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Matéria publicada originalmente na edição de janeiro de 2014 da Revista 100fronteiras. 

Falar de Conscienciologia sem citar a história de Waldo Vieira é algo impensável. A Ciência da Consciência, proposta em 1981 pelo médico pesquisador, tem como objetivo o estudo da consciência de uma pessoa.

Sempre de branco, Waldo era visto, por quem não o conhece, como uma pessoa fechada e praticamente inacessível. Contudo, realizar a entrevista com essa “mente brilhante” foi uma tarefa simples, vendo-o como um personagem.

Brincalhão e bem humorado, contou sobre sua trajetória, que começa com projeções conscientes (experiências fora do corpo) na infância. O difícil mesmo foi seguir a linha de raciocínio do homem que está com a cabeça sempre no amanhã, criando novos verbetes de enciclopédia e dicionário, muitos dos quais nunca ouvi falar.

Essa personalidade singular nasceu no dia 12 de abril de 1932, em Monte Carmelo, Minas Gerais. Formou-se em Medicina e Odontologia, e concluiu a pós-graduação em Plástica e Cosmética em Tóquio, Japão.

Waldo instalou, no dia 15 de julho de 1995, o Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC), em Foz do Iguaçu.

De uma maneira descontraída, o professor nos apresentou os passos para chegar às suas conquistas e compreender a importância de Foz do Iguaçu em sua jornada.

100F: O que diria a uma pessoa que está ouvindo falar pela primeira vez sobre a Conscienciologia?

Waldo Vieira: A primeira questão é: o que você pretende na vida? Se a resposta for que a pessoa está envolvida com uma seita, uma religião, então, ela deve ficar por lá mesmo. Aqui o processo é de ciência e o negócio é de auto discernimento. Não cogitamos defender nada. Outra coisa: não pretendo persuadir ou convencer ninguém. Eu informo, dou a notícia, se quiser saber mais, fica, se não quiser, vai. Não temos interesse nenhum em convencer os outros. Por isso, temos o princípio da descrença, que enfatiza a necessidade de se ter as próprias experiências, constatar, refletir, e junto com isso aparecem outras práticas. Achamos que a base da vida é a chamada verbação: primeiro você faz, depois você fala. Falar só, não resolve nada, é conversa fiada. Aqui se fala muito, se escreve muito, mas não se procura convencer ninguém. Procuramos, isso sim, dar o exemplo. E só aqui na Cognópolis, o bairro que estamos criando, temos 10 condomínios. Também temos 20 instituições conscienciocêntricas, que são aquelas que atuam com pesquisa e ensino da Conscienciologia. E mais 10 estão a caminho.

100f: Como Waldo Vieira se apresentaria para alguém?

Waldo Vieira: Pessoalmente me apresento como sendo um bufão. Bufão do rei é aquele que fala a verdade. Sou o clown, o palhaço da corte, faço piada, fala palavra de impacto no processo da comunicação. Você vê que tenho facilidade de expor as coisas e dizer tudo. Fui convidado quatro vezes na minha vida desde quando tinha 34 anos até há pouco tempo, quando tinha mais de 70 para ser ator. Três vezes era em Hollywood e outra em Miami. Convite feito a mim devido ao meu “tipo”. Eu criei um tipo, mas foi tudo estudado com técnicos em Hollywood. Então, isso de ter barba branca, roupa branca, foi tudo de caso pensado. Porque com isso, a pessoa me vê uma vez e não esquece mais de mim, pois sou diferente. Agora, por exemplo, nessa época, sou o Papai Noel. Eu vou ao shopping, a meninada toda vêm atrás de mim, eles pensam que eu estou de férias (risos). Esse processo de atuar, interpretar, eu tenho facilidade para isso. Mas agora não dá para eu ser artista. Arte é besteira, o negócio é ciência. Arte é um processo instintual, poder de bicho, animal. É aquilo que nós chamamos de pré-humano. Nós temos que andar para o discernimento, a lógica, a racionalidade, isso é ciência. Tudo meu é preto no branco, baseado em fatos. Não forçamos a barra com ninguém. O processo do princípio da descrença que é o mais sério, você não vai ver isso em universidade nenhuma. Dá até medo quando se fala nesse princípio, mas ele é a motivação da maioria das pessoas que vem para cá. Não fazemos a cabeça de ninguém, não nos interessa isso. É a pessoa que vai decidir por ela, e damos as técnicas, o modo de ser, a maneira de fazer. Isso, sim, nós expomos.

100f: Com grandes cidades no Brasil e, até mesmo, no exterior, por que trazer o CEAEC para Foz do Iguaçu, uma cidade do interior do Paraná?

Waldo Vieira: Pensei muito nisso, viajei muito de 1966 até 1995. Mas já conhecia aqui, porque trabalhei lá em Uberaba durante 18 anos na Universidade. Lá fui secretário de uma faculdade durante nove anos. Trabalhei na administração da faculdade de medicina. Foi nessa época que trabalhei com Mário Palmério, que foi deputado federal três vezes. As vezes, tinha de sair de Uberaba e levar documento para ele assinar, das escolas, lá em Assunção – PY, isso era na época do Stroessner, o maior ditador do Paraguai. íamos de avião e, quando passava por aqui, eu via essa área toda. Até estive aqui em 1958, quando o JK inaugurou o Hotel das Cataratas. Com o passar do tempo, pensei: “agora tenho de arranjar um lugar para ir”. Isso, já na década de 90. Então examinei tudo, no Brasil, no exterior, rodei muitos lugares, estive muitas vezes fora do Brasil, fiz curso no Japão, em Hollywood, visitei vários lugares e aquilo que eu achava mais importante na época. Mas, vi que, talvez, o melhor lugar seria no Paraná mesmo, em Foz. Aqui já tínhamos duas moças que trabalhavam conosco na questão da Conscienciologia. E aqui em Foz havia a facilidade de comprar o que precisávamos, principalmente computador. Quando tivemos uma reunião para que fosse decidido o que iríamos fazer, cheguei e falei: “tem uma pessoa que está oferecendo uma pequena chácara em Foz. O negócio é vocês saírem daqui agora e irem lá para ver”. Foi então que os voluntários vieram para cá, e em 1995 demos início ao processo de instalação do Centro. A moça, primeiro deu o terreno para gente, depois o irmão dela quis dinheiro e então pagamos. A partir daí, começamos a comprar todos os terrenos no entorno, vi que era o melhor lugar. Outro aspecto importante é que aqui existem os sete tipos de energia básica, desde a energia telúrica ou geoenergia à hidroenergia, com isso começamos a fazer os laboratórios. Quando chegou o ano 2000, deixei de viajar e vim para cá, com o objetivo de impulsionar o trabalho. Quando vinha, ficava sempre no Hotel das Cataratas, no Internacional, no Carimã, para ver como era. Até o dia que fiz a nossa casa definitiva, que é essa casinha que tem aqui no campus do CEAEC. É semelhante à casa do Tarzan, no meio do mato, cheio de árvores frutíferas em volta e muitos animais, eu gosto disso, de ser igual ao Tarzan (risos), por causa da energia.

100f: Vemos que muitos condomínios estão se formando ao redor da instituição, por quê?

Waldo Vieira: A formação de condomínios era inevitável. Começamos a comprar os terrenos e eu falei pra todo mundo: “compra que isso aqui vai valorizar. E a cidade vai crescer para cá”. Foi batata. Falei isso em 1995, alguns compraram e ficaram cheios do dinheiro. Por isso, aqui tem gente que tem dinheiro, não é só pobretão, não (risos). Isso ajuda a sustentarmos o processo da expansão. Mas ainda tem muita coisa aqui para ser feita. Desde que vim para cá, disse que ajudaríamos todo mundo que mexesse com educação. Sem educação, nenhum país, nenhuma comunidade, pode se desenvolver. A base é a educação, depois vem a saúde. É possível uma coisa mover a outra. Acreditando nisso, comecei a me mexer nesse sentido. Um dos prefeitos, quando vim para cá em 95, tirou até foto e fez uma entrevista comigo. Ele não acreditou em nada do que falei, porque uma das perguntas foi a seguinte: “o que o senhor pretende fazer aqui?” Respondi: “eu e meus amigos, que são voluntários, pretendemos aplicar, de início, comprando terra e fazendo concessões, algo em torno de 13,5 milhões de dólares”. Eles acharam que, pelo meu jeito despojado, eu era um visionário. E com o passar do tempo esse, que não acreditou naquilo, depois declarou publicamente: “tudo que o Waldo falou, está sendo feito pouco a pouco”. Foi então que melhorou a minha imagem social. O que eu vejo é que aqui tem muito futuro, muita chance. Não só pelas Cataratas, existem outras fontes de crescimento. A turma da UNILA veio para cá e já aumentaram as faculdades. Quando veio uma faculdade maior, que é a Uniamérica, tiveram um problema, entrei lá para ajudar. Como tinha experiência com criação de faculdade e universidade, pudemos resolver. Isso foi em 2003. Então eles deslancharam e, hoje, tem gente nossa tomando conta da Uniamérica para ver para onde vamos caminhar. o ideal, para mim, é fazer a universidade aberta e gratuita. quer dizer, a pretensão é grande, mas dá, as coisas estão começando a se delinear. Porém, o principal projeto de educação é o Megacentro Cultural Holeteca. Ele é um conjunto de coleções, do ponto de vista pedagógico, didático, para ensinar as pessoas. isso já está bem encaminhado. E, outra estrutura que precisávamos era o hotel, que está sendo feito em conjunto com o Mabu. ele terá cinco andares, mais de 100 leitos, tudo arrumadinho. Isso vai ajudar a receber o povo aqui, porque é muita gente que vem. Existem muitos hotéis em Foz mas, mesmo assim, não atendem integralmente à demanda. O segundo polo turístico do Brasil, principalmente no que diz respeito à procura dos estrangeiros, é aqui. Primeiro é o Rio de Janeiro, depois aqui. Então, estamos caminhando junto com o turismo para ver se ampliamos o processo de educação local. A cidade era do interior, só havia lavrador e agricultor. com a Itaipu, começou a melhorar, mas tem a educação que ainda precisa ser bem trabalhada.

100f: No CEAEC, vocês trabalham com o “princípio da descrença”, que se norteia pela frase “não acredite em nada. Nem mesmo, no que lhe informam aqui. Experimente. Tenha suas vivências pessoais.” As pessoas que vem até aqui já chegam seguindo essa proposição?

Waldo Vieira: A maioria procura vivenciar isso. Porque a base de tudo, é a descrenciologia, se a pessoa crê em alguma coisa ela já vem com a ideia fixada. A crença é uma lavagem cerebral, então não adianta falar nada com ela, perde-se tempo com isso.

100f: Para a Conscienciologia, quando a pessoa morre o que acontece com a consciência dela?

Waldo Vieira: Fica no psicossoma, que é outro corpo que possuímos, mais sutil. Quando, em vida mesmo, temos uma experiência fora do corpo, é a mesma coisa. Você vai evoluindo com o tempo. Há uma escala evolutiva, vai chegar um tempo em que você também joga fora o psicossoma e fica como um centro, um foco, uma bola de energia, isso que chamamos de Consciência Livre, ou Consciex Livre. Eu, por exemplo, tenho contato com essas consciências, mesmo nesta condição humana. Isso me ajuda muito a delinear as coisas, fazer os programas, os livros, as teses que eu defendo e as definições que eu dou. Os princípios que estabelecemos são para poder cultivar o processo da ideia lúcida, a pessoa tem de fazer a experiência por ela própria. No princípio da descrença a gente destaca o seguinte: não acredite em nada, nem em ninguém. Nem no que estou falando, faça a experiência e aí você comprova ou não. Ou pega ou larga, ou você me dá o contra ou vai admitir. É preciso crescer com isso.

PSICOSSOMA (Grego: psyckhé, alma; soma, cor po) – Paracorpo emocional da consciência; o corpo objetivo, extrafisico, da conscin.

CONSCIEX (consci+ ex) – Consciência extrafisica; o paracidadão ou paracidada da Sociex. Sinónimos envilecidos pelo uso: desencarnado, espírito.

100f: Como é possível fazer essas experiências que sugeriu?

Waldo Vieira: Através de tudo que nós temos: laboratórios, cursos, eventos, os livros e por aí vai. É o processo que chamo de teaticidade, a parte teática, teoria mais prática. É necessário conhecer, saber o conceito. Mas, o mais importante, é você vivenciar. É o que fazemos aqui. E tudo que fazemos é “preto no branco”. Você é quem tem que decidir as coisas. Não fazemos lavagem cerebral em ninguém, apenas discutimos. Por isso, existe o Tertuliarium, que é o salão de debate. A pessoa vai lá e debate, o problema é dela, vamos discutir o assunto, vamos ver do que se trata. Porém, não há briga, nunca houve um tapa na cara, não precisou disso. Embora as discussões, às vezes, sejam um pouco acirradas, pois recebemos gente de todo tipo.

100f: Vocês estão produzindo a “Enciclopédia da Conscienciologia”?

Waldo Vieira: Pois é, a Enciclopédia hoje já tem 13 mil páginas. Para você ter uma ideia, são mais de 320 enciclopedistas que, na prática, são aqueles que redigiram e defenderam verbete no Tertuliarium. Sou o 321°, tem mais 320 comigo. Mas não é só gente de Foz, há pessoas do exterior também.

100f: Ouvimos falar sobre pessoas que sentem a energia de outras, seja ela positiva ou negativa. Isso realmente existe?

Waldo Vieira: Isso aí é uma solução da Conscienciologia que falta na ciência convencional.

100f: Mas são todas as pessoas que conseguem sentir?

Waldo Vieira: O percentual de sensibilidade varia conforme a pessoa. Existem algumas que já são mais sensitivas, outras precisam alcançar isso. Fazer curso, ler livro, ter orientação, são algumas maneiras de desenvolvimento. Esse é o ponto que me dá segurança perante tudo que faço, porque a pessoa, constatando esses fatos por si mesma, vai ter confiança no que se faz aqui.

100f: A sua história com as questões da consciência começaram desde quando o senhor era pequeno, não é mesmo? Em uma entrevista, vi que o senhor contou sobre quando tinha nove anos, que acompanhou um atendimento feito ao seu irmão, que tinha um problema de saúde. Gostaria que contasse um pouco sobre essa experiência.

Waldo Vieira: Aos nove anos de idade, pode-se dizer que fiz “barba, cabelo e bigode”. Fixei aquilo de maneira irretorquivel, indiscutível. Todo mundo que participou do episódio – eram quatro pessoas, além de mim – viram que eu saí do corpo. E, outra coisa, provei o negócio através do desenho que fiz da consciex (espírito) presente. O sargento que dirigia a reunião tirou da carteira uma foto, mostrou a meu pai e a minha mãe, meu desenho era o cara da foto. Quer dizer, nós não sabíamos da existência daquele homem que era o guia extrafisico daquela pessoa. Naquele momento, falei tudo que ia acontecer e, realmente, tudo o que havia dito aconteceu depois. Eu vi que a consciex chegou ao meu irmão, mexeu na sua cabeça e saíram umas coisas, hoje a gente admite, talvez fosse coagulo na cabeça dele. Ele estava desenganado, tinha cinco anos. Então, eu contei o que tinha presenciado: “o doutor falou que ele vai ficar bom”. Depois desse episódio, meu irmão viveu ainda uns 20 e tantos anos.

100f: Mas no momento em que o mandaram para quarto, para não presenciar nada, o senhor quis estar presente e por isso fez a projeção?

Waldo Vieira: Era comum aparecer uma consciex do lado esquerdo do meu olho, quando queria dormir, e melhorava o ambiente para mim, então eu tinha confiança para sair do corpo. Mas nunca tinha comprovado isso para os outros, pelo menos o resultado, efeito e consequência daquilo. Foi só em 1941, aos nove anos, que aconteceu esse fato com meu irmão. Quando fui para o quarto – enquanto tentavam curá-lo- comecei a jogar energia para ele melhorar, então saí do corpo, fui até lá e vi tudo.

100f: Foi então, desde os nove anos, que começou a estudar sobre a Conscienciologia?

Waldo Vieira: Não, as coisas foram se encaminhando desse jeito. Comecei primeiro, a estudar. Lá em casa havia uma orquestra, a qual o meu avô era o regente e todo mundo tocava algum instrumento de corda. Minha mãe tocava especificamente um bandolim, minha irmã o violão, a tia, o violino, meu pai tocava flauta doce e o meu avô tocava qualquer instrumento de corda. Todo mundo tocava e havia um sarau. Cada um que nascia, meu avô fazia um teste, para ver qual era o senso de musicalidade daquela criança. Ele chegou e foi fazer o teste comigo e falou: “ele está acima da média da turma toda”. Aí meu pai e minha mãe falaram: “você escolhe qual instrumento você vai desenvolver e vai tocar”. Eu falei: “não quero nenhum”. Eles perguntaram: “por quê?”. “Eu quero é tratar disso aqui” (Waldo aponta para a cabeça). Era menino, tinha cinco para seis anos. Eles falaram: “ele sofreu muito com a cabeça”. Porque quando nasci, o parto foi laborioso, racharam minha cabeça, eu tenho marca até hoje. Então eu queria estudar o processo do cérebro, que levava à questão da consciência. Minha mãe me ensinou a ler, escrever e a ser epistológrafo, quer dizer, um missivista, a pessoa que escreve cartas. Com quatro anos, também fazia as chamadas cartas enigmáticas. Mandava cartas para participar de concurso e ganhava prêmios à distância. Viram que eu tinha facilidade para desenhar e então comecei a participar de concursos: Gibi Mensal, Globo Juvenil Mensal, e aquilo dava determinado dinheiro, que me possibilitava comprar dicionários, livros, fazer assinaturas. Então, com isso, as coisas começaram a melhorar para mim. E eu comecei a estudar sem parar. Meu pai falou assim: “ele não quer ser músico, então vou colocar esse menino para estudar tudo que pode”. Comecei a fazer, então, a minha biblioteca. Aos nove anos, oficializamos aquilo. Eu já tinha muitos recortes, jornal, revista, livro, dicionário, tudo. Lia sem parar, e minha mãe ali, todo dia em cima de mim. Aos dez anos já tinha estudado todo o conteúdo do primário. Na minha cidade, a única escola que havia era o Grupo Escolar Melo Viana. Lá era tudo bem pequeno. Por não ter dinheiro, meus pais arrumaram um preceptor para mim, que me deu aula durante dois anos. Eram quase cinco horas, toda manhã, de segunda a sexta. Ele me dava dever de casa e tinha exercício de fim de semana, ainda mais extenso. Com isso, eu aprendi muita coisa antes de entrar no ginásio. Desta maneira, aos 14 anos eu já sabia o que queria, o que ia fazer, todas as coisas que estão acontecendo agora. Tudo é um processo de desenvolvimento e vi que no movimento espírita existiam aspectos com que não concordava.

100f: Com quais aspectos que o senhor não concordava no movimento espirita?

Waldo Vieira: A primeira coisa era a seguinte: o movimento espírita era uma religião, hoje é uma seita, que não faz pesquisa, e eu queria era pesquisar. Mesmo assim, trabalhei no movimento espírita porque não tinha outra saída. Depois fui ajudar o Chico Xavier, levei o Chico para Uberaba. Fiz uma instituição, fiz um bairro lá em Uberaba, do mesmo jeito que estou fazendo aqui em Foz. Nisso, já tenho experiência. Trabalhei com o Chico ainda dez anos e depois deixei o movimento. Pensei: “agora vou trabalhar com o processo da Conscienciologia”. Lá, eu não briguei com ninguém e muitos do movimento espírita me acompanharam. Fizemos uma série de instituições que estão lá até hoje. Há instituições que possuem até 10 departamentos, um monte de gente que faz assistência, mas é aquilo que acho primário, que é assistência da consolação. O que nós gostamos é de fazer a assistência do esclarecimento.

100f: O que seria “assistência da consolação” e “assistência do esclarecimento”?

Waldo Vieira: Assistência da consolação a gente chama de tacon, “tarefa da consolação”. E usamos a palavra tares para “tarefa do esclarecimento”, porque quando você esclarece a pessoa, ela caminha por si só. Consolar é um negócio superficial, não resolve o caso, e em religião tudo é na base de tacon. E no caso da tares, é um esclarecimento que é antipático, porque você fica falando a verdade, dá um soco na cara, e é fratura exposta, tal como nós costumamos falar. Isso é impactoterapia. Por esse motivo que falo as coisas na bucha, na cara das pessoas, eu não tenho nada para esconder.

TACON (ta+con) – Tarefa da consolação, assisten cial, pessoal ou grupal, primária.

TARES (tar + es) – Tarefa do esclarecimento, assis tencial, pessoal ou grupal, avançada. Plural: tarefas do esclarecimento.

100f: Então, quando, exatamente, o senhor começou a trabalhar com a Conscienciologia?

Waldo Vieira: Depois disso tudo, deixei o movimento espírita em 1966. Nessa época, eu tinha 34 anos. Desse período de 66 para cá, comecei a trabalhar sem parar com a Conscienciologia. Logo de início, vi que era importante falar sobre o fenômeno do desdobramento, que é o processo da projeção consciente fora do corpo. Então, no primeiro livro que escrevi, fiz uma edição de cinco mil exemplares, gratuita, e distribui para o Brasil inteiro e até fora do país, para mostrar aquilo que era além do espiritismo. Esse livro eu demorei 19 anos para escrever. Publiquei em 1986. Hoje ele está na décima edição, para você ter uma ideia, tem mais de 1.000 páginas. Depois disso, comecei a escrever outros livros. Hoje tenho, só da Conscienciologia, uns 30 livros.

100f: É verdade que o senhor conseguiu fazer com que o seu irmão reencarnasse no seu filho?

Waldo Vieira: Sim, isso é o conceito de personalidade consecutiva. É assim que é a vida. É a seriex, há uma serialidade existencial, todo mundo é assim.

SERIÉXIS (seri + exis) – 1. Seriação existencial evolutiva da consciência; existências sucessivas; renascimentos intrafísicos em série. 2. Vida humana ou intrafisica. Sinônimo desgastado e envilecido pelo uso excessivo para a primeira acepção: reen carnação; esta palavra arcaica não mais atinge as pessoas sérias dedicadas às pesquisas de ponta da consciência.

100f: Mas como ter certeza que realmente seria o seu irmão a reencarnar?

Waldo Vieira: Porque eu providenciei. Eu não queria casar, mas sai igual ao Diógenes com sua lanterna procurando as mulheres que poderiam ser mãe dele, inclusive algumas namoradas que tinha tido. Nessa ocasião, tinha meu consultório na Rua Figueiredo Magalhães, em Copacabana, no 14° andar, num edifício novo que havia lá. Tinha feito curso de Cosmiatria e Plástica, com cirurgia e sem cirurgia, no Japão. Quando voltei para o Brasil, como era técnica nova, aquilo atraiu muita gente. Em poucos meses depois que instalei o consultório, não dava conta da clientela, 90% eram mulheres e 10%, homens. Era uma loucura aquilo tudo. Aí o meu irmão, Walter, tinha morrido e eu via que estava sempre comigo. Então, uma vez, quando estava só dirigindo o meu carro, ele pediu para dirigir, porque era doido por carro. Eu o deixei segurando a direção, ele no meu corpo, incorporado. Ele dirigiu e, pelo fenômeno da psicofonia, começou a chorar as mágoas para mim. Disse que queria ficar perto de mim o tempo todo e não sair. Nesse instante, eu me comuniquei com um amparador, que são essas consciexes que me ajudam, e tem um deles que está sempre comigo. Ele falou: “o jeito é você casar”. Para casar, eu não dou de lambuja para ninguém, então comecei a procurar com muito critério a futura esposa.

100f: Como foi essa procura, foi fácil encontrar a mulher que seria a mãe de seu filho?

Waldo Vieira: Procurei uma mulher que teve contato com o meu irmão em vida anterior. Daí, arranjei uma que era das minhas conhecidas, que também tinha sido minha namorada. Fiz pesquisa para ver como era e vi que meu irmão tinha sido marido dela, na Alemanha. Eu disse: “vai dar certo, porque a vida foi produtiva, foi boa, nada negativa”. Fui sondar para ver aquela minha amiga, a Elizabeth, para ver o que tinha acontecido. Existiam alguns inconvenientes de casar com ela, primeiro, ela tinha ficado em campo de concentração com os nazistas, isso na Floresta Negra. E, ela tinha um processo na cabeça que era chamado de hemicrania, uma cefaléia que não parava nunca. De vez em quando ela entrava em depressão, tinha de fechar todo o quarto, ficar no escuro, porque doía muito a cabeça e os médicos não achavam jeito de curar aquilo. Mas isso acontecia eventualmente. Mesmo assim, eu vi que ela era boa pessoa. E, ao sondar, vi que tinha conhecido meu irmão, então teria de ser ela. Ela era solteira e perguntei a ela se teria interesse. Sabia que tinha um homem da monarquia que uma vez se interessou por ela. Mas depois ele arranjou outra mulher, uma princesa, e se casou. Então, falei com ela: “o que você pretende na vida?” Ela disse: “quero ter um filho como mãe solteira, porque eu não posso deixar minha mãe de criação”. Ela tinha uma mãe postiça quando veio para o Brasil. A mãe dela natural era analfabeta. Mas, a mãe postiça era uma alta personalidade e ela era como se fosse a aia, a dama de companhia dessa senhora, então não podia deixá-la para se casar e ter um lar próprio, constituir uma família. Então falei com ela: “você se lembra do meu irmão Walter?”. Disse que se lembrava. Então falei: “ele morreu, e eu estou com intenção de dar vida para ele e poderíamos educá-lo. Topa ou não topa?”. Ela disse: “Interessante! Mas não posso deixar minha mãe, como faço?”. Então falei: “nós conversamos com ela”.

100f: O que a mãe dela achou dessa “experiência”?

Waldo Vieira: A mãe dela era minha chapa, gostava demais de conversar comigo. Então conversamos, mas tinha outro problema. Minha mulher tinha um útero infantil, tinha dificuldade de engravidar. Mas eu disse: “comigo você vai engravidar em pouco tempo, eu garanto, ou seu dinheiro de volta” (risos). Na hora em que engravidou, chegamos para a mãe dela e dissemos: agora temos que casar. Fizemos o casamento oficial, tivemos o filho, e combinamos que jamais teríamos alguém para cuidar da criança. Nem a avó, nem amigo, nem babá. E, como eu viajava muito para fazer pesquisa, tínhamos sempre que analisar o que deveríamos fazer. Quando meu filho tinha três meses de idade, começamos a viajar. O menino cresceu, nunca contratamos nenhuma babá. E, ele está aí, sem problemas, com a cabeça mais ou menos no lugar (risos). Isso eu acho que conseguimos bem.

100f: E a sua esposa, como ficou em relação à doença?

Waldo Vieira: Ela começou a ficar cada vez pior. Nove anos depois de casados ela começou a ficar pior da cabeça devido ao problema, e nós descobrimos na ocasião o diagnóstico, era o bornavirus. Era uma infecção que dá na pessoa e leva à depressão, um vírus que dá na cabeça. Ela sempre achava que era um negócio dos cavalos, que havia na Floresta Negra, que ela pegou o vírus lá, até hoje tem esse vírus na Alemanha, mas ainda não sabem como tratar isso. É igual você estar com um resfriado, não adianta ficar tomando antibiótico se o negócio é virótico, aquilo não funciona bem. Na cabeça é a mesma coisa. Ela ficou toda alterada, começou a mexer com a mão. Lá pelas tantas, nós tínhamos 18 anos de casados, ela se atirou do 14⁰ andar. Contudo, de certa maneira estávamos esperando aquilo. Na época, ela já falava em suicídio há nove anos, eu quis interná-la, mas ela falou que se suicidaria caso a internasse. Nós a examinamos de todos os jeitos, mas ninguém encontrava a saída. Não sei se hoje haveria tratamento adequado. Eles chamam isso da psicose da tristeza. Vai alterando tudo.

100f: A maneira da pessoa morrer interfere na consciência ou não?

Waldo Vieira: É lógico, é o choque biológico. Tem o choque biológico do nascimento e o choque biológico da morte, que é a falência geral dos órgãos, isso dá alteração. Agora, quanto mais lúcida é a consciência, mais depressa ela recobra a lucidez quando morre. Desativa o corpo, e ela fica mais ativa consciencialmente. Minha mulher, por exemplo, 19 dias depois que morreu, apareceu para mim, começou a perguntar como estava o filho, etc. Eu disse que estava tudo bem. Para mim, ela não se suicidou antes por causa do filho. Enquanto não viu que o menino estava crescido… Ela adorava o filho! E ele também gostava demais da mãe. Eu procurei dar a ela tudo que eu pude! Ensinar o parapsiquismo, mostrar que ninguém morria. Ela fez, na verdade, intencionalmente, uma ortotanásia, matou-se de propósito, tudo estudado por ela. Mas, para a sociedade, isso não é um bom exemplo, não é o ideal. Como ela estava alterada, o que era possível fazer? Para você ter uma ideia, nos últimos anos meu filho tinha que tirar uma peça do carro, para que o veículo não saísse da garagem. Isso, porque tínhamos medo dela chegar, dirigir e bater com o carro. Ela dirigia muito bem, nunca teve nenhum acidente. Ela gostava de dirigir. Foi uma senhora experiência… É a vida!

100f: Tem muita gente que vem atrás do senhor procurando por algum tipo de resposta?

Waldo Vieira: Toda semana. Agora você tem de lembrar o seguinte: eu não tenho celular, praticamente não atendo celular, só atendo quando não tem outro jeito. Eu não mexo com nada de internet diretamente, nem tenho e-mail. Nunca mandei um e-mail, não escrevo carta. Já faço tudo pessoalmente para o negócio dar certo! Se eu falar logo de cara, a pessoa custa a entender, então imagine mandar por escrito? Este é o motivo pelo qual faço livros, no livro você explica mais as coisas.

100f: Anteriormente, o senhor falou que começou com o processo da projeção consciente fora do corpo. Eu estava lendo o depoimento de um homem sobre a questão, que ele tinha medo de fazer isso. Por que as pessoas têm esse receio?

Waldo Vieira: A pior coisa que a pessoa pode ter é, justamente, o medo. O medo praticamente bloqueia o processo da saída. E quando a pessoa sair, ela volta logo, ela se interioriza. Ela volta para o corpo porque tem esse medo. Medo é ignorância, é um processo primário de instinto da pessoa. Falta lucidez, falta estudo. Quando a pessoa começa a estudar, acaba o medo. Por isso escrevi esse primeiro livro, minucioso. Foi o Projeciologia, que está na 10ª Edição. Essa obra foi feita para ensinar isso, nela existem umas 24 técnicas básicas que envolvem o processo de saída do corpo com lucidez.

100f: Uma curiosidade, o senhor acredita em destino?

Waldo Vieira: Destino é você quem faz. Por exemplo, existe o conceito de proéxis (programação existencial) e temos uma instituição, a Apex, dedicada ao estudo dessa realidade, para ajudar a pessoa a ter mais detalhes daquilo que programou, antes de nascer, para sua própria vida. Você, por exemplo, é comunicadora, trabalha no processo de jornalismo, mídia, sua tarefa é saber de onde veio isso, de que modo isso é evolutivo para você e qual a origem, qual a fonte deste fato. Então, isso é programação existencial. Agora, temos que fazer com a proéxis aquilo que podemos dar exemplo com nossos talentos. Talento é o traço forte da pessoa, a virtude que ela tem, o predicado, o que é melhor. Então tem que desenvolver por aí. Nós estimulamos, motivamos a pessoa. Chegamos num trinômio que se chama automotivação – trabalho – lazer. Você gosta de trabalhar.

PROÉXIS (pro + exis) – Programação existencial especifica de cada conscin em sua vida.

100f: Com todas as conquistas em Foz do Iguaçu, pretende sair daqui?

Waldo Vieira: Não, eu vim para cá para não viajar mais. Porque viajei demais, de 1966 a 1999, e no ano 2000, falei para a turma toda: “eu já visitei muito vocês, agora se quiserem me ver, venham para cá”. Eu não vou mais. Nunca mais eu sai pra lugar nenhum. Agora só saio daqui para fazer exame de saúde, Cascavel, Belo Horizonte, coisas assim. Estive também numa cidade aqui do interior pra atender dois políticos. Pediram-me por eleição e tudo mais. E, por sinal, um dos políticos eu disse que seria eleito, e foi, é o atual governador. Mas ele não está fazendo aquilo que eu falei para ele. Então, do ano 2000 para cá, não fui para lugar nenhum, nem dei curso fora. Foi um plano que eu estabeleci. Agora, eu começo as coisas e passo a bola. Os outros tomam conta, as instituições, os cursos, trabalho, todos os empreendimentos que eu fiz são assim. Por exemplo, em Uberaba, o bairro que eu criei lá está uma loucura, estão mesmo seguindo o que eu falei. Apenas falta muita árvore lá, porque eu gosto de verde e lá não tem. Eles quiseram aproveitar cada pedacinho e fizeram um monte de casas. Eu fiz aquilo em 1958, já completou meio século, em meio século as coisas mudam. Temos experiência com isso, eu criei uma experiência de empreendedorismo. E experiência na área de educação. O Brasil piorou demais a educação. No livro que estou escrevendo agora, um léxico, eu afirmo que o Ministério da Educação é o Ministério da Deseducação, porque eles querem passar todo mundo com promoção. Aprovação automática. Não podes reprovar ninguém. Isso vai criar uma geração de analfabetos.

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