“Eu me apaixonei por empreender a muito tempo, mas na época não sabia do conceito. No entanto, no momento que descobri que entrega valor através de uma transação ou uma venda percebi que esse era meu chamado e isso eu tô falando desde o tempo que vendia figurinha no recreio do colégio”, relata o empreendedor Marcelo Toledo, que tem uma grande paixão por startups.

Marcelo sempre teve uma paixão muito grande sobre como pessoas e empresas mudam o rumo das coisas e a maneira como a gente vive hoje. Por isso passou a cultivar o hábito de leitura de biografias de empresas, homens e mulheres que deixaram sua marca no mundo. “Empreender pra mim tá relacionado a tudo, decidir por uma carreira até iniciar uma startup, ou seja, tá muito mais ligado a atributos pessoais muito mais do que muitos podem pensar. Empreender requer coragem, proatividade, visão, mas o mais importante sem dúvidas é a disciplina”.

Para explicar o que cerca o mundo do empreendedorismo a 100fronteiras realizou uma entrevista exclusiva com o diretor de Inovação e Negócios do PTI, Rodrigo Régis.

100f: O que são startups?

Rodrigo Régis/PTI: São empresas que oferecem uma solução de um problema real de mercado, com modelo de negócio inovador, podendo ser de base tecnológica ou não, tendo como premissa ser escalável e repetível, mesmo que apresente alto risco de mercado.

100f: O que são incubadoras?

Rodrigo Régis/PTI: Organização que tem como objetivo estimular a criação e/ou o desenvolvimento de pequenas empresas. Orienta e coordena os processos pré-incubação, incubação e norteia as demais ações na fase inicial da vida das empresas. O conceito de incubadora vem daquele que se conhece nas maternidades: a incubadora é a responsável por manter o bebê vivo e auxiliar em seu crescimento ainda que ele nasça debilitado.

100f: O que é investidor anjo?

Rodrigo Régis/PTI: Pessoa física com capital próprio, que investe em empresas nascentes com alto potencial de crescimento, como por exemplo: as startups. Geralmente os valores investidos são entorno de 30mil a 100mil reais.

Rodrigo Régis é formado em engenheira elétrica com ênfase em eletrônica, pela Universidade de Pernambuco. Fez mestrado na área de engenheira de sistemas, também pela Universidade de Pernambuco e tem especialização na área de gestão empresarial pelo PTI. Atualmente está no doutorado pela Unioeste, cursando economia e desenvolvimento regional. (Foto: Divulgação)

100f: Quem pode ter uma startup?

Rodrigo Régis/PTI: Toda pessoa pode ter ou criar uma startup. Porém, em linhas gerais são pessoas com perfil empreendedor arrojado, devido o modelo de negócio ser de alto risco e exigir dedicação intensiva dos proprietários.

100f: Como funciona a incubadora de negócios do PTI – Incubadora Santos Dumont?

Rodrigo Régis/PTI: Atualmente a incubadora está atuando na incubação e também na aceleração de empresas, onde analistas de negócios acompanham e orientam as empresas para sua melhor performance. Implementamos uma metodologia de desenvolvimento de negócios onde transformamos uma ideia em modelo de negócio inovador, através do processo de desenvolvimento baseado em treinamentos, assessoria e mentoria empresarial. A Incubadora Santos Dumont atua de acordo com a metodologia do Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos – CERNE (Estruturando-se para o CERNE III). Hoje também, a Incubadora SD do PTI lançou esse ano vários mecanismos com foco em estimular o empreendedorismo, bem como acelerar o desenvolvimento de produtos e sua escalabilidade no mercado. Não deixe de acompanhar as oportunidades e qualquer um que queira fazer parte de nosso ecossistema poderá participar.

100f: Na sua opinião, Foz pode vir a se tornar um ecossistema de inovação? Por que?

Rodrigo Régis/PTI: Sim. Na verdade já existe um ecossistema de inovação instalado em Foz do Iguaçu e região – Universidades, Empresas Âncoras, Startups, ICTs (PTI, Itaipu) e outros. Porém, necessitamos criar mais sinergias e promover, cada vez mais, o envolvimento da sociedade e da iniciativa privada. Só vamos dar um salto de desenvolvimento com ampliação de startups no momento que as pessoas e a iniciativa privada tenham maior participação e o nosso papel é contribuir na criação desse ambiente, sem se esquecer do papel das políticas públicas na segurança jurídica e na viabilização de negócios através de incentivos e dessa forma atrair mais investimentos para nossa cidade e região. 

“Estamos vivendo uma época incrível na nossa cidade, onde a iniciativa privada, sociedade civil e universidades desenvolveram um ambiente muito propício para empreender em novos negócios. Me arrisco a dizer que Foz do Iguaçu poderá se tornar um polo  internacional para o empreendedorismo”.

Marcelo Toledo

100f: Como o Programa Acelera Foz contribui para esse ecossistema?

Rodrigo Régis/PTI: Primeiro e grande contribuição do Programa Acelera Foz é a união de entidades e organizações de diferentes setores da economia com foco em contribuir na retomada econômica da cidade, mas com foco na diversificação de nossa economia. Para que isso aconteça será necessário muito empenho e esforço de todos com foco no bem estar e o desenvolvimento de nossa cidade. 

O programa se desenvolve por meio da implementação de sete eixos estruturantes: Obras Estruturantes, Plano Estratégico de Marketing para Foz do Iguaçu,  Retomada Econômica do Turismo,  Educação e Qualificação Empreendedora,  Incentivo a Inovação e Atração de Investimentos,  Apoio a Produção e Comercialização e  Políticas Públicas.  As ações estruturadas e coordenadas em torno desses eixos tornam possíveis o alcance dos objetivos estabelecidos para cada eixo. O grande diferencial está na união de esforços das instituições envolvidas e que potencializam a integração necessária para atrair investimentos, fortalecer e diversificar a economia de nossa cidade.

100f: Qual o papel das empresas e dos empreendedores nisso?

Rodrigo Régis/PTI: As empresas tem papel importante no desenvolvimento da economia local por meio da geração de emprego e renda, bem como no fortalecimento do ecossistema, pois desenvolvendo soluções e produtos inovadores, fomentam a cultura da inovação, retêm e atraem talentos, desenvolvem mão-de-obra qualificada e com isso contribuem para tornar a região atrativa para novos investimentos.

“As empresas/empreendedores precisam estar dispostos e ter consistência naquilo que fazem. Saber que nem todo dia vai ter venda, mas se agarrar naquilo que acredita, porque uma hora irá vender. Vai lá e faz e no caminho vai ajustando”, destaca Marcelo.  

Um Bom App é uma forma de evitar o desperdício de comida. (Foto: Divulgação)

Marcelo é um dos responsáveis por criar o Um Bom App, que chegou para revolucionar a forma como as pessoas consomem alimentos.

“Quando aliamos o propósito de lutar contra o desperdício ao negócio, que é o nosso coração, deixamos de vender simplesmente refeições, mas sim criamos um movimento que é construído  e fortalecido todos os dias por estes que eu gosto de chamar de exército contra o desperdício. Temos trabalhado muito, mas muito mesmo, para que esse sonho de criar um sistema mais justo e consciente ganhe mais escala. Nunca trabalhei tanto, mas posso dizer que estou vivendo o sonho da minha vida”.

Agora que você entendeu o que de fato é uma startup, que tal começar a a transformação por um mundo melhor? A sua ideia poder ser a esperança que o mundo necessita.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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