100fronteiras: Quem é Yasmin Hachem?

Yasmin Hachem: Eu sou nascida em Foz do Iguaçu, sou do Conjunto B, tenho 24 anos e meus pais são daqui também. Minha mãe é professora da Unioeste e já trabalhou na prefeitura, foi Diretora de Educação e meu pai foi Diretor de Obras, então a política é algo natural na minha casa, sempre foi. E mesmo depois desse envolvimento dos meus pais na gestão, a política sempre foi muito presente em nossa família. Eu sempre via minha mãe lutando muito pelos professores, pela educação pública e tenho muito orgulho disso, então é um debate muito natural. Então em 2015 entrei na faculdade e em fevereiro desse ano me formei em Direito aqui na Unioeste e desde o começo da faculdade eu já tinha convicção que não gostaria de trabalhar no poder judiciário. Eu acredito muito no processo político das coisas e como nunca tive muita familiaridade com a advocacia, nem com concurso público, o poder legislativo sempre me puxava, eu sempre tive uma afinidadezinha maior.

100f: Como se deu essa vontade de iniciar na política?

Yasmin: No final do ano passado minha mãe e meu padrasto começaram a conversar e pedir o que eu achava sobre isso, porque desde o inicio da faculdade eu participava da Atlética, de movimento universitário, ajudei fundar os jogos universitários aqui e já participei da organização de outros jogos de nível estadual bem grandes, então assim, o público universitário me conhecia bastante e eu tenho um histórico de ser bem organizada e aí minha mãe e meu padrasto ficavam me questionando, só que eu estava terminando a faculdade e deixei pra resolver isso depois que me formasse. Aí esse ano sentei para conversar com eles e decidimos pela candidatura. Então não é um plano político de cinco anos atrás ou de que quando acabou a última eleição e eu sentei e falei que queria. Não, foi uma coisa natural mesmo, uma liderança que aconteceu naturalmente na faculdade, uma vontade que deu certo. Foi muito leve, não foi algo que me pesou a vida. Mas com a chegada da pandemia eu me isolei e questionava como seria a campanha. Então decidi que não queria fazer campanha nas ruas e a galera falando que eu tinha que ir. Eu queria fazer uma campanha 100% online porque estava com muito medo do vírus. E por isso estruturei a minha campanha online. Desde o ano passado venho estudando muito marketing digital, gosto muito e aplico isso na minha empresa de eventos. Me questionei se todas as estratégias de marketing que uso para vender produtos dariam certo numa campanha eleitoral e comecei. Fiz um plano de marketing, mas depois comecei a ir para a rua com todo o cuidado, conseguindo assim fazer as duas coisas.

100f: Qual era o seu objetivo com essa campanha online e presencial?

Yasmin: A minha principal bandeira é a juventude, defender os jovens, mas a gente também é humano e por isso precisa defender os direitos humanos em primeiro lugar, independente da idade, da classe, do gênero. Então eu quero deixar claro que não é uma coisa só para os jovens, foi uma pegada de uma campanha para a juventude. Então a ideia inicial era envolver esse jovem que a vida inteira votou no que o pai e mãe votavam, ou que votava branco ou que nem ia. Então era envolver essas pessoas para que elas votassem consciente, porque se a gente não vota consciente indiretamente estamos contribuindo para eleger alguém que não defende os nossos interesses. Além disso, falar de política de uma forma normal. Normalizar a política, o vereador, que é uma pessoa como qualquer outra e acabar com esse preconceito que ainda tem. E se a gente normalizar e entender que a política está em tudo, em todas as relações da humanidade, acho que a gente vai conseguir participar ativamente de tudo e conseguir construir uma vida melhor para a gente.

100f: Diante de toda a sua campanha você imaginava que seria eleita?

Yasmin: Foi tudo muito bem, as estratégias, tudo foi muito pensado. No começo você não consegue sentir a campanha, mas nas últimas semanas você sente. No começo eu não conseguia pedir voto, me sentia invadindo a privacidade da pessoa, mas depois isso se tornou natural. E quando eu pedia o voto a pessoa dizia que já ia votar em mim, então eu ia sentindo o negócio crescer, eu via que o cenário estava muito bom. Mas a minha mãe me ensinou várias coisas antes de eu começar a campanha e uma delas era que a expectativa é um perigo. Então a gente estava muito feliz, mas assim, como o pé no chão. Na última semana eu sabia que estávamos muito bem, mas eu nunca achava que seria a segunda mais votada e que com menos de R$ 10 mil que a gente gastou na campanha conseguiríamos fazer tudo o que a gente fez e alcançar tantas pessoas como alcançamos. Eu nunca pensei que ocuparia uma posição histórica na cidade de ser a primeira mulher mais jovem eleita na Câmara de Vereadores. Então assim, ainda estou anestesiada.

100f: E a partir do momento que você se elegeu como você se sente?

Yasmin: O sentimento é de que a gente vai desconstruir muito, quebrar muito preconceito com relação a tudo, ao universitário, com relação ao jovem, a mulher. Então acredito que será um mandato de muitas desconstruções, do político não ser visto como uma pessoa normal, como algo afastado, porque isso prejudica também para o contato, então acredito que além da responsabilidade, desconstrução é a palavra.

Yasmin Hachem é a vereadora mulher mais jovem da história de Foz.

100f: Como você define a função do vereador?

Yasmin: Legislar, propor projetos de lei, fiscalizar o executivo, mas principalmente representar a população e levar a população esse acesso a informação que é um dever de quem ocupa o cargo público, levar o acesso, dar as explicações e tornar isso da forma mais acessível possível.

100f: Como será sua postura dentro da Câmara de Vereadores?

Yasmin: Não sei dizer isso agora. Mas será uma grande luta. Ainda somos minorias com relação a mulher, e o meio político ainda é bem complicado, mas eu sempre costumo dizer que sou incansável, não vou me desfazer dos meus princípios, e a determinação e a persistência vai ser algo muito bonito e espero que todas as pessoas que votaram em mim se orgulhem muito do mandato e dos próximos quatro anos porque tudo o que eu for fazer eu vou lembrar dos 2228 votos.

100f: Quais serão seus projetos Yasmin Hachem?

Yasmin: De projetos concretos o primeiro será a criação de um aplicativo para fazer o acompanhamento do mandato com relação aos projetos de leis do gabinete e do que o gabinete vota a favor ou contra os demais colegas, acessível para toda a comunidade. E fazer uma explicação desse projeto, não apenas coloca-lo lá, pois ele tem uma linguagem difícil, e assim buscar um jeito de explicar sobre o projeto para que as pessoas entendam, porque isso também acaba distanciando as pessoas que não entendem a linguagem. Isso porque você não gosta daquilo que não conhece, isso serve tanto para as relações como para a política.

Outro porto é articular com o executivo uma incubadora de primeiro negócio jovem desenvolvendo um edital realmente focado no primeiro negócio, porque hoje temos algumas iniciativas, mas que para um primeiro negócio não tem muita coerência pois os pré-requisitos desses editais não são para primeiro negócio, então pensar numa incubadora nesse sentido, enfim, um projeto mais econômico. E um projeto mais da área da educação que seria um cursinho popular com todas as áreas da cidade para os alunos do ensino médio e para quem quiser, descentralizando as universidades, então será uma oferta do município para fazer esse cursinho e preparar os alunos com a força do trabalho jovem e voluntário.

100f: E para fechar Yasmin Hachem que mensagem você gostaria de deixar?

Yasmin: Gostaria de agradecer aos votos, foi uma votação histórica, expressiva, de uma campanha completamente transparente e respeitosa, pois em todos os momentos nós fomos muito respeitosos, sempre falando no coletivo porque somos nós, então a mensagem final é para que as pessoas que não me conhece venham me conhecer pelas redes sociais que é o meu principal e mais forte canal de comunicação e para aquelas que já me conhecem que não se distanciem porque agora tem um cargo público no meio. Tudo o que a gente construiu nesse tempo de campanha temos que fortalecer, sempre com muito respeito. Falar de política de uma forma fácil, acessível e respeitosa.  E também dizer que estou muito feliz, muito grata e muito preparada para os próximos quatro anos. Sinto o peso da responsabilidade de honrar cada um desses votos, sei que não será fácil e que irei enfrentar muitos preconceitos de diversos segmentos, mas estou preparadíssima, incansável e muito firme nos meus princípios. Espero que tenham muito orgulho de mim.

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Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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