Todo mundo já deve ter ouvido falar dos perigos da leishmaniose, uma doença infecciosa, porém que não é contagiosa, mas é muito comum em cães. Apesar da doença não ser contagiosa e nem ser transmitida diretamente de uma pessoa para outra, nem de um animal para outro, nem dos animais para as pessoas, ainda assim é importante tomar os cuidados necessários caso seu cão teste positivo para a doença.

Conversamos com o pessoal do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Foz do Iguaçu para saber como está a situação da leishmaniose em Foz. Confira:

Atualmente quantos casos de leishmaniose visceral canina foram registrados na cidade? 

Somente no ano de 2022 (janeiro a julho) foram diagnosticados 108 animais positivos para Leishmaniose Visceral Canina. Vale ressaltar que estes números são de demanda espontânea, aqueles que buscam o CCZ para realizar o diagnóstico. O Centro de Controle de Zoonoses oferece o serviço de coleta de material e diagnóstico para a doença, basta entrar em contato com a central e agendar o atendimento do serviço.

A procedência dos animais com a doença é de cães que vivem nas ruas ou daqueles que têm tutores?

A leishmaniose visceral canina (LVC) é uma zoonose endêmica no município de Foz do Iguaçu, ou seja, já se encontra disseminada por todas as regiões e bairros da cidade, acometendo indistintamente animais domiciliados e não domiciliados.

O que acontece com esses cães de rua que têm a doença? Eles são levados para algum abrigo?

É preciso ponderar que, conforme estudo feito pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Foz do Iguaçu, entre 2018 e 2019, 56% dos cães encontrados nas ruas da cidade são semi-domiciliados, ou seja, animais que possuem tutores que lhes permitem acesso às ruas. Atualmente não há um programa específico para recolhimento de animais de rua no município. O CCZ desenvolve ações educativas nas escolas para coibir o abandono e o livre acesso às ruas pelos animais, além de realizar gratuitamente testes diagnósticos para os cães domiciliados.

No caso dos cães de rua, atende a chamados da população quando há suspeita de animais portadores da doença, nas vias públicas. Os animais com sinais clínicos evidentes e em condições de saúde débeis são recolhidos ao CCZ para avaliação e procedimentos possíveis incluindo encaminhamento das situações a Diretoria de Bem Estar Animal. É importante destacar que o tratamento contra a leishmaniose visceral canina é relativamente caro e necessita de acompanhamento médico veterinário.

Sobre os cuidados para evitar que seu animal pegue a doença, o que fazer?

A primeira e mais importante medida preventiva é não permitir que os cães tenham acesso às ruas, pois além do risco de se infectarem com a leishmaniose visceral, podem sofrer outros agravos (como atropelamentos, brigas, agressões), proporcionar crias indesejadas e se infectar com outras doenças, como a cinomose. Mas somente isso não basta.

Para prevenir a LVC são necessárias outras medidas, como manter os quintais, calçadas e lotes sempre livres de matéria orgânica (pois é nesse substrato que o inseto transmissor se reproduz) e colocar coleira repelente contra insetos nos cães. As coleiras servem tanto para prevenir a infecção do animal saudável quanto para impedir a disseminação da doença – para outros cães e para os seres humanos – a partir de um animal infectado. Complementarmente, ainda como medida preventiva, podem-se vacinar os cães contra a LVC em estabelecimentos veterinários privados.

Existe atualmente alguma campanha de vacinação contra a leishmaniose visceral canina?

Não há campanhas governamentais destinadas à vacinação em massa da população canina contra a leishmaniose visceral. Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que prevê a instituição da Política Nacional de Vacinação contra a Leishmaniose Visceral Canina como forma de prevenção à doença.

Porém, segundo especialistas, é preciso cautela, pois só há uma vacina disponível no Brasil (para vacinação individual de cães) e não há estudos, até o momento, que demonstrem dados referentes à redução efetiva de casos humanos ou se a vacinação em massa irá contribuir também para a redução da infecção para o vetor, considerando que o cão é um reservatório da doença.

Além disso, somente animais não infectados podem ser vacinados, fazendo-se necessária a realização de exames diagnósticos prévios em todos os cães, o que torna extremamente oneroso e difícil o processo.

Quais serão as ações para a semana de combate à leishmaniose?

Esta semana, de 10 a 17/08, é a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose, promovida pelo Ministério da Saúde, ela engloba todas as leishmanioses. O CCZ é o responsável pela vigilância da Leishmaniose Visceral Canina, desta forma estaremos realizando o diagnóstico da doença em cães na sede do CCZ. Este serviço é ofertado em nossa rotina de atividades e pode ser agendado pelo telefone 2105-8730 ou 999974448 (Whatsapp).

Além do diagnóstico estaremos realizando capacitações nas escolas públicas do município sobre a importância de se manter os ambientes livres de matéria orgânica acumulada, bem como a importância da guarda responsável de seus animais.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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