Por: João Bramatti – diretor comercial e produtor de vídeos na JPDOIS Comunicação e Vídeo

Sempre um prazer falar sobre evolução. Mais prazeroso ainda é entender e fazer parte dela. O que não é para todos.

Por isso, estou compartilhando com vocês alguns dos meus conhecimentos sobre a área e também botando uma pitada de minha visão pessoal sobre a evolução da produção de vídeo nos últimos anos.

A profissão youtuber

Quando você pergunta a uma criança o que ela quer ser quando crescer, quais são as respostas prováveis? Astronauta, jogador de futebol, piloto de Fórmula 1. Pode até ser. Mas o mais provável será ouvir: youtuber.
O maior site de streaming de vídeos do mundo é uma fábrica de celebridades da internet e parte da vida de milhões de crianças e adolescentes. Esse público costuma consumir conteúdos a todo momento.O YouTube faz com que a barreira social seja praticamente inexistente. Seu público se identifica com o fato de serem “pessoas comuns” que criaram seus canais e produzem conteúdos de acordo com seus gostos e personalidade. É algo “palpável, acessível”.
Uma estatística de janeiro de 2020 diz que, das marcas com as quais os americanos não conseguiriam viver sem, o YouTube ocupa o sexto lugar.

Box: A título de curiosidade: Ryan’s World, canal de um menino estadunidense de 8 anos chamado Ryan Kaji, faturou em 2019 cerca de US$ 26 milhões. Ele já havia faturado US$ 22 milhões no ano anterior. O canal é focado em unboxing de brinquedos. É um dos fenômenos de visualizações e reforça a máxima: “Se ele pode, por que eu não posso?”.
Na JPDOIS é muito frequente eu conversar com pais que nos procuram para dar início à “carreira de youtuber“. Pra falar a verdade até eu mesmo arrisco esse mundo pra expor meus gostos e ter maior compreensão do funcionamento da máquina. Afinal produzo vídeos, então preciso entender todos os processos. A propósito, inscrevam-se lá: Canal Time Attack (@canaltimeattack no Instagram).

Internet, mercado local e suas mudanças

“Linkando” o assunto internet, “a nova produtora de vídeo” e o mercado local, já de antemão cito o que parece ser óbvio, mas que para quem produz vídeos tem mais impactos do que parece. Quase 80% dos vídeos produzidos pela JPDOIS de 2018 pra cá são para web. Parece óbvio, não é? Nem tanto. Já citei sobre isso no canal da JPDOIS no YouTube, que cada caso é um caso. Cada estratégia de marketing da empresa determina os veículos de acordo com a sua necessidade. A TV não deixou de ser forte ou não fazer mais sentido. Bem pelo contrário, segue tendo grandes pontos positivos perante a internet. Mas, como eu disse anteriormente, cada caso é um caso e depende do que e como você (sua empresa) quer atingir.

E por que, para quem produz vídeos, parece ter mais impactos do que parece? Novas linguagens, novos formatos, novos equipamentos, novas equipes (ou nenhuma). Sim, tudo isso.

Gravar vídeo na vertical já virou comum. Quem diria que, quando abrimos a JPDOIS, em 2011, iríamos pegar uma câmera, virar de lado e produzir um vídeo assim? Pois é, e produzimos assim. Todo santo dia.

Câmeras menores e mais eficientes, novos veículos para distribuição e mil novas possibilidades. As coisas mudaram ainda mais rapidamente nos últimos anos, e muita gente ficou pra trás reclamando do mercado. Seleção natural da vida corporativa.
Pra compensar, essa nova onda de possibilidades trouxe com ela algo muito, mas muito interessante: o profissional Videomaker. Assim mesmo, com letra maiúscula.

Videomaker

Ser Videomaker passou a ser cool, a ser desejo de muita gente. A combinação da evolução dos equipamentos com as redes sociais deu match. Ô se deu!

Desde que câmeras fotográficas (as DSLRs) passaram a ser usadas pra vídeo, muita coisa mudou. Foi aí que abriu a porteira. Vídeos de casamento voltaram a ser (altamente) desejados. E, ainda bem, ninguém aguentava aquela reunião de domingo no almoço da família pra ver o vídeo de casamento do fulano, na íntegra.
Usei esse exemplo só pra ilustrar como tudo começou a mudar rapidamente e no meu segmento passei a ouvir “qualquer moleque com uma câmera e um computador acha que tem uma produtora de vídeo hoje em dia”. Rapaz… e tem! E se você já falou (ou fala) essa frase, é melhor preocupar-se.

A “profissão Videomaker” não é tendência, não é modinha, é realidade. E já faz um tempo. Produtores de vídeos individuais “engoliram” o mercado e mudaram o cenário de pequenas e, às vezes, até grandes produções.

Vou citar bons exemplos a vocês:
Abdala Brothers: dois irmãos, um com 21 e outro com 19 anos, paulistas, com literalmente câmera e lente na mão, passaram a ser uma das “produtoras” mais desejadas no ramo automotivo brasileiro. Grandes marcas, como Mitsubishi e Porsche, cortaram o caminho de contratação via agência e foram direto neles para a produção de vídeos para ações de marketing. Pra selar a moral dos meninos, tornaram-se embaixadores da Sony e da Avell no Brasil.

Guilherme Coelho (Rabbit Films): inovou dentro da inovação. Gaúcho, começou a produzir vídeos de casamento em 2011 meio que sem querer. Iniciou fazendo vídeos de festas, como curioso, e passou a auxiliar fotógrafos em casamentos. Estudou muito o que tinha de equipamento em mãos e levou a energia dos vídeos de festas para os vídeos de casamento. O resultado não poderia ser melhor. Hoje ele faz vídeos pelo mundo todo e é um dos videomakers de casamento mais disputados do Brasil. E, assim como os Abdala Brothers, todo seu equipamento cabe numa mochila. Coelho é embaixador da Sony, DJI e Avell no Brasil.

Não tenho falado muito sobre isso, mas esta matéria é uma boa oportunidade. Na JPDOIS, nos últimos meses, passamos a adotar quase que uma estrutura de startup: mínima possível, mas com o máximo de eficácia. Afinal, se “todo mundo” tem uma (boa) câmera na mão e muitas ideias na cabeça, vamos usar isso a nosso favor.

Além disso, trazer boas referências de fora também é algo que adotamos nos últimos meses. Coloquei minha mochilinha nas costas e produzi vídeos na Itália, Inglaterra, Portugal, Irlanda e Estados Unidos. Lidar com situação fora do habitual e trabalhar nos maiores mercados do mundo ajuda muito a pensar fora da caixa e trazer boas experiências do que dá certo nos grandes centros.

Sempre um prazer falar sobre evolução. Mais prazeroso ainda é entender e fazer parte dela. O que não é para todos.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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