O uso do canabidiol (CBD) medicinal está cada vez mais em alta no mundo, devido às comprovações científicas que demonstram a eficácia no uso para o tratamento de diversas doenças como a ansiedade, depressão, alzheimer, autismo, epilepsia refratária, dor crônica, entre outros. Além disso, o CBD é recomendado também para o uso preventivo, promovendo qualidade de vida e bem-estar.

E para incluir no mercado um produto de alta qualidade, com preço acessível e rapidez logística, os jovens empresários Diego Barros e André Kochem desenvolveram a Koba, um óleo de CBD fabricado no Paraguai e que terá comercialização no Brasil.

Para isso, eles organizaram um evento, no dia 17 de março, no Mabu Thermas Grand Resort, em Foz do Iguaçu, para médicos e profissionais da área da saúde. Além de apresentarem o produto, os sócios convidaram quatro palestrantes, com expertise na área da cannabis, para falarem sobre o uso, os benefícios nos tratamentos e também a crescente demanda do mercado pelo produto.

A Revista 100fronteiras de março destaca na capa os empresários e produziu uma reportagem completa sobre a Koba. No evento, os convidados também tiveram acesso ao conteúdo e se informaram sobre o uso medicinal da cannabis.

Informação e respeito

Os quatro convidados tiveram cerca de 20 minutos para apresentarem aos profissionais presentes no evento quais são os benefícios do uso da cannabis e como prescrever esse medicamento aos pacientes que necessitam.

Evento de lançamento da Koba, óleo de CBD
Dr. Francisney, Alex, Dr. Flávio e Dr. Elton, palestrantes do evento.

O primeiro a falar foi o Dr. Elton Gomes da Silva, neurocirurgião e doutor em neurologia, que atua em Foz do Iguaçu e prescreve o uso da cannabis medicinal desde 2015. Atualmente ele é também o Head Doctor da Koba e contextualizou a história em torno da descoberta do uso da cannabis medicinal, que começou na década de 60, com a descoberta dos canabinóides, onde passou-se a estudar a utilização deles para algumas doenças, principalmente para crise epilética. Mas nesse mesmo período, o uso da cannabis foi condenado no mundo, o que atrasou as pesquisas na área. Já no começo dos anos 2000 houve um boom nos estudos sobre o uso da cannabis medicinal. E com o advento da pandemia, o número de publicações científicas cresceu consideravelmente, em todo o mundo.

No Brasil, especificamente, começou em 2014 os debates sobre o uso dos canabinóides, principalmente para crianças com epilepsia. No entanto, a Anvisa seguia proibindo o uso do medicamento no país. Em 2015 a Anvisa liberou o uso de canabidiol para epilepsia e em 2016 liberou para outros usos terapêuticos. E em 2017 saiu um estudo na New England sobre o uso do medicamento para epilepsia refratária, que diminua as crises em crianças, o que foi um marco para que os estudos clínicos avançassem.  Em 2019 a Anvisa regulamentou o uso de CBD e THC (tetrahidrocanabinol). E em 2020 a Anvisa simplificou a importação desse tipo de medicação. No entanto, hoje ainda há uma dificuldade para os pacientes que necessitam do medicamento terem acesso a ele, devido aos altos custos.

Dr. Elton, também citou seu primeiro paciente a ser tratado com CBD. Uma criança que tinha epilepsia refratária e já tinha feito uso de diversos medicamentos. A mãe chegou até ele em 2015 e pediu se ele poderia prescrever o uso de canabidiol para o filho. O doutor não tinha conhecimento sobre o uso, mas foi atrás, pesquisou em artigos científicos e começou a receitar doses pequenas à criança. Em pouco tempo, com o aumento gradativo das doses, a criança melhorou das crises epiléticas. E a partir de então o doutor avançou os estudos na área e passou a prescrever o uso para os pacientes que necessitam.

“Hoje, o uso de canabinóides é indicado, conforme os estudos clínicos, para a dor, com o uso de CBD junto com THC, e para esclerose múltipla. Para a epilepsia, o CBD sozinho. Para tratamentos paliativos, THC junto com CBD. E para perda de peso, nos casos de câncer, também o CBD com THC. Já estudos com evidência moderada, o uso de canabinóides é indicado para tratamentos de doença de parkinson, alzheimer, glaucoma, síndromes do estresse pós traumático, ansiedade e algumas patologias dermatológicas”, destacou o doutor.

O segundo a palestrar foi o Dr. Flávio G. Alves, médico e diretor científico da Associação Panamericana de Medicina Canabinóide, de São Paulo. Ele comentou sobre como conheceu o sistema endocanabinóide, em 2015. E destacou que esses estudos infelizmente não fazem parte da formação dos médicos.

O sistema endocanabinóide é um sistema biológico composto por endocanabinóides, que são neurotrasnsmissores retrógados endógenos baseados em lipídios que se ligam a receptores canabinóides (RCs) e proteínas receptoras de canabinóides que são expressas em todo o sistema nervoso central dos vertebrados e sistema nervoso periférico. Os receptores CB1 são encontrados predominantemente no cérebro e no sistema nervoso central, o CB2 concentra-se maioritariamente nos órgãos, tecidos, músculos, deslocando-se quando necessário, por exemplo quando consumimos pimenta preta o nosso organismo promove a produção de receptores CB2.

Ele contou a história do pai da cannabis, prof. Raphael Mechoulam, que nos anos 1960 identificou o THC e posteriormente, identificou o CBD, uma das moléculas de maior propriedade terapêutica existentes. No entanto, o uso medicinal da planta já é usada há mais de cinco mil anos.

Ele explica que a planta cannabis sativa possui mais de 500 compostos químicos, sendo que destas, mais de 100 são canabinóides, moléculas que tem propriedade terapêutica. O Dr. enfatizou também que o canabidiol é ansiolítico, antidepressivo, antipsicótico, anticonvulsivante, tudo isso baseado na regulação do sistema endocanabinóide.

“O uso do canabidiol ajuda a potencializar o equilíbrio do sistema endocanabinóide presente no nosso organismo. Ou seja, ele vai estimular os receptores CB1 e CB2 para fazer o controle e atingir a homeostase”.

Já o Dr. Francisney Nascimento, pós-doutorado em neurofarmacologia e que atua na Unila, em Foz do Iguaçu, tendo especialidade em uso da cannabis medicinal, falou sobre o uso clínico do CBD e a importância de utilizar a cannabis para repor o nosso sistema endocanabinóide. “Quando a gente envelhece, a gente produz menos canabinóides, o que nos torna mais suscetíveis a várias doenças. Por isso, penso que no futuro vamos ouvir falar muito sobre a reposição canabinóide, em pacientes acima dos 50, 60 anos, para impedir que ficam suscetível a doenças”.

Por fim, Alex Lucena, diretor de inovação e sócio do The Green Hub, também de São Paulo, falou sobre a empresa que através da inovação auxilia no avanço da regulamentação da cannabis medicinal no Brasil e no mundo.

“Estamos criando uma indústria diferente das demais, que se preocupa com questões sociais e ambientais. E em maio iremos para um evento, onde pela primeira vez a cannabis será pauta em um evento da ONU, em Nova York”.

Ele também ressaltou que no Brasil existem 500 mil médicos, no entanto apenas cerca de 1200 prescrevem o uso da cannabis medicinal. E também destacou a importância da acessibilidade do produto nas farmácias do Brasil, para que famílias que necessitam do tratamento possam ter acesso ao medicamento.

Ao final das palestras o público presente fez perguntas aos profissionais e uma delas era relacionada aos efeitos colaterais e dependência do CBD. Dr. Flávio destacou que em alguns casos causa sonolência nos pacientes e diminuição do apetite. “Ao contrário do que a gente imagina, na qual o uso recreativo causa aumento do apetite, o uso de canabidiol promove a diminuição do apetite, pois o aumento do apetite está relacionado ao uso de THC. E como as doses são muito pequenas é muito difícil ter efeitos colaterais. E em questão de dependência, sabemos que o cânhamo é um dos que menos produzem dependência, diferente do álcool ou fumo”.

Koba, o essencial vive em você

Após as palestras, houve uma apresentação cultural da Cia do Corpo, relacionada ao equilíbrio. Na sequência, Diego Barros e André Kochem subiram ao palco para apresentarem a marca Koba. “Quero agradecer a Cia do Corpo, fiquei muito emocionado, pois a apresentação representa muito o que é a Koba, o equilíbrio é algo que estamos buscando e a Koba é mais uma dessas ações”, destacou Diego.

Evento de lançamento da Koba, óleo de CBD

André também reforçou que “o que nós queremos destacar é que o uso de CBD não deve ser a ação final, precisa ser o inicio. Não gostamos de chamar de medicamento, preferimos dizer que a Koba é um suplemento, um nutriente essencial para o corpo”.

Os empresários destacaram também como foi o processo de criação da Koba, que iniciou em julho de 2021, onde eles analisaram e testaram mais de 200 marcas internacionais para encontrar a formulação correta. Fizeram análises durante três meses até chegar ao produto final. Também utilizaram a estrutura e knowhall de uma empresa americana que já atua no mercado, e estruturaram o laboratório em Assunção no Paraguai, onde o produto é fabricado e produzido, para depois ser distribuído no Brasil. Assim, além dos dois, a Koba conta com um sócio no Paraguai (Dr. Marcelo Demp), que é presidente da CCIP (Câmara de Cânhamo Industrial do Paraguai) e pioneiro cannábico no país e nos EUA (Chris Hammer) que cuida das formulações.

Evento de lançamento da Koba, óleo de CBD
André e Diego.

Toda a regulamentação brasileira que permite a comercialização do produto no Brasil, a RDC 335 que passou a ser conhecida como RDC 570, já está ok, ou seja, a Koba já tem autorização para a importação direta por pacientes com prescrição médica.“De acordo com essa regulamentação não é permitido ter estoque do produto Koba no Brasil. Assim, quem precisa fazer uso do produto, realiza uma consulta com um médico prescritor e, logo após, entra em contato conosco, pelos nossos canais. Então, a Koba dá todo o suporte para obter a autorização da Anvisa, que é emitida automaticamente após ter a prescrição médica. Com isso o paciente está autorizado a fazer a compra pelo nosso site e o produto importado chega na sua casa de 7 a 10 dias”.

Além de ofertar a venda da Koba pelo e-commerce nos próximos dias, alguns dos principais objetivos dos sócios é em abril começarem um trabalho com atletas olímpicos da canoagem, atletismo, ginástica, entre outros, pois são atividades que demandam esforço e concentração e o uso do óleo CBD ajudará esses atletas.

Também farão o lançamento de novos produtos da marca e esperam que em 2023 a Koba esteja disponível para a venda em todas as farmácias do Brasil.

Evento de lançamento da Koba, óleo de CBD
Todas as pessoas que fazem parte do time da Koba.

Outra novidade é o aplicativo Koba+ que reunirá informações sobre o uso da cannabis medicinal e também ter até julho deste ano 500 médicos cadastrados na plataforma do site, para prestarem serviço de telemedicina aos pacientes.

Além disso, realizar mais eventos informativos sobre a importância do uso de CBD para a melhora da qualidade de vida.

“Através da ciência e da natureza, estamos aqui para promover a sustentabilidade, o consumo consciente, o equilíbrio e um estilo de vida mais saudável para todos”.

diego barros, ceo da koba.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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