A Ponte da Integração, que está sendo construída entre o Brasil e o Paraguai, será a terceira ponte internacional de Foz do Iguaçu e se destaca pelo emprego de diferentes sistemas construtivos e de novas tecnologias.

“Muitas características técnicas interessantíssimas empregadas na Ponte da Integração permitem dizer que Foz do Iguaçu está na vanguarda da construção de pontes. Tanto é que o vão principal da ponte é o maior vão da América Latina”, comenta o docente de Engenharia de Estruturas Aref Kzam.

A nova ponte terá 760 metros de comprimento e um vão livre de 470 metros. A previsão é que a obra esteja concluída no segundo semestre deste ano.

As principais diferenças entre as três pontes, diz Aref, está em seus sistemas estruturais: a Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, utiliza o sistema de arco, um dos primeiros sistemas estruturais utilizados pela engenharia; a da Fraternidade, que liga o Brasil à Argentina, é uma ponte construída em sistema de vigas; e a da Integração, também ligando ao Paraguai, é do tipo estaiado.

Mas as pontes também possuem similaridades. A da Amizade e a da Integração utilizam o sistema de fundação direta.

“A fundação é construída diretamente em cima da rocha resistente [o basalto]. Do ponto de vista técnico e econômico, é interessante fazer fundações diretas nessa rocha resistente”, explica. Outra similaridade está no processo construtivo, o de balanço sucessivo, escolhido em razão da largura dos rios. “E também para que não houvesse nenhum tipo de impedimento da navegabilidade, [por isso] o vão livre dessas pontes”, comenta o engenheiro. Ele lembra que a tecnologia do balanço sucessivo foi criada por um brasileiro, Emílio Baumgart, na década de 1930.

Aref ressalva que a construção de uma ponte não utiliza apenas um sistema construtivo. “Importante destacar que na Ponte da Integração, por conta do avanço tecnológico, muitos sistemas construtivos foram utilizados”, diz ele. Um desses sistemas, específico para a construção do pilar, é o de fôrmas deslizantes – que proporciona a concretagem contínua de estruturas, não sendo necessário aguardar por muito tempo a cura do concreto. “Um sistema interessante de se utilizar nas estruturas em geral, não só em pontes. Isso garante agilidade e menos desperdício de material, corroborando com a sustentabilidade da obra, que é um tema extremamente importante hoje em dia na área de construção civil.”

Ponte da Integração
Foto: Rubens Fraulini (Itaipu Binacional).

O sistema estaiado, usado para a Ponte da Integração, vem sendo aplicado mais frequentemente na construção de pontes por oferecer mais possibilidades. “A grande vantagem é a de ser uma ponte que permite utilizar elementos estruturais mais esbeltos”, explica o docente. “Se fizesse exclusivamente em concreto armado, ficaria extremamente pesado. A gente teria estruturas robustas, muito grandes, que certamente aumentariam o peso e tornariam economicamente inviável a construção. O sistema estaiado permite utilizar aduelas de aço, que são elementos estruturais mais leves que os de concreto.”

Outro fator importante a se destacar, além dos sistemas construtivos, comenta Aref, é o avanço da tecnologia dos materiais, o que permite um projeto arquitetônico mais arrojado. “O sistema estaiado, de fato, é um sistema muito eficiente.” Na Ponte da Integração, está sendo utilizado o sistema estaiado do tipo leque assimétrico. “Os cabos de aço que sustentam o tabuleiro [laje] do vão principal são mais espaçados, num formato do tipo leque. Eles convergem para um ponto em cima do mastro principal da ponte.”

Impacto para a região

Para Aref Kzam, Foz do Iguaçu “tem a vocação para grandes empreendimentos”, como as duas pontes já construídas, que “produziram grandes modificações na dinâmica tanto social quanto econômica” da região trinacional. “A construção desse empreendimento [a Ponte da Integração] em Foz do Iguaçu vai possibilitar inúmeras vantagens”, avalia.

A principal delas seria a fluidez no trânsito de caminhões de carga entre os países da fronteira. “A construção da Ponte da Integração associada à construção da Perimetral Leste vai permitir que esse escoamento de produção tanto para importação quanto para exportação seja realizado de maneira mais fluida”, pontua. Ele aponta a necessidade de aprimoramento do processo de desembaraço aduaneiro para melhorar ainda mais esse fluxo de veículos.

Para ele, é necessário que sejam elaboradas políticas públicas para garantir o desenvolvimento regional a partir da obra.

“A Ponte da Integração não pode ser encarada como apenas uma rota de passagem. A gente não pode pensar numa cidade que simplesmente está construindo uma ponte para deixar os caminhões passarem e não trazer nenhum tipo de desenvolvimento para a região.” Ele cita alguns dados que mostram a importância da cidade no comércio internacional, como o fato de Foz possuir o maior porto seco da América Latina. E lembra que a cidade pode integrar um modal de transporte rodoviário e ferroviário que está sendo desenhado no Brasil, tornando-se um hub agrícola para a distribuição da produção brasileira e também paraguaia, hoje fortemente dependente de hidrovias. “Veja o potencial logístico de Foz do Iguaçu com todos esses modais, tanto modal hidroviário quanto modal rodoviário e o ferroviário numa rede, numa interligação, permitindo o desenvolvimento dessa região”, aponta. “Foz do Iguaçu não pode ficar fora”, reforça.

Assista a entrevista completa em https://bit.ly/unila_pontes

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