O Diretor-superintendente do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), General Eduardo Garrido, destaca que o PTI, Itaipu Binacional, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Foz do Iguaçu (Codefoz), Prefeitura de Foz, Sebrae, Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI) e Conselho Municipal de Turismo (Comtur) criaram uma coordenação estratégica para a implantação do Programa Acelera Foz, que é parte de um plano de retomada econômica de Foz do Iguaçu, afetada diretamente pela pandemia de covid-19.

General Garrido. (Foto: Kiko Sierich)

A iniciativa, lançada em maio de 2020, foi dividida em sete eixos com o objetivo de potencializar ações integradas e atrair investimentos, visando a tornar Foz do Iguaçu reconhecida como polo de inovação e empreendedorismo, para o fortalecimento e a diversificação da economia da cidade e região.

Segundo ele, o PTI já desenvolveu, das ações que se comprometeu a realizar, três que estão muito ligadas à inovação, que seriam: o Programa Integração Universidade e Empresa, uma maneira para os jovens universitários terem um contato direto com as empresas e com o mercado de trabalho; o Desafio Inova Oeste, uma iniciativa voltada para o desenvolvimento e a implementação de soluções tecnológicas em micros e pequenas empresas e startups, na qual cerca de dez empresas foram escolhidas e só nessa iniciativa serão investidos mais de R$ 1 milhão.

Também selecionaram startups para o Programa Inovação Corporativa, em que, por meio da demanda das empresas de Foz e região, buscam empreendedores para iniciar um processo de incubação na Incubadora Santos Dumont. Com esse programa, 13 novas vagas foram abertas no PTI, e essas empresas vão receber investimentos mensais, mentorias e suportes de todo o ecossistema do PTI Brasil e Fundação Araucária, sendo que mais R$ 850 mil serão investidos nessas startups.

Vista aérea do PTI. (Foto: Kiko Sierich)

Além desses programas de inovação, Foz vem desenvolvendo-se por meio de obras estruturantes lideradas pela Itaipu, que vão consolidar a posição de Foz como um grande hub logístico, o que é muito importante, pois a partir daí demandas surgirão, startups serão criadas, a inovação estará presente, assim como a logística, que é também uma grande vocação de Foz.

Outra iniciativa na cidade que representa a inovação é a criação de uma área de experimentação e teste, onde, por meio de um decreto sandbox da prefeitura, uma parceria entre o PTI, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, a Itaipu e a prefeitura, desenvolveu-se o programa do primeiro bairro público inteligente do Brasil, a Vila A Inteligente, um processo que permite muita inovação.

“Pretendemos, nas próximas semanas, realizar a entrega da primeira etapa de tecnologias e assim proporcionar uma maior e melhor qualidade de vida para a população, não só para o bairro, mas espalhando-se para toda a cidade, ao mesmo tempo que estaremos criando um hub de inovação em cidades inteligentes. Então o programa Vila A inteligente tem tudo para ser referência para as cidades brasileiras e com isso um polo de inovação para Foz. O que queremos como parque tecnológico é estimular a criação de empreendimentos, de negócios e de startups aqui na nossa região. O PTI tem no seu planejamento estratégico uma opção pela inovação aberta, então nosso objetivo é incentivar a inovação, é incentivar o empreendedorismo e com isso contribuir com a diversificação da economia e a atração de investimentos para a nossa cidade”, ressalta o general Garrido.

Rodrigo Régis. (Foto: Kiko Sierich)

O diretor de Negócios e Inovação do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), Rodrigo Régis, destaca que “inovação está diretamente ligada a desenvolvimento de negócio. Quando falamos de inovação no meio empresarial, uma das questões é analisar que condições existem para trabalhar com inovação ali, em que aspecto da inovação estamos falando, se é desenvolvimento de algum produto ou tecnologia. Existem eixos importantes que precisam ser estruturados na cidade, como educação, saúde, qualidade de vida, trânsito, enfim, vários aspectos que fazem de Foz um local com boa qualidade de vida. No entanto, o que falta é a comunidade abraçar a ideia e perceber a importância dos investimentos na cidade, investir em empreendedorismo e ir além do turismo”, explica.

Surgimento da Incubadora Santos Dumont – PTI

Criada em 2006 para gerar fornecedores para a Itaipu e seus parceiros, a Incubadora Santos Dumont tinha a Unioeste e o ITAI (Instituto de Tecnologia Aplicada e Inovação) como grandes aliados nesse período, os quais ajudaram a criar e desenvolver empresas que prestaram bons serviços para a região. “A incubadora cumpria seu papel, ganhou alguns prêmios como referência na geração de novas empresas, mas o tempo foi passando e uma necessidade de reestruturação acabou mostrando-se necessária para acompanhar o desenvolvimento do mercado”, ressalta o ex-gerente (2013-2015) do Programa deDesenvolvimento de Negócios e também da Incubadora Santos Dumont, Hedryk Genson Daijó.

Assim, devido ao surgimento de novas tecnologias, a inovação e o empreendedorismo passaram a ser temas constantes nas discussões. As startups se consolidavam e exigiam uma abordagem mais ágil sob o ponto de vista dos modelos de negócio já existentes e daqueles que ainda poderiam surgir. Alguns processos que antes eram efetivos já não acompanhavam mais a velocidade que o mercado exigia, por isso foi preciso reavaliar o próprio modelo e forma de atuação da Incubadora Santos Dumont.

“Na época participávamos de um edital da Anprotec chamado Cerne, que é uma espécie “Iso” das incubadoras brasileiras, uma certificação de boas práticas. Aproveitamos essa oportunidade e revisamos toda nossa metodologia de atração, criação e desenvolvimento de startups, e criamos o que chamamos de ‘incubaceleração’, que trazia algumas características das incubadoras tradicionais, mas com a agilidade e alinhamento com fundos de investimento das aceleradoras, além de ser gameficado. Essa metodologia virou referência no Brasil”, frisa Daijó.

Ainda de acordo com ele, outra mudança importante foi na estrutura física disponível, onde criaram uma grande área de coworking e um laboratório de prototipagem bem equipado para serem utilizados pelas empresas incubadas. Também conseguiram aumentar a área de atuação abrindo outras duas unidades da Incubadora Santos Dumont, sendo uma na UniAmérica (Foz) e a outra em Marechal Cândido Rondon – esta a primeira unidade do PTI fora da Itaipu, em uma parceria inédita. Por fim, desenvolveram um programa educacional de palestras e workshops oferecidos gratuitamente para instituições de ensino.

É aí que surgem as startups. Régis explica que cada ecossistema tem seu próprio vale da morte – o tempo para a ideia tornar-se um sucesso. Com isso há vários investimentos, e muitos morrem nessa fase. “O sucesso só acontece a partir do momento em que o produto que está no vale, começa a subir, o que significa que ele começou a ser aceito no mercado. Cada cidade e região tem seu próprio vale da morte. E como faz para reduzir esse vale? É nesse contexto que entra o Acelera Foz, como forma de melhorar as condições desse ecossistema em Foz do Iguaçu. E para transformar a ideia em um produto escalável é necessário ter mecanismos, e com isso o Acelera Foz surgiu trazendo oportunidade para receber até 60 ideias empreendedoras e, ao final, selecionar 13 para receber investimentos e assim poder inserir o produto no mercado. Com isso, criam-se as condições, e a curva do vale da morte diminui.”

Outra ação importante é o Programa de Integração Universidade e Empresa. “Essa iniciativa, que também faz parte do Programa Acelera Foz, contribui para diminuir a curva do vale da morte, mas o grande objetivo desse programa é trabalhar a cultura da inovação e aproximar de fato o conhecimento que está na universidade às empresas, mostrar que existe valor na academia e mostrar para a academia que existe valor em resolver as deficiências do mercado, com isso aproximando os estudantes e empresários para resolverem um problema ou uma oportunidade. Assim, esses alunos podem vir a se tornarem empresários, nascendo, consequentemente, uma cultura empreendedora na região”, salienta Régis. 

O que são startups?

São empresas que oferecem uma solução de um problema real de mercado, com modelo de negócio inovador, podendo ser de base tecnológica ou não, tendo como premissa ser escalável e repetível, mesmo que apresente alto risco de mercado.

O que são incubadoras?

Organização que tem como objetivo estimular a criação e/ou o desenvolvimento de pequenas empresas. Orienta e coordena os processos pré-incubação e incubação e norteia as demais ações na fase inicial da vida das empresas. O conceito de incubadora vem daquele que se conhece nas maternidades: a incubadora é a responsável por manter o bebê vivo e auxiliar em seu crescimento ainda que ele nasça debilitado.

A importância do fundo privado para o desenvolvimento tecnológico

Segundo Régis, hoje os investimentos para as ações de inovação acontecem pelo PTI, mas num futuro próximo esses investimentos precisam ser algo que parta da comunidade. Nesse sentido se faz necessária a criação de um fundo privado por meio do qual, via estruturação de um grupo de investidores privados, seja possível investir na aceleração de um produto no mercado.

Apesar de ser uma novidade, o Programa Acelera Foz já está conseguindo cumprir seu objetivo, isso porque a pandemia abriu os olhos da comunidade para as deficiências econômicas. No entanto, a realidade do ecossistema de inovação ainda está distante do ideal, pois esse é um processo que reúne diversos atores e que depende muito do setor privado. “Para se desenvolver o segmento de tecnologia e inovação, não basta só o interesse do governo ou de apenas uma entidade de maneira isolada. É preciso não só entender como funciona o ecossistema de tecnologia como também entender qual o papel de cada um no seu desenvolvimento. Na minha opinião, o que falta para Foz é um conjunto de pessoas líderes, dos mais variados players do ecossistema, engajados de maneira proativa em um projeto em comum”, considera o advogado, mestre em Direito dos Negócios e especialista em Direito das Startups, José Claudio Rorato Filho.

Ele ressalta que um dos principais players a ajudar no desenvolvimento do ecossistema é o do capital inteligente. E para isso é preciso atrair investidores não só com condições financeiras, mas principalmente com rede de relacionamento e expertises necessárias para o desenvolvimento e crescimento dessas startups. “Um primeiro passo para que isso aconteça seria a formação desse grupo de investimento para aproveitar as não raras oportunidades de se investir em startups aqui na região. Existe movimento nesse sentido acontecendo na cidade. Acredito que teremos novidades em breve”, acrescenta Rorato.

Startups incubadas no PTI

Atualmente há 14 startups incubadas no PTI, mas a intenção é chegar ao final de 2020 com 47. Entre elas, uma de inovação corporativa (Linha 01), que está na fase de incubação, e é o “Um Bom App”.

“Um Bom App é um aplicativo que fornece um marketplace e conecta as empresas que têm excedentes de alimentos com o público que querem resgatar esse alimento. Os clientes compram um voucher através do aplicativo no perfil do estabelecimento mais próximo dele, onde estava com comida excedente, com um desconto de até 80% do preço normal, e depois a busca direto das empresas em uma janela horário de coleta predefinida”, informa um dos sócios-fundadores, Marcelo Toledo.

De acordo com ele, a empresa nasceu em julho de 2019, e por nove meses a equipe foi desenhando o negócio e a tecnologia, mas a operação foi iniciada em julho deste ano. Graças ao Programa Acelera Foz, desenvolvido pelo PTI, “Um Bom App” foi uma das empresas selecionadas para fazer parte da incubação do Parque Tecnológico. “Me sinto como se estivesse no próprio Vale do Silício. Contar com o PTI como parceiro estratégico está sendo fundamental para a construção do nosso projeto. Lá temos uma infraestrutura de ponta onde podemos ficar instalados fisicamente, profissionais com muito conhecimento e que têm investido seu tempo e expertise neste projeto. Além disso, contamos com acesso aos melhores treinamentos, mentorias e a todo o ecossistema de inovação presente no parque.”

O “Um Bom App” é um aplicativo que beneficia empresários e consumidores de Foz do Iguaçu. Marcelo explica que o empresário estar inserido no aplicativo resulta em proporcionar ao estabelecimento uma prática sustentável, combatendo o desperdício alimentar. Além disso, gera uma nova receita em um alimento que talvez teria como destino o descarte, sem contar que atrai novos clientes ao estabelecimento. Já para os consumidores, os principais benefícios estão em comprar alimentos com um desconto de 50% a 80%; conhecer novos estabelecimentos; ajudar empresários da região; e inserir-se em um ato sustentável, ajudando na luta contra o desperdício alimentar.

“Quando falamos de empreender, falamos de uma série de atributos como: disciplina, confiança, determinação, consistência, e não necessariamente de abrir uma empresa. Por isso que eu responderia como fundamental para qualquer pessoa que queira alcançar algo, seja um negócio, um projeto pessoal, uma faculdade, enfim, qualquer coisa, certamente ela(e) terá sucesso se aplicar esses valores em sua jornada”, diz o empreendedor.

Outra empresa instalada na Incubadora Santos Dumont, do PTI, é a AIS – Ambientes Virtuais, uma startup de inovação corporativa (Linha 02) que está na fase de aceleração. “A AIS é uma fábrica de softwares para indústria, que otimiza a performance de técnicos e engenheiros com a virtualização”, conta o diretor da AIS, Yuri Sefrin.

A empresa iniciou seus trabalhos há seis anos, nascendo nos corredores do parque em 2014, quando os sócios transformaram a pesquisa em empreendimento por meio do processo de incubação de negócios da Incubadora Santos Dumont. Os sócios-fundadores estudavam engenharia e computação na Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), que está instalada no território da Itaipu Binacional. Além de estudantes, eles também trabalhavam pesquisando nos laboratórios dentro do PTI. “Os laboratórios são fruto desta proximidade da universidade com o ambiente industrial que o PTI propiciou”, complementa.

De acordo com Yuri, a AIS desenvolveu diversas soluções para Foz do Iguaçu, principalmente no setor de turismo. “Aliamos a capacidade de desenvolvimento com nosso corpo técnico de engenheiros e inovamos com o desenvolvimento de um Gêmeo Digital (Digital Twin) para o monitoramento da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que consiste em um novo sistema para otimizar a função dos engenheiros”, cita.

Atualmente a empresa está em processo de aceleração, que é quando ela se encaminha para tornar-se independente do Parque Tecnológico. Para isso apresentaram uma proposta inovadora que foi aprovada em primeiro lugar. Agora essa oportunidade de aceleração junto ao PTI estrutura ainda mais a operação da AIS alavancando o crescimento da empresa. “A AIS – Ambientes Virtuais desenvolveu dezenas de softwares de alta tecnologia, para alcançar a posição de referência em desenvolvimento para indústrias, que hoje ocupa. Desde o início da empresa possuímos diferenciais tecnológicos comparados com a concorrência. Utilizamos a programação e engenharia, aliado ao uso de modelos 3D ultrarrealistas, para criar os melhores produtos”, ressalta.

Para Yuri, empreender é uma função de encontrar as necessidades da sociedade e transformá-las em soluções inovadoras, gerando novos empregos e oportunidades para o ecossistema. “Atualmente a riqueza de nossa região é majoritariamente proveniente da agricultura e avicultura, porém o futuro do trabalho será muito diferente do que é hoje, já que cada vez mais novas tecnologias são empregadas no dia a dia de todos os trabalhadores. Empenhados em uma diversificação das fontes de riqueza de nossa região, vemos tamanha importância em empreender na área de tecnologia”, finaliza.

Cases de sucesso

No Brasil há diversos ecossistemas de inovação. Entre eles, destacam-se o Porto Digital, de Recife, e a capital de Santa Catarina, Florianópolis. A 100fronteiras contatou o presidente do Porto Digital e da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia) para comentar sobre como funcionam esses parques tecnológicos.

Porto Digital

De acordo com o presidente-executivo do Porto Digital, Pierre Lucena, atualmente existem 339 empresas instaladas no Porto Digital, as quais empregam mais de 11.600 pessoas, sendo que ainda há 1.500 vagas em aberto. Hoje, o Porto Digital é o terceiro setor que mais gera economia para Recife, superando a área de educação, com R$ 2,35 bilhões em faturamento anual. O Porto Digital é uma entidade privada, uma organização social que tem por objetivo gerar uma política pública de redução de impostos para as empresas se instalarem em Recife.

“O parque tecnológico em si surge de uma estratégia basicamente de pessoas. Só é possível fazer um parque tecnológico se você tem boa base de capital humano na área de tecnologia. Não precisa ser necessariamente de computação, mas no caso do Porto Digital é um parque baseado em software e serviços de tecnologia. Nascemos com o objetivo de dispor de um lugar para que os estudantes que se formassem em Recife tivessem onde trabalhar”, informa Pierre.

Paralelamente a isso, o Porto Digital também nasceu com a proposta de recuperar o centro histórico de Recife. Assim, em 2000, quando ele foi criado, a cidade abraçou a ideia. “Isso mexe com a cultura da cidade. Cria uma atmosfera de tecnologia”, comenta.

Segundo Pierre, a formação de um ecossistema começa pelas universidades, setor público, empresas e empresários, colaboradores, instituto de ciência e tecnologia, incubadoras e aceleradas, enfim, um conjunto de atores. Hoje, o Porto Digital é o maior parque tecnológico do Brasil. Pierre acredita que “isso só foi possível porque Recife tem capital humano para isso. Recife é a cidade brasileira com o maior número de estudantes de tecnologia, sendo um a cada 346 habitantes. Isso é o que faz diferença aqui, e a luta é para que se tenha mais”.

O presidente ressalta ainda que 100% dos celulares do Brasil têm alguma tecnologia do Porto Digital embarcada. E todo esse sucesso em 20 anos de atuação se dá porque o ecossistema formado por diversos atores da sociedade abraçou a ideia em conjunto, valorizando a importância do investimento em tecnologia. “É importante que o parque tecnológico não seja público, ele precisa ser de interesse público, mas privado. Não há como gerir um parque dentro de uma lógica pública. Precisa ser um projeto de Estado, não de governo. Inovação é basicamente um projeto de setor privado. O governo é importante no momento que fomenta capital humano e ciência da tecnologia. Um hub de inovação precisa de pessoas, negócios e espaço físico. E isso tudo nós temos aqui em Recife.”  

Com vasta experiência na área, Pierre explica que ecossistemas de inovação podem surgir por meio de um processo natural. No entanto, é possível que cidades adotem essa prática, desde que encontrem a sua alma, pois não existe uma fórmula pronta para criar um ecossistema de inovação; cada lugar tem sua particularidade. “Qualquer cidade deve se preocupar com o setor de serviços, porque o presente e o futuro estão na tecnologia, e isso muda a cara de uma cidade. Hoje qualquer empresa precisa ter uma base digital. É muito importante ter ambientes de inovação porque a cidade precisa se preparar para o futuro, e isso mexe com a vida das pessoas. As cidades ainda não são tão digitais, mas as pessoas são. Então, para as cidades que desejam investir em parques tecnológicos, eu sugiro que busquem por projetos consistentes que mudem a vida das pessoas em curto prazo. É preciso que a comunidade abrace a causa, e isso vem normalmente com muito resultado. Mas não adianta copiar exemplos de outros lugares, é preciso encontrar a sua própria alma”, finaliza.

No final de 2018, o professor Pierre Lucena assumiu a presidência do Porto Digital, escolhido pelo Conselho de Administração do parque tecnológico em agosto. Ele tem 47 anos e é professor de Finanças da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Pierre fez graduação e mestrado na UFPE, onde foi coordenador do curso de Administração, além de ser doutor em Administração/Finanças pela PUC-RJ. É autor de vários trabalhos publicados na área de finanças, no Brasil e no exterior.

Acate

A cidade de Florianópolis, desde a década de 1990, vem destacando-se com o surgimento de ambientes para as empresas de tecnologia e inovação estarem próximas à universidade. Isso permitiu o desenvolvimento de um polo de tecnologia. Há dois anos foi estabelecida uma parceria entre a Prefeitura de Florianópolis e a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), por meio da qual se criou a Rede de Inovação, uma iniciativa pioneira no país com quatro centros de inovação credenciados com o objetivo de estimular a cultura de inovação e empreendedorismo, ativar o ecossistema de inovação, gerar e escalar negócios inovadores no município de Florianópolis.

“A Acate representa os interesses do setor tecnológico catarinense desde 1986. Suas ações buscam aumentar o reconhecimento dessa indústria no estado, país e também internacionalmente. A Acate lidera inúmeras ações de incentivo ao ecossistema de inovação e tecnologia por meio de seus programas, ações e parcerias com o setor privado e público. Também possui uma série de programas estratégicos para o desenvolvimento do ecossistema de inovação e tecnologia”, destaca o vice-presidente da Acate em entrevista à 100fronteiras, Arthur Nunes.

Ele explica que quando existe um ecossistema de empreendedorismo e inovação, toda a cidade é beneficiada. “Florianópolis foi eleita recentemente como a segunda cidade mais inteligente do país, em grande parte por conta dessa atmosfera que facilita o empreendedorismo, criação de negócios inovadores, parcerias entre poder público, sociedade civil e iniciativa privada, que se refletem em mais serviços para a população.”

Tudo isso se reflete em números expressivos. Segundo os dados do Tech Report 2020, estudo realizado pelo Observatório da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) e pela Neoway, com apoio do Finep, a região da Grande Florianópolis conta com 3,9 mil empresas no setor – crescimento de 7,7% em relação a 2018 e de 11,8% em relação a 2015. Essas empresas possuem um faturamento de R$ 9,9 bilhões. Além disso, Florianópolis é destaque nacional como a cidade com maior densidade de empresas por mil habitantes do país (cinco empresas para cada mil habitantes), na frente de São Paulo.

“Florianópolis atingiu um patamar onde a maior arrecadação do município é a tecnologia. Talvez muitas pessoas de fora sempre tenham associado Florianópolis ao turismo, mas hoje na verdade a tecnologia chega a arrecadar pra cidade cinco vezes mais que o turismo, e isso se traduz em qualidade de vida, em melhores escolas, melhor saúde, porque o dinheiro dessas empresas ajuda para que a gente tenha uma qualidade de vida muito boa aqui. E se for ver entre as capitais, Florianópolis tem a melhor saúde e a melhor educação. E é tudo isso que forma o ecossistema, com a junção de vários atores que ajudam esse ecossistema ser mais rico, mais pujante e ter cada vez mais empresas, com jovens que cada vez mais se interessem por abrir uma empresa e trabalhar com tecnologia. Queremos cada vez mais transformar a nossa cidade, que hoje já é uma referência nacional em tecnologia, e assim também colocar Florianópolis como referência no mundo”, ressalta Daniel dos Santos Leipnitiz, ex-presidente da Acate e que hoje ocupa um cargo no Conselho.

Arthur Nunes atua na indústria criativa a mais de 20 anos, co-roteirista e diretor do primeiro filme de animação brasileiro de stop motion, “Minhocas”, e durante 14 anos como produtor de animação AnimaKing, onde dividiu fui produtor executivo e diretor de animação. Trabalhou na criação e direção da animação “Bubu e os Corujinhas” para o Disney Channel Brasil e América Latina e outros 60 países. Arthur foi diretor da vertical Economia Criativa durante cinco anos na Acate onde atualmente é vice-presidente de Ecossistema na gestão 2020/2022. 

O presente e futuro está na inovação

Hoje todo mundo concorda que a inovação faz parte do dia a dia das pessoas e empresas. No entanto, entre concordar e de fato ver acontecer essa realidade na prática, há um grande abismo. Quem trabalha com tecnologia sabe da importância dela para qualquer coisa no nosso dia a dia, porém mudar a realidade de uma cidade que hoje é norteada pelo turismo não é tarefa fácil.

“Todas as empresas, mesmo as mais tradicionais, precisam inovar o tempo todo, e é um equívoco pensar que inovação serve apenas para empresas de tecnologia. O processo de inovação é simples: primeiro você estuda e observa o ambiente que está inserido. Isso te possibilita ter novas ideias sobre seu negócio e como ele pode funcionar melhor. Na sequência é importante tirar essa ideia do papel e experimentá-la na prática, e caso ela comprove-se efetiva e gere resultado positivo, tem-se então a inovação propriamente dita. Dito isso, é importante investir nas pessoas, na educação e no conhecimento. No caso específico de empresas de tecnologia ou que atuam em áreas consideradas mais inovadoras, Foz apresenta boas características mesmo estando fora do eixo tradicional de negócios. Não acho que seremos o novo Vale do Silício, e é uma enganação pensar nessa possibilidade, mas podemos ser referência em tecnologias voltadas para o turismo, energia e logística. O envolvimento da iniciativa privada, instituições de ensino superior e governo pode fazer a diferença”, frisa o ex-gerente do Programa de Desenvolvimento de Negócios e da Incubadora Santos Dumont, Hedryk Genson Daijó.

Players de Turismo em Foz

Foz do Iguaçu ainda é uma cidade economicamente dependente do turismo. Para isso, empresários que acreditam no potencial de Foz investem em tecnologia para oferecer cada vez mais soluções inovadoras aos turistas. Um exemplo disso é o Go Iguassu. Trata-se de um programa de afiliados, no qual qualquer pessoa em Foz do Iguaçu pode revender ingressos e qualquer um pode comprar o ingresso. Quem comprar usando o código ou estiver no site da pessoa, essa pessoa que revendeu ganha comissões de todos os ingressos vendidos ali. Com isso, cria-se uma rede de pessoas que divulgam o destino para os turistas e lucram com as vendas de ingressos. Um negócio fácil, prático e rápido.

“Estamos abrindo para todos os parceiros, taxistas, motoristas de aplicativos, guias de turismo, hotelaria, gastronomia, enfim, todo mundo pode aderir e revender. É um projeto diferenciado que estávamos buscando e também algo inovador que não tinha em Foz nesse modelo. É um produto on-line e presencial, mas o presencial foi algo que deu um trabalho, pois precisamos reformular um processo que os atrativos não têm. Queremos entregar ao máximo para ser tudo on-line pro turista, para que ele possa receber um voucher pelo celular. Enfim, facilita para todo mundo, mas ainda é um processo, os atrativos ainda estão se adaptando a isso, para que haja também um QR code e o turista não fique perdendo tempo em filas”, informa o empresário e criador do Go Iguassu, Mauro Sebastiany (www.goiguassu.com.br).

Outro exemplo vem da Loumar Turismo, uma agência de turismo receptivo iguaçuense que em meio à pandemia criou um projeto inovador, a Live Commerce, um programa no estilo “compre agora” que apresentou Foz do Iguaçu de forma inédita. “Decididos a posicionar Foz do Iguaçu como uma das melhores opções de destino para se viajar após a quarentena, a agência Loumar Turismo convocou fornecedores, prestadores de serviços, funcionários e moradores da cidade para juntos empreender um feito inédito para o setor de turismo do Brasil: realizar a primeira Live Commerce de serviços relacionados a turismo”, revela o CEO da Loumar, Marcelo Valente.

A Live Commerce é um serviço de vendas que combina o poder do streaming de vídeo aos benefícios de interagir em tempo real com o vendedor, geralmente utilizando para o papel do vendedor influenciadores digitais ou personalidades da mídia, com o intuito de gerar vendas imediatas. Os espectadores puderam comprar por meio de códigos QR disponibilizados na tela durante um período específico. Os descontos exclusivos alcançaram até 70%.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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2 Comentários

  1. Essa gente não conhece a realidade de Foz do Iguaçu. Falar até papagaio fala, quero ver investimento e ação e não papo furado sobre meio ambiente e ecologia. Rir para não chorar.

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