A cidade de Foz do Iguaçu se encontra em um verdadeiro canteiro de obras. Além de inúmeras obras particulares, as obras estruturantes seguem a todo vapor, colocando a região em outro patamar no desenvolvimento logístico.

Para somar ao que já está sendo desenvolvido na região, o projeto da Nova Ferroeste, maior projeto ferroviário do Brasil, surge como um braço importante nessa logística.

No que consistirá a Nova Ferroeste?

O projeto surgiu entre um acordo logístico dos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, e consiste em uma ligação ferroviária entre os três estados. Isso permitirá a redução do custo logístico em cerca de 28% e garantir o trânsito de mercadorias para consumo interno e, principalmente, para exportação de produtos como grãos, soja e milho e proteína animal processada e congelada.

Ao todo serão 1.567 km de trilhos que vão passar por 66 municípios. A rota principal vai conectar Maracaju (MS), ao Porto de Paranaguá (PR). Estão previstos ainda dois ramais: um deles liga Cascavel a Foz do Iguaçu – permitindo a captação de carga da Argentina e Paraguai – e o outro entre Cascavel e Chapecó – um dos maiores redutos da produção de proteína animal do país. Em quase todas as cidades ao longo da estrada ferro, o traçado irá desviar os centros urbanos e passará distante das áreas em desenvolvimento.

O Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental (EVTEA) indicou a circulação de 38 milhões de toneladas de grãos e contêineres no primeiro ano de operação da ferrovia. Deste total, 26 milhões devem seguir com destino à exportação, tornando essa malha ferroviária o segundo maior corredor de grãos e contêineres refrigerados do país.

“Ampliar a Ferroeste, hoje em operação entre Cascavel e Chapecó, é uma demanda antiga do setor produtivo, mas até hoje nenhum governo havia levado essa questão adiante. Em dois anos conseguimos contratar e realizar o EVTEA e o Estudo de Impacto Ambiental (EIA). No primeiro semestre fizemos as audiências públicas da parte ambiental e aguardamos agora a emissão da Licença Prévia pelo Ibama. Esse projeto é da Ferroeste, empresa estatal na qual o estado do Paraná é o maior acionista. Todas as etapas são acompanhadas por uma equipe multidisciplinar que compõe o Grupo de Trabalho do Plano Estadual Ferroviário com representantes de diversas secretarias estaduais”, explica o Coordenador do Plano Estadual Ferroviário, Luiz Henrique Fagundes.

O edital com as condições do leilão também está definido, a intenção é levar para a Bolsa de Valores do Brasil no primeiro semestre de 2023. Quem vencer o leilão terá que entregar o trecho entre Cascavel e o Porto de Paranaguá em sete anos a partir da assinatura do contrato. Depois dessa etapa o empreendedor vai informar em qual ordem vai executar as conexões com o Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Foz do Iguaçu. 

Mapa Nova Ferroeste
Mapa da Nova Ferroeste.

Benefícios para a região

Um dos principais objetivos da Nova Ferroeste é reduzir os custos logísticos e também ser um facilitador no transporte dos produtos. Luiz Henrique destaca que ao ligar esses três estados bem como a Argentina e o Paraguai, a região irá se tornar uma grande central logística. A Nova Ferroeste será o segundo maior corredor de exportação de grãos e contêineres refrigerados do país.

“Em breve, tudo isso vai passar pelo oeste do Paraná onde estão algumas das maiores cooperativas do Brasil. A grande vantagem da ferrovia em relação ao modal rodoviário é o custo e o tempo do transporte. O valor do frete vai ficar em média 30% mais barato. O mesmo estudo apontou que um contêiner refrigerado que sai de Cascavel para o Porto de Paranaguá vai realizar esse trajeto em 20 horas. Hoje são necessários cinco dias. As empresas vão se tornar mais competitivas, crescer e gerar novos postos de trabalho”, frisa.

Em Foz do Iguaçu, o ramal que se conecta com Cascavel, vai atrair, em sua maioria, carregamentos de grãos cultivados na Argentina e no Paraguai. A implantação da ferrovia será um grande atrativo para agricultores e empresas dos países vizinhos escoarem seus produtos pelo porto de Paranaguá.

O que muda em relação ao transporte de cargas

Luiz Henrique explica que com a Ferroeste em funcionamento toda a dinâmica da região oeste será modificada, em especial para as cooperativas que precisam acessar o porto e movimentam grandes volumes. Também haverá menos caminhões na estrada e, por consequência, menos acidentes e mortes. Os caminhoneiros irão poder fazer fretes mais curtos e frequentes sem precisar ficar distantes de casa por períodos tão longos.

“Além disso, a Nova Ferroeste vai reduzir em 46% a emissão de gases do efeito estufa em relação ao modal rodoviário. O resultado do projeto nesse sentido é tão significativo que nós passamos a integrar a Iniciativa de Mercados Sustentáveis, ligado à Coroa Britânica. Nos tornamos referência para o mundo como um projeto verde, sustentável que vai estimular o desenvolvimento socioeconômico”, completa.

“Com certeza irá contribuir muito para nossa região, principalmente no movimento de caminhões que deixarão de circular em nosso trecho até Cascavel, irá reduzir os preços dos commodities, também do trigo, soja que vem do Paraguai. Então isso é muito importante para a região e agregará nas cidades por onde a Ferroeste irá passar. Para Foz do Iguaçu será mais um marco.”

empresário Fernandinho Salinet
Fernandinho Salinet - CEO da Salinet Empreendimentos Imobiliários
Foto: Patrícia Buche

“O ramal da Ferroeste até Foz do Iguaçu é de extrema importância para nossa região. Nosso setor de transporte de cargas já é muito forte pela ligação comercial que temos com o Paraguai e com a Argentina. Todos sabemos que o transporte ferroviário é muito mais econômico, o que, com a Ferroeste, tornará nossos produtos muito mais competitivos para exportação e importação. Depois disso, porque não sonhar com a ferrovia chegando até Antofagasta no Chile, que uniria o Oceano Atlântico ao Pacífico e também a transposição fluvial na Itaipu que uniria vários estados com as indústrias de São Paulo à Bacia do Prata, com tudo isso Foz do Iguaçu se tornaria no polo comercial de transporte mais importante da América do Sul.”

empresário Paulo Pulcinelli Filho
Paulo Pulcinelli Filho - Panorama
Foto: Débora Fontana

“Como empresário atuante em Foz do Iguaçu e entusiasta por essa cidade, acredito que a Nova Ferroeste facilitará a logística de transportes com integração de suas modalidades, não apenas ajudando no escoamento de produção entre Mato Grosso do Sul e Paraná, mas entre os países que fazem fronteira com nossa cidade. O projeto, ainda, deverá fomentar a economia local, dará mais visibilidade à nossa cidade e atraindo novos investidores para os mais diversos setores. A obra será mais um passo ao desenvolvimento ordenado, consciente e com qualidade. É o desenvolvimento que nossa cidade merece e anseia, é mais um passo ao futuro que desejamos.”

empresário Caetano Ferreira Filho
Caetano Ferreira Filho - gestor da Lote Grande
Foto: Thaynara Pagno

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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