No contexto global, com a entrada da internet 5G, ou internet das coisas, teremos uma revolução em vários aspectos da sociedade, em especial da mobilidade urbana. O 5G irá permitir o avanço dos veículos autônomos, tanto terrestres quanto aéreos, já vivemos uma transição para veículos elétricos, o que tornará as cidades mais limpas. A associação do transporte autônomo com o 5G irá propiciar o compartilhamento mais intensivo, transformando o ir e vir em uma oportunidade mais intensa de trabalho ou mesmo lazer. Uma consequência imediata será o fim da era do veículo de transporte individual, não valerá mais a pena ter um carro na garagem, e sim uma assinatura de um serviço que pode ser terrestre ou aéreo. Infelizmente, e há que se planejar essa transição, em 10 ou 15 anos não haverá mais o serviço de táxi guiado como conhecemos.

A Região Trinacional está preparada para o Transporte Urbano Aéreo?

Edificações de uso público terão que ser adaptadas com espaços para pouso e decolagem dos EVTOLS, as grandes áreas de estacionamentos dos veículos privados dos clientes, deverão transformar-se em estações de chegada e partidas dos veículos terrestres autônomos e compartilhados. As ruas deixarão de ser tão congestionadas, em decorrência não só do serviço aéreo e autônomo bem como do legado recente da pandemia, milhões de profissionais autônomos que adotaram e agora permanecem em home office.

Na questão ambiental regional, é fundamental que se destaque o papel do Parque Nacional do Iguaçu (PNI), um ativo ambiental que chama a atenção do mundo, não só pelas cataratas, mas pela biodiversidade existente. Um dos importantes focos de trabalho que vem sendo desenvolvido na região pelas lideranças relacionadas à educação ambiental, à pesquisa na área ambiental e nas próprias lideranças do parque, é aumentar a significância e pertencimento do parque nas comunidades de entorno, auxiliando e dando o tom do desenvolvimento sustentável da região.

Entrando no aspecto local da mobilidade urbana, Foz está inserida numa metrópole trinacional cada vez mais integrada, com uma população de 2.271.082 habitantes e com megaprojetos de logística internacional. A interligação da hidrovia Paraná-Tietê à ferrovia bioceânica, somado aos três aeroportos internacionais e considerando a transformação do aeroporto de Foz do Iguaçu para recebimento e envio de cargas internacionais, irão alçar nossa região ao patamar de cidade-HUB logístico internacional. É muito provável que em decorrência desta integração, nossa região receba um Centro de Distribuição de Market Place, como Mercado Livre ou Amazon, além de outros mega-empreendimentos focados nesta nova vocação.

Tudo isso é uma grande oportunidade, mas também um perigo, se determinados cuidados não forem tomados no planejamento territorial. Há que se colocar na conta o incremento populacional e déficit habitacional de Foz do Iguaçu de algo em torno de 6 mil domicílios. O tráfico de entorpecentes, formação do estado paralelo e outros problemas das grandes cidades, já começam a aparecer em Foz do Iguaçu.

O desenvolvimento para ser sustentável, deve ser acessível para toda a população.

Alexandre Balthazar
Alexandre Balthazar é professor universitário, arquiteto e urbanista.

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