsabilidade, porque estão confiando em nós, elas querem mudança e Foz merece o melhor. A cidade arrecada muito dinheiro, o problema é que o dinheiro é mal distribuído. Eu quero fazer diferente, quero trabalhar de verdade.

100f: E qual será a sua postura na Câmara de Vereadores?

Edivaldo: Eu acho que serei combatente. É o meu jeito de ser. Eu já fiz várias paralizações no transporte público, ninguém deu a cara para bater, mas eu sempre dei a cara para bater. As últimas três paralizações quem fez foi eu, sem sindicato, sem nada. Então vai ser difícil? Vai. Mas eu tenho que trabalhar com uma política combatente.

100f: Quais projetos pensa em levar a Câmara de Vereadores?

Edivaldo: Hospital público veterinário. Contrato do transporte público que tem que ser quebrado, porque para nós do transporte não funciona. Tem ainda o plano cicloviário, pois nós andamos de bicicleta na cidade e é difícil.

Áreas de lazer, como na região onde moro que tem a nascente do rio Boicy e nós queremos abraçar essa causa e fazer um Portal das Águas, pois faz 23 que estou morando lá e 23 anos vivem mentindo para nós, que vão revitalizar, que vão tirar as famílias da beira do rio.

Hoje o prefeito tem esse projeto de fazer esse parque ambiental Portal das Águas. Mas para esse projeto andar tem que ter alguém que dê vida a ele, e tem que ser alguém que mora lá e tenha amor pelo bairro. E é eu. E vou brigar muito, pode ter certeza.

Outra questão é o TTU, porque a nossa cidade, do jeito que ela é a nível internacional, não faz sentido ter um terminal para recepcionar nós passageiros com um banheiro todo arrebentado, não ter torneira para tomar água, chover e não ter cobertura para mudar de uma plataforma para outra. Aquilo ali é uma humilhação, principalmente para um cadeirante, uma idosa, gestante, você se molha tudo. Você vai em qualquer cidade grande o terminal é lindo e aqui é um lixo.

100f: Você se sente pronto para assumir essa responsabilidade?

Edivaldo: Se a gente falar que está 100% pronto para a política estamos mentindo. Eu tenho muito o que aprender, não posso falar que sei tudo de política. A partir do dia primeiro de janeiro quando sentar naquela cadeira eu vou saber o peso da responsabilidade que eu tenho pela frente. Porque andei em vários bairros de Foz e vejo a carência do poder público.

100f: Que mensagem gostaria de deixar a população?

Edivaldo: Eu até me arrepio ao falar, mas peço para que acreditem e confiem, porque tem político bom. Então peço para que confiem no meu trabalho, nos meus projetos, porque serei um vereador muito combatente. Vou arrumar briga sim, a política que não tem briga não é política. Então vou brigar sim pelo transporte público. Podem confiar em mim.

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Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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