O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Anatalicio Risden Junior, participou na manhã desta quarta-feira (1°) de uma audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em Brasília.

O evento tratou principalmente da negociação sobre as condições de comercialização da energia gerada pela hidrelétrica. O Anexo C do Tratado, assinado em 1973, define as bases financeiras e de prestação de serviço de eletricidade que poderão ser revistas a partir de agosto de 2023. 

Em sua fala, Risden foi enfático ao afirmar que o Anexo C do Tratado, que rege as bases financeiras do acordo binacional, pode continuar em vigor caso haja entendimento das duas partes.

“Pode ser revisto após 50 anos, mas não significa, necessariamente, que tenha que haver essa revisão.  A decisão, no final, será das Altas Partes”, disse. Segundo ele, a relação entre os dois governos segue sendo de muito respeito e parceria e as decisões serão tomadas de forma diplomática.  “A cogestão é de sucesso, a binacionalidade funciona, as decisões não são fáceis, mas possíveis. Nosso relacionamento hoje é o melhor possível”, destacou. 

Almirante Risden
Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados.

Já o secretário de Negociações Bilaterais e Multilaterais nas Américas do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, ressaltou que o Itamaraty tem um interesse particular na discussão sobre o tratado.

De acordo com ele, as conversas já vêm ocorrendo há um tempo e se busca uma solução que seja boa para ambas as margens do Rio Paraná. “Não será um jogo de soma zero, haverá benefícios mútuos e oportunidades para os dois países”. 

Agnes da Costa, chefe da Assessoria Especial em Assuntos Regulatórios do Ministério das Minas e Energia, lembrou aos deputados que decisões sobre assuntos estratégicos do setor energético no país são tomadas com base em estudos técnicos de órgãos ligados ao ministério e, neste caso, à própria Itaipu. Para ela, essas informações servirão de norte para a discussão.  

O diretor-geral brasileiro aproveitou a oportunidade para apresentar a Itaipu aos parlamentares e ressaltou o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável.

“Somos uma das poucas empresas de energia do mundo que recuperou áreas de mata equivalentes ao reservatório. Plantamos mais de 24 milhões de árvores, um feito reconhecido internacionalmente, mostrando um papel importante de produzir não só energia sustentável e limpa, mas principalmente do cuidado com o meio ambiente”.

A Itaipu

Com 20 unidades geradoras e 14 mil MW de potência instalada, a Itaipu Binacional é líder mundial na geração de energia limpa e renovável, tendo produzido, desde 1984, 2,8 bilhões de MWh. Em 2021, a hidrelétrica foi responsável pelo abastecimento de 8,4% de toda a energia consumida pelo Brasil e 85,5% do Paraguai.

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