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Infectologista orienta voluntários interessados em ajudar idosos durante a quarentena

“A primeira regra é que não apresentem nenhum sintoma de gripe”, alerta Flávia Trench, professora assistente do curso de Medicina da Unila

A preocupação com a saúde dos idosos tem mobilizado voluntários diante dos desafios que esta parcela da população deverá enfrentar ao longo da quarentena imposta para conter o avanço do coronavírus no país.

Em Foz do Iguaçu, jovens têm utilizado as redes sociais para manifestar interesse em realizar afazeres domésticos às pessoas com mais de 60 anos, considerados pela Organização Mundial da Saúde como integrantes do grupo de risco da Covd-19.

 “Moro em Foz do Iguaçu. Caso você tenha mais que 60 anos, me disponibilizo uma vez por semana, ou quando precisar, a fazer suas compras no supermercado. Farei com imenso prazer e nada será cobrado por isso, é só fazer uma lista do que precisar e eu busco, assim como remédios. Não saia de casa! Em hipótese alguma!”, publicou a advogada Junaiine Wenny em sua página no Facebook.

Para a infectologista Flávia Trench, professora assistente do curso de Medicina da Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA), o gesto de solidariedade é válido, entretanto, deve ser acompanhado de um forte senso de responsabilidade.

“É importante destacar que este voluntário não deve apresentar nenhum sintoma de gripe. O passo seguinte é acertar com o idoso assistido todos os detalhes sobre a demanda. Seja uma compra no mercado, na farmácia ou o pagamento de uma conta, tudo deve ser acertado com antecedência para que o distanciamento mínimo de dois metros seja resguardado. Isso exige muita responsabilidade”, alertou a infectologista.

A profissional orienta os voluntários para que levem consigo frascos de álcool em gel para constante higienização das mãos. “É um excesso recomendável. Não podemos esquecer que estas pessoas irão tocar nos produtos, sacolas e caixas que entrarão nas casas dos idosos. Tudo deve ser minimamente higienizado. Essa orientação não está escrita em lugar nenhum, é bom senso. Se tivermos de pecar, que seja pelo excesso de cuidado”, pontua.

Uma das principais razões para os idosos fazerem parte do grupo de risco do coronavírus é o sistema imunológico. Diferentemente do que ocorre entre os jovens, os idosos enfrentam uma resposta mais frágil aos fatores externos. Assim, quando um idoso adoece, mesmo quando ele se recupera da doença, pode sofrer alguma alteração no organismo. O segundo fator é a presença de várias doenças simultâneas, o que o deixa mais vulnerável ao desenvolvimento de um quadro severo.

Responsável por coordenar a Vigilância Epidemiológica em Foz do Iguaçu, o enfermeiro Roberto Valiente Doldan elogia o gesto de quem se propõem a ajudar, mas reforça a necessidade de atenção para que o assistido não termine contagiado. “Esse é o momento de solidariedade, não apenas dos jovens, mas de toda a sociedade. É fato que muitas pessoas irão adoecer e apenas os profissionais de Saúde não darão conta do cenário que está por vir. É muito importante que as pessoas se mobilizam em torno dos cuidados com nossos idosos. Mas devemos ter os devidos cuidados para não levar a doença até eles”, defendeu o enfermeiro.

Bruno Soares – reportagem

Como o coronavírus é transmitido?

A incubação do coronavírus é de 2 a 14 dias, e sua transmissão ocorre principalmente durante os sintomas.

O número reprodutivo do coronavírus é 2,75, ou seja, uma pessoa contamina entre 2 e 3 pessoas (enquanto o da gripe comum é 1,3 e o do H1N1 é 1,5);

A transmissão ocorre principalmente por via respiratória, pelo ar, através de gotículas e também por contato (pelas gotículas depositadas sobre os objetos e roupas etc).

A transmissão também pode acontecer ao cumprimentar alguém muito de perto, seja apertando as mãos, beijando o rosto, abraçando etc.

Por isso, neste momento, evite essas práticas e apenas cumprimente as pessoas de longe. Ah, e se alguém te achar antipático, aproveite e explique o que você aprendeu por aqui! Quanto mais gente tiver informações confiáveis como essas, melhor!

Como posso prevenir o contágio de coronavírus?

A transmissão do coronavírus ocorre pelo contato com secreções de boca e nariz.

Por isso, devemos usar medidas de etiqueta respiratória, como:

Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, com frequência, e quando não for possível, limpar e higienizar as mãos com álcool gel 70%;

Ao tossir ou espirrar, cobrir a boca e o nariz com o braço, usando a dobra do cotovelo – nunca utilizar as mãos;

Evitar encostar as mãos não lavadas nos olhos, boca ou nariz;

Usar lenços descartáveis e jogá-los no lixo logo após o uso.

Quais os sintomas?

Aproximadamente 80% dos casos apresentam sintomas leves, similares a uma gripe, como coriza, febre, tosse. Alguns podem apresentar também congestão nasal, mal estar, dores no corpo, dor de garganta, dor no peito e dificuldade para respirar.

Nos casos leves, o tratamento sintomático e repouso são suficientes para a completa recuperação sem sequelas.

Entretanto, algumas pessoas podem apresentar sintomas mais graves e necessitar de atendimento médico, internação e cuidados intensivos.

Sinais de alarme

Febre persistente por mais de 48h; Falta de ar; Esforço para respirar; Pele pálida ou azulada; Náuseas e vômitos; Idade acima de 80 anos; Criança muito sonolenta.

Atenção: pacientes com doenças crônicas como pressão alta, diabetes, doença pulmonar, renal, insuficiência cardíaca, arritmia, transplantados, imunossuprimidos e oncológicos têm maior chance de ter um quadro mais grave. Por isso, devem procurar avaliação médica frente a qualquer dúvida ou sintomas diferentes.

(Com informações CoronaBR)

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