A cada ano, é sempre uma nova emoção, uma busca por um olhar diferente sobre o tema aniversário. E a UNILA chega aos seus 13 anos de existência, e também de resistência, com muitas histórias para contar.

A cada ciclo, muitos aprendizados, desafios superados, conquistas alcançadas. E, assim, a Universidade segue no seu propósito de realizar sonhos de uma juventude guerreira, compromissada com o futuro da América Latina, a partir do conhecimento.

Neste ano, a matéria de aniversário será dedicada a alguns personagens que já não estão mais circulando nos corredores da Universidade, mas que por muito tempo fizeram isso e hoje contam suas saudades. São jovens já formados que estão atuando no mercado de trabalho e em atividades de pesquisa, no Brasil ou fora daqui, por onde seus sonhos ganharam forma. Foram feitos alguns convites, e o resultado é o que vem nas próximas linhas: histórias de vida que estão se concretizando no pós-cotidiano universitário.

O que todos eles têm em comum? Ajudaram a escrever a história da UNILA e compartilham a felicidade de terem participado de alguma fase desses 13 anos de desenvolvimento desta Universidade. E todos foram provocados a responder a uma pergunta: “como você se reconhece como um unileiro raiz?”. Aqui estão suas histórias e seus “recuerdos”.

De estudante a professor e pesquisador

A história de Edivaldo José da Silva Júnior, como a de muitos unileiros, é de superação, e ele considera a UNILA como um ponto de virada em sua vida. E essa história começou justo no ano de criação da Universidade mais internacional do Brasil, quando ele começou a buscar uma oportunidade de ingressar em instituições públicas pelo país, mas tinha um detalhe: como ele trabalhava e ajudava seus pais com as despesas da casa, não tinha como mudar-se para outra cidade para estudar com o apoio financeiro deles.

Foi aí que ele conheceu a UNILA, que estava apenas iniciando suas atividades. Inscreveu-se no curso de Engenharia Civil de Infraestrutura e conseguiu a vaga apenas na terceira e última chamada.

“Graças aos benefícios, pude me dedicar integralmente aos estudos. Em 2013, passei no processo para realizar graduação sanduíche na China, pelo Ciências sem Fronteiras. Já em 2015, retornei e comecei a trabalhar em projetos de iniciação tecnológica em segurança de barragens no PTI”, conta ele. Hoje, Edivaldo trabalha com pesquisa em segurança e barragens no PTI e já concluiu o mestrado em Engenharia Civil pela UNILA. No último ano, foi aprovado para o doutorado na mesma área. Pensa num unileiro prata da cada e dedicado! “Antes da UNILA, eu tinha um sonho de ser alguém, de conhecer o mundo, de conhecer novas línguas e culturas e na Universidade eu encontrei tudo que buscava, o mundo”, resume ele em relação à sua trajetória.

Ele diz que a experiência na UNILA contribuiu para ele ser quem é hoje, lembrando-se das amizades, dos conflitos e até mesmo da pressão das disciplinas do curso, como Análise Estrutural. Hoje, atuando como professor universitário e pesquisador, Edivaldo se enxerga como um promotor da UNILA.

“Nela fui criado e nela eu continuo me especializando. Incentivo todos que conheço e estão iniciando a jornada que iniciei em 2010, a virem para cá e se permitirem viver algo único: novas pessoas, novas línguas, novos lugares, inúmeras outras oportunidades”, diz o veterano que ingressou nos primórdios das atividades da Universidade e que espera que, num futuro não tão distante, possa estar do outro lado “recepcionando calouros entusiasmados que não fazem ideia da grande aventura que estão prestes a viver”.

Aprendi a amar a nossa América Latina

Clara Lorena Páez González é outra entusiasta da UNILA e que tomou conhecimento da instituição ainda em 2011, quando cursava o segundo ano de licenciatura em Ciências da Comunicação em uma universidade pública de Assunção.

“Quando soube da UNILA, fiquei apaixonada. Eu até pensei em trancar o meu curso no Paraguai e me candidatar para cursar a graduação em Foz do Iguaçu”. Não foi daquela vez, mas a mudança aconteceu anos depois, pois o sonho ainda não tinha acabado. Ela concluiu o curso superior no Paraguai e começou a trabalhar com comunicação no governo daquele país. “O meu emprego lá era muito bom, eu tive um crescimento profissional muito acelerado e eu tinha um bom salário. Pensei que ficaria quietinha nesse lugar, mas a UNILA já estava no meu horizonte e mudaria a minha vida como um todo”, diz a entusiasta pelo projeto de integração.

Já em 2016, Clara começou a pesquisar sobre bolsas de estudo para mestrado e descobriu o Programa Brasil OEA-GCUB, que coordena editais de bolsas de mestrado no País para estudantes residentes nos estados-membros da Organização dos Estados Americanos.

“Quando eu vi que a UNILA estava na lista, foi como encontrar um grande amigo após anos. Dessa vez, cinco anos mais tarde, eu me candidatei e fui aceita”, relembra. Na mesma época em que assinava um novo contrato de trabalho, ela recebeu o aceite para ingressar no mestrado em Políticas Públicas e Desenvolvimento e… Bingo! Optou em vir para a UNILA. “Foi uma alegria e, ao mesmo tempo, uma decisão difícil. Não tenho arrependimentos, bem pelo contrário, a UNILA me abriu muitas portas”, diz ela.

Clara diz que a sensibilidade é uma das questões que mais marcou seu aprendizado durante a experiência nesta Universidade. “A UNILA, enquanto comunidade acadêmica, é sensível às injustiças, é combatente, fica do lado do povo. É assim como eu quero descrever e como eu quero visualizar o nosso povo unileiro lindo, como aquele que sente orgulho cada vez que vê a cor lilás que está tão intimamente ligada à nossa identidade.”

E os sonhos dela não cessaram ao concluir o mestrado. Ela ingressou recentemente no doutorado em Geografia e Planejamento do Espaço, na França, e diz que as reflexões quando ainda estava cursando mestrado na UNILA foram fundamentais inclusive para a construção do projeto de sua tese de doutorado.

Outra questão que ela aponta que mais valoriza na UNILA é a capacidade de trabalhar os problemas sociais e as realidades dos outros países latinos. Seu entusiasmo é tão grande que ela não esconde a felicidade ao contar que sua irmã mais nova agora está cursando graduação em Engenharia de Energia na mesma instituição. “Nós valorizamos muito a educação pública do Brasil e estamos muito agradecidas pela oportunidade que a UNILA nos deu. E eu acredito que é um sentimento compartilhado com muitos outros paraguaios”, finaliza

Desenvolvimento da consciência social

Benhur Azambuja Possatto é natural do Rio de Janeiro e veio para a UNILA cursar Engenharia de Energia. Já formado, hoje ele atua como engenheiro na Ilumisol Energia Solar, na região sudoeste do Paraná. Assim como os demais egressos que participam neste momento, ele reforça que a oportunidade de ter passado pela UNILA durante sua juventude foi fundamental para estruturar sua caminhada profissional.

Segundo ele, “a crítica, a base teórica e a educação emancipadora foram alicerces adquiridos durante o belo período que passei por Foz do Iguaçu e se somaram à proposta única da Universidade no sentido de fomentar nosso desenvolvimento pessoal e profissional”. Além de adotar o mate no seu cotidiano, ele acredita que também levou da UNILA a consciência social que desenvolveu e continua a desenvolver no dia a dia, o que faz com que se identifique como um unileiro raiz.

O jovem engenheiro diz que sempre que encontra alguém que conhece a UNILA ou quando descobrem que ele se formou na instituição, a resposta imediata é um grande sorriso no rosto. “Além de falar em espanhol em eventuais reuniões do trabalho, a possibilidade de entender os matizes de cada canto desse continente tem ajudado a integrá-lo no âmbito do desenvolvimento sustentável, que é minha praia, graças à formação que tive na UNILA”, ressalta ele.

Visão integral dos processos sociais

Outro egresso paraguaio que também participa neste momento é Joel Emilio Ayala Baruja, natural de Luque e graduado em Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar. Atualmente ele trabalha como técnico em Adaptação a Mudanças Climáticas no Ministério de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Paraguai e afirma que passar pela UNILA foi uma das experiências profissionais mais importantes de sua vida.

“A Universidade me forneceu muitas ferramentas técnicas, com uma visão integral dos processos sociais que se dão no território. Esta visão permitiu o meu desenvolvimento em diferentes oportunidades de trabalho que tive, sempre com o tato social presente, uma característica do unileiro”, define ele.

Para Joel, a interculturalidade é o que ele trouxe consigo da UNILA e diz que é o que mais o identifica como unileiro.

“‘El latido latinoamericano’ é outra característica que me identifica, aprendi a ter um apreço especial aos demais países da América Latina e, sem dúvidas, a UNILA une fronteiras”. Ele afirma que se considera uma parte fundamental desse processo de integração, colocando esse aspecto como um propósito em todas as atividades profissionais que desenvolve.

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