Olá, leitor! Como tem passado?

Eu, muito bem, obrigada! Me cuidando em casa e mantendo meus projetos em dia.

Caso você tenha caído aqui de “paraquedas”, permita-me apresentar: me chamo Barbara, e sou a nova colunista da 100fronteiras. Te convido a ler meu texto de apresentação – antes de continuar a leitura por aqui – onde conto um pouco sobre mim e sobre o que irei abordar nesta coluna. Para lê-lo, clique aqui. E para o texto de estreia da coluna “100fronteiras para novas ideias”, escrevo sentada em um sofá, próximo à janela, observando a garoa fina cair sobre um pé de acerola, onde um pequeno passarinho começou seu ninho e foi embora. O tempo nublado e frio formou o clima perfeito para essa escrita. Espero que você também esteja acomodado(a) para ler o texto que aqui vos escrevo. Pegue a sua bebida favorita e me acompanhe nesta leitura. O assunto de hoje vai inspirar, principalmente, mulheres, pois são elas o destaque da pauta desta edição: Empreendedorismo Feminino. Tendo como convidada Caroline Almeida, 23 anos, formada em Relações Internacionais e sócia proprietária da Grãos e Gente. Desde que conheci Carol (vamos abreviar aqui, pois já somos íntimas e dispenso nome completo), vi nela, uma mulher forte e madura, Carol é 6 anos mais nova que eu, mas a maturidade dela foi o que sempre me chamou atenção e me fez querer trazê-la aqui, como convidada desta pauta, em específico. Carol sempre foi muito a frente de tudo, com ideais e ideias firmes e convincentes, sempre apostando em mostrar às mulheres a sua volta o quão importantes são e o quanto elas devem sim ter voz ativa diante do que o mundo joga em cima delas. E para você, leitor(a), se inspirar com este assunto, confira na íntegra a entrevista feita com essa mulher incrível, contando a história da Grãos e Gente e sua opinião acerca do empreendedorismo feminino. Qual a história da Grãos e Gente? Começou por uma ideia do meu pai. Ele sempre quis ter uma padaria/cafeteria. E fomos formulando melhor a ideia, vimos que simplesmente inserir uma padaria nova na cidade, não seria tão simples assim, tinha que vir com uma ideia um pouco mais bem elaborada. E daí, foi juntando toda a família (pais, filhos e namorados dos filhos), todos gostaram e compraram a ideia. Eu gostava muito de café e todo esse universo. São duas gerações discutindo sobre uma empresa e não é nada fácil. Mas todos foram complementando as ideias e deu a cara que a Grãos e Gente tem hoje. Há alguns anos, você se imaginava ocupando essa posição? Jamais! Se falar de dois anos atrás, ainda, eu não tinha essa ideia. 1 ano ou 6 meses antes da gente começar a trabalhar na ideia da Grãos e Gente, eu estava trabalhando no turismo de Foz do Iguaçu, na área de eventos e gostava da parte de me comunicar com pessoas, sempre gostei disso, mas só! E nunca imaginei ter a minha empresa e estar tocando ela com 23 anos de idade. Obviamente isso foi muito da ajuda dos meus pais e da minha família e eu me encaixei. No começo foi difícil, até eu colocar na minha cabeça que eu não precisaria seguir a minha formação, que aquilo não era um ano jogado fora, todas aquelas dúvidas que aparecem; mas, hoje, eu já me vejo aqui e não conseguiria estar fazendo outra coisa depois disso. Precisamos estar sempre buscando evoluir e buscar caminhos diferentes, mas eu tenho certeza que eu pretendo seguir com a empresa Qual sua principal inspiração feminina para empreender? Por ser uma empresa familiar, sem dúvida, a minha principal inspiração feminina é a minha mãe. Realmente ela é uma guerreira, construiu toda a vida dela trabalhando muito e conseguiu ajudar muitas empresas com todos os estudos que ela tem. Não seria diferente aqui, né? Ela ajuda muito a gente com os ensinamentos dela e me dá muita inspiração de mulher também, não só da empresa em si. É bem importante tanto aqui, como em casa, como família. Na sua opinião, qual a importância do empreendedorismo feminino nos dias atuais? A mulher tem que conquistar cada vez mais o espaço dela. E quem diria que o empresariado seria um desses, né? Se a gente pensar, poucos anos atrás, a quantidade de mulheres que tinham sua própria empresa, era muito pequena e eu acho que cada vez mais a gente vem tendo esse espaço e isso dá visibilidade pra gente. Cada vez mais participamos de reuniões entre os empresários, para debater e a mulher sempre vai ter um ponto de vista diferente. É uma vivência diferente, porque dentro da sua empresa, ela tem a sua cara. Então, quanto mais mulheres tiverem as suas empresas, mais o empresariado vai ter uma cara feminina, que é muito importante. Não tem nem como imaginar o mundo sem empresas femininas, porque elas trazem muitas coisas importantes para a sociedade. Você acha que as mulheres agregam dentro de uma empresa? É diferente uma empresa completamente masculina, e outra que tem mulheres e homens trabalhando em conjunto? Talvez mudando a visão desta empresa ou como ela se comporta, tendo mulheres à sua frente. Eu acredito muito na união de mulheres. Hoje a gente fala muito de feminismo e todo esse empoderamento feminino e tem mulheres que ainda não têm a consciência disso, não têm a consciência do seu poder, do seu espaço; mas, com a união, acredito que as mulheres conseguem, mesmo que de forma intrínseca, se verem mais fortes, e essa força gera muitas coisas. Eu não estou falando de segregação, mas de uma força que ela movimenta, que ela gera mais empatia num meio de trabalho. Quanto mais mulheres trabalhando juntas, mais espaço elas terão, mais vivência e troca de experiências de mulheres para mulheres. Pois esse ainda é um meio muito masculinizado. Entre um gole e outro de um chá de camomila e um expresso, conversamos além das perguntas. Comento com Carol, sobre uma pesquisa feita pelo Sebrae, que li recentemente, onde mostra que as mulheres ainda têm muito medo de empreender e não acreditam no seu potencial, gerando auto sabotagem. É muito claro que a mulher empreendedora não tem muitas opções de identificação, pois, o meio do empreendedorismo é extremamente masculino, ao que Carol complementa:
Uma mulher começar uma empresa do zero, sozinha, é difícil. Ela vai ter que lidar com muitos homens no seu caminho e muitos homens talvez ainda não deem o devido respeito, podem menosprezar, desconsiderar o seu trabalho, só por ser mulher. É algo que temos que estar preparadas. Eu acredito que com a vivência de trabalho, com a experiência de vida também, vamos aprendendo a lidar um pouco com isso e com a força de outras mulheres também.
Continuamos a conversa e aponto alguns outros dados mais específicos da pesquisa, que deixam ainda mais claro o que a Carol comentou e que já sabemos: o quão difícil é, para a mulher, empreender, em um país onde as condições para ela fazer isso são extremamente mais difíceis do que para os homens. E isso, apenas por conta do gênero. Como diz a Carol, “é como se ser homem fosse uma garantia”. A pesquisa diz que, mesmo as mulheres empreendedoras, tendo 16% mais estudo que os homens, ganham 22% a menos que eles. Na questão de empréstimos e financiamentos, essas empresárias tomam muito menos e recebem em torno de R$ 13.000,00 a menos que empresários, com taxa de juros de 3,5% a mais, mesmo sendo menos inadimplentes que eles. Sabemos que para começar uma empresa do zero, muitos empresários buscam o empréstimo e financiamento para isso. E para uma empresária, isso se torna muito mais difícil. O empreendedorismo feminino já começa a ser barrado antes mesmo de existir. É preciso força e determinação para seguir com a ideia, para inundar o país com empresas femininas e mostrar o poder que a mulher tem, para que sejam criados programas que ajudem mulheres a empreenderem e crescerem. Carol complementa:
Essa questão da sociedade oprimir e menosprezar tanto as mulheres, desde o início, faz com que elas se preparem mais. Então, as mulheres já vem com essa cobrança de se preparar mais, de estudar mais, se doar mais. Em uma reunião por exemplo, vejo por mim que me preparo muito, ainda mais se a reunião for mais com homens, você vai com uma carga a mais. E aí, você chega lá e nem sempre você é reconhecida da mesma forma, comparando com um homem que às vezes não deu 1/3 do que você se empenhou. É complicado, mas eu acho que cada vez mais a gente vai conseguindo isso.
Continuamos então com as perguntas, que na verdade já haviam sido discutidas acima, mas mesmo assim questiono, para saber a opinião da Carol: Você acha que as oportunidades para a mulher empreender são menores que para os homens? Sim. Como você falou da pesquisa, só essa questão do empréstimo, do juros, de tudo isso, já complica. Mas acredito, que uma das soluções é se unir com outras mulheres. Têm muitas mulheres empresárias já, no meio comercial e é preciso procurar por elas. Eu tenho certeza que a grande maioria vai estar de braços abertos para ajudar, tirar dúvidas, dar força. Acho que a gente tem que se ajudar cada vez mais. Uma mulher empreendedora influencia a outra? Com certeza. Cada vez que você vê uma mulher em uma posição, tendo sua própria empresa, conquistando grandes coisas, você vê mais a possibilidade de chegar lá também. O que você diria para uma mulher que quer empreender? Seja forte, mas não perca sua essência. O que faz de nós mulheres tão especiais é isso. Ao mesmo tempo que a gente tem que ser mais forte nesse meio, às vezes temos que nos blindar um pouco de algumas coisas. Mas eu acho que é isso que nos torna tão ricas e que as empresas das mulheres tem tanto sucesso, são tão poderosas. Só pegar o exemplo da Magazine Luiza, né? Que mulher, que empresa! Ela tem todo um legado e ela transmite muito essa questão dela ser mulher. Por que muitas empresas de sucesso no Brasil, que são coordenadas por homens, não têm tantas iniciativas quanto a da Magazine Luiza? Porque ela entende o que é ser mulher! Então, temos que manter a essência, que é essa do cuidado e da união, mas ao mesmo tempo ser forte e buscar parceiros, que é importante. Finalizo a entrevista entre sorrisos e agradecimentos, mas o assunto continua, é claro. Toco no assunto, comentado por ela anteriormente, sobre a união entre as mulheres e indago sobre a rivalidade que foi criada entre nós, pela sociedade, há muito tempo. E ela diz:
A outra nem sempre é sua inimiga. Na verdade, na maioria das vezes, ela pode ser sua aliada. Uma coisa que o sistema e a cultura já colocou na gente é que mulher foi feita para competir uma com a outra, e no meio empresarial isso tem que acabar. Escutamos muito que um meio com muitas mulheres é de muita fofoca, tem briga, enfim, isso é o ápice do preconceito. E às vezes, a mulher está tão acostumada a ouvir isso, que pode começar a reproduzir esse tipo de discurso, que é um discurso masculino e patriarcal e que temos que quebrar. Busco muito entender as mulheres. Aqui na Grãos e Gente é 80% mulher ou mais. Então, sempre tento entender a dor da outra, porque mulher não é um ser humano simples, ela é complexa e é isso que é bonito, basta aprender.
Nossas bebidas já terminaram há um tempo, minhas perguntas também, mas o sentimento de ter uma conversa boa com quem divide o melhor que tem, continua. Eu espero que para você, leitor, esse sentimento também tenha sido compartilhado através desse texto, e tenha te trazido a inspiração necessária para dar o impulso que faltava no que tem mexido com você, ultimamente.
Caroline Almeida Fotos: Elliot Richards
Continue comigo por aqui. Até o próximo post! Para acesso completo à pesquisa do Sebrae, clique aqui.
(Revisão: Verônica Furtado)

Turismóloga, formada pela União Dinâmica de Faculdades Cataratas. Trabalhou como produtora de conteúdo na área de marketing de destino, no segmento de turismo. Atualmente é responsável pela área de Marketing em setor de confecções e cama, mesa e banho, além de desenvolver projeto secundário de cerimonial em festas e eventos.

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