Passeata em Foz do Iguaçu no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, irá combater o machismo, denunciar a violência de gênero e as políticas governamentais que retiram direitos. A concentração será a partir das 17h, no Bosque Guarani, em frente ao terminal de ônibus, seguida de marcha pelas principais ruas da região central.

A programação, a ser divulgada integralmente na próxima semana, é organizada por entidades sindicais, movimentos sociais, coletivos e órgãos de serviços de atendimento à mulher. O objetivo é reunir a comunidade – homens, mulheres e pessoas LGBTI+ – das cidades fronteiriças do Brasil, Paraguai e Argentina.

Conforme a organização, Foz do Iguaçu integra todos os anos a programação alusiva ao Dia Internacional da Mulher como uma data de reflexão, conscientização e reivindicação. A iniciativa é um contraponto a eventos comemorativos e comerciais que não espelham a mulher como agente de sua emancipação.

Diretora da APP-Sindicato/Foz e uma das promotoras da marcha iguaçuense, a professora Madalena Ames explica que o esforço é para mobilizar conjuntamente as mulheres brasileiras, paraguaias e argentinas.

“Vamos às ruas denunciar o machismo, a violência que sofremos todos os dias e os ataques a direitos sociais e trabalhistas”, frisa.

Ela ressalta que o movimento não poupará críticas ao governo federal. “Suas posturas conservadoras, que a todo o tempo tratam a mulher como objeto, refletem no modo de pensar da sociedade, elevando o machismo e a violência”, assevera.

“Essa forma de pensar e de agir do presidente também contribui para retrocessos nos direitos constitucionais”, expõe.

“Precisamos dar um basta a todas as formas de violência e medidas que tornam ainda mais duras as condições de vida da mulher”, analisa. “E a mobilização em Foz tem esta finalidade: fazer a sociedade entender que a luta pela dignidade e pela vida é um dever de todos”, conclui Madalena Ames.

Os dados da violência contra a mulher são alarmantes. Somente no Paraná, foram 211 feminicídios e 43.038 ocorrências de casos de violência física em 2020, sendo o estado mais violento da Região Sul. A pandemia agravou o problema: oito mulheres foram agredidas fisicamente por minuto no país e em sete a cada dez casos, o autor da violência era conhecido da vítima.

Em 53% dos casos mais graves de violência, as vítimas são mulheres negras ou pardas, e 48% dos abusos acontecem dentro da própria casa, denuncia Ieda Possebon Ovelar, secretária da Mulher Trabalhadora e Direitos LGBTQIA+ da APP-Sindicato/Foz. “Precisamos dar um basta, envolvendo toda a sociedade na luta contra o machismo e a violência”, conclui.

A programação está sendo construída por mulheres de movimentos sociais e populares, entidades sindicais, conselhos municipais, coletivos, partidos, ONGs e militantes independentes dos três países da fronteira.

Sinal vermelho contra a violência

Sofreu maus-tratos ou testemunhou uma situação de violência? Anote e divulgue os canais para denunciar – inclusive de forma anônima –, pois eles ajudam a salvar vidas:

180: Central de Atendimento à Mulher
181: Disque-denúncia
153: Patrulha Maria da Penha
190: Polícia Militar
CRAM – Centro de Referência em Atendimento à Mulher: 08006438111
Delegacia da Mulher nas cidades

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