Foz do Iguaçu possui mais de 107 anos de história e, apesar de não ter um museu de memória para guardar e relembrar ícones e personagens que fizeram parte do começo da construção da cidade, ainda existem alguns prédios históricos em pé. Um deles – que é um ícone para Foz do Iguaçu – é o atualmente conhecido como 5º Colégio da Polícia Militar (CPM), antigo Colégio Bartolomeu Mitre.

E, para destacar o prédio histórico a Eletromil – uma empresa iguaçuense fundada em 1996 por Ademir Boldrini – idealizou um projeto de iluminação cênica, uma iluminação direcionada que destaca os objetos e transforma o ambiente em um tipo de cenário.

Sobre a Eletromil

A Eletromil é um grupo empresarial familiar iguaçuense que atua no setor varejista de materiais elétricos e na prestação de serviços de engenharia em todo o oeste paranaense. Com mais de 20 anos de atuação, a Eletromil se consolidou como referência em execução de redes de distribuição de energia elétrica, execução de serviços de iluminação urbana, bem como fornecimento de materiais elétricos. Desde o seu nascimento, a empresa sempre prezou pelo compromisso de levar energia a todas as pessoas, tanto na cidade como no campo. Com uma equipe técnica qualificada, foi responsável pela iluminação de grandes obras na cidade e região, consolidando-se como a maior e mais segura construtora de redes de distribuição de energia do Paraná. A Eletromil é a primeira empresa privada de Foz do Iguaçu a ser signatária do Pacto Global das Nações Unidas, uma iniciativa promovida pela ONU, com o objetivo de encorajar a cidadania empresarial. 

Ariel Boldrini, sócio proprietário da Eletromil, destaca que desde 2018 tem esse projeto em mente, mas teve dificuldades de conseguir executá-lo. Mas agora, durante a pandemia, vendo os bares e restaurantes fechados, sentiu a importância de ter esse espaço da Praça do Mitre e do 5ºCPM iluminados, para ajudar na volta da movimentação da região central de Foz e também valorizar os prédios históricos.

A intenção visa colaborar com a sociedade ao tornar a praça um lugar sociável e um ponto turístico. A principal referência e inspiração de Ariel foram as cidades de Curitiba e Gramado, onde existem vários prédios históricos na cidade que são enaltecidos pela iluminação cênica. Além disso, Ariel vê grande potencial na avenida Jorge Schimmelpfeng e acredita que seja possível criar um circuito de visitas aos prédios históricos do centro de Foz e, no futuro, transformar a Avenida em um passeio público noturno, nos moldes de Gramado, Miami e Buenos Aires.

Iluminação no 5CPM Eletromil

“A escolha pela praça Mitre foi a ligação com os bares e restaurantes. Sempre achamos que a avenida poderia ser uma via iluminada, com um passeio noturno, iluminando as palmeiras e fazendo a hotelaria, os bares e restaurantes adotarem uma iluminação mais neon, dando vida para ela”.

ariel boldrini, empresário da eletromil

Bom, o primeiro passo a Eletromil já deu. Depois de três anos tentando uma autorização para poder executar o projeto, no dia 23 de agosto deste ano Ariel mandou um ofício para a Uniamérica, que foi parceira no desenvolvimento do projeto juntamente com os alunos de engenharia elétrica e arquitetura; e no dia 02 de setembro inclui os órgãos públicos no projeto para conseguir iluminar a Praça do Mitre. Além disso, conseguiu autorização do Major Marcos, responsável pela gestão do 5º CPM para iluminar o prédio histórico.

“Juntamente com os alunos da Uniamérica, que desenvolveram o pré-projeto da iluminação cênica por meio do projeto integrador da faculdade, nós da Eletromil bancamos os custos do projeto e realizamos a execução da iluminação que abrange a Praça do Mitre e a fachada do 5º Colégio da Polícia Militar”, destaca Ariel.

A iluminação foi inaugurada na sexta-feira, 26 de novembro, e desde então a região da Praça do Mitre ganhou uma nova roupagem, tirando aquele ambiente hostil que pairava sobre a praça, presenteando a cidade e os turistas com um local iluminado, agradável de visitar e que agora proporciona mais um ponto turístico para quem visita Foz do Iguaçu, principalmente à noite, além de resgatar a imagem de um prédio histórico.

Ariel e Ademir Boldrini, proprietários da Eletromil
Ariel e Ademir Boldrini, proprietários da Eletromil.

“Achei sensacional, não conhecia o Ariel e quando ele me chamou para apresentar o projeto e ele também não sabia o que estávamos fazendo internamente. A visão que ele teve como integrante de uma sociedade foi perceber uma dificuldade existente, e ele tendo possibilidade está fazendo a parcela dele, por conta. Isso que é bacana. Nós também trabalhamos com parcerias, não esperamos só pelo poder público, então às vezes não atrapalhando já ajuda um monte. O que vi na Eletromil foi um parceiro, pois se complementa com o que queremos fazer que é a valorização da fachada e cuidado com a praça. A melhoria na iluminação vai ajudar em muitas questões, além da segurança do local, também no turismo. Não é um benefício para a Polícia Militar, o direito de usufruir dessa imagem é do turismo, do morador que quer visitar o local e a iluminação faz com que as pessoas mal intencionadas que transitam pela praça procurem outro local”, destaca o Major Marcos. 

Ademir e Ariel Boldrini, proprietários da Eletromil e Major Marcos
Ademir, Ariel e Major Marcos.

Materiais doados pela Eletromil

  • 157 lâmpadas
  • 1000 metros de cabos de fios
  • 03 cores utilizadas (2700K, 3000K e 4000K)
  • 08 tipos de luminárias utilizadas
  • 175 novos pontos de instalação elétrica

5º Colégio da Polícia Militar

Se pelo lado de fora a Eletromil foi a responsável por iluminar o prédio histórico e a praça, do lado de dentro do 5ºCPM o responsável por dar uma nova cara ao modelo de ensino e estrutura do colégio é o Major Marcos.

No dia 07 de novembro de 2018 por meio do Decreto Estadual nº 11.619, ficou decretado que o antigo Colégio Bartolomeu Mitre se tornaria o 5º Colégio da Polícia Militar. Quem escolheu esse colégio para ser gerido pela Polícia Militar foi o Núcleo Regional de Educação (NRE/FI). Assim, o Major Marcos foi nomeado para ser o responsável pela gestão do colégio. Mas ele fez mais do que isso, ele iniciou por conta própria um grande projeto de reforma do colégio que estava em partes, destruído e abandonado. “Em 2018 o colégio tinha três turnos (manhã, tarde e noite), mas apenas 450 alunos e a indicação foi porque o colégio estava decrescendo o número de alunos e o NRE/FI queria aumentar”, destaca o Major.

Colégio Bartolomeu Mitre antigo
Antigo Colégio Bartolomeu Mitre. (Foto: Arquivo 5º CPM)

Com isso, no momento em que foi divulgado que o antigo Colégio Mitre se tornaria o 5º CMP, alguns diretores, professores e funcionários do colégio foram contra essa mudança. Mas, se alguns funcionários eram contra, por outro lado os pais comemoram a mudança. A prova disso é que dos 450 alunos em 2018, em 2019 ano de transição, o número subiu para 900, tendo uma grande fila de espera. “Tínhamos quase 100% de rejeição no colégio quando chegamos, de diretores, professores e funcionários. A nossa recepção foi com uma faixa escrita a data de nascimento e ‘óbito’ do colégio. Mas, pelo contrário, a aceitação por parte dos pais foi muito grande, alunos que estudavam em colégios particulares passaram a estudar aqui. Isso mostrou que a sociedade iguaçuense queria algo diferente”, destaca o Major.

5º Colégio da Polícia Militar
5º CPM com pintura nova. (Foto: Arquivo 5º CPM)

Assim, no dia 15 de fevereiro de 2019 foi iniciado o ano letivo no colégio que permaneceu com o nome Bartolomeu Mitre até o final de 2019. Já de cara fizeram diversas reuniões com professores e pais para mostrar qual era o projeto do 5º CPM.

Várias mudanças foram acontecendo com o tempo na rotina e no comportamento do colégio. Uma delas foi a ordem matinal. “Os alunos chegam no colégio e se organizam em filas para entrar para a sala de aulas. Além disso, cobramos o uso obrigatório de uniforme escolar. O celular passou a ficar desligado e guardado na entrada em um porta celular que criamos”, explica o Major.

5º Colégio da Polícia Militar
Alunos em ordem no pátio do colégio. (Foto: Arquivo 5º CPM)

Também foi criado um Clube de Mães e Amigas na intenção de ajudar os alunos de famílias mais carentes. Assim, as mães voluntárias buscam arrecadação para ajudar essas famílias e realizam diversas ações beneficentes durante o ano para arrecadar dinheiro para melhorias dentro do colégio também. Elas têm uma sala dentro do colégio onde fazem reuniões e guardam os materiais.

“Criamos também diversos projetos internos como Aluno Destaque, que precisa ter média acima de 80 e os que se destacam ganham um certificado numa solenidade interna; aulas de música em parceria com o 34ºBIMec e aulas de jiu-jitsu, ambos no contra turno escolar; temos alunos Destaque Esportivo, pois identificamos que há alunos que competem e que passaram a serem reconhecidos no colégio; solenidades cívicas que não existiam passaram a estar no calendário de comemorações do colégio; além de  visitas ao Batalhão, Corpo de Bombeiro, Marinha e Aeronáutica”.

Junto com as ex-professoras, fizeram um resgate histórico de fotos e documentos do antigo Colégio Mitre. Hoje as fotos estão disponíveis no museu virtual no site do 5º CPM. “Fotos raras, históricas, que estavam abandonadas e por pouco não se perderam. O grupo de pesquisa achou mais de duas mil fotos e documentos. Além disso, perceberam a falta de muitos instrumentos musicais que desapareceram, pois não havia um controle dos equipamentos do colégio. Essa questão histórica, desde o início, sempre foi uma preocupação nossa, de resgatar, manter e preservar, apesar dos discursos contrários”, frisa.

O colégio ganhou pintura nova na parte externa e na parte interna houve pintura nas salas e corredores. Foi criada uma sala dos professores, o pátio foi reformado, assim como o ginásio de esportes. Criaram a Associação de Pais e Mestres onde os pais participam e fazem uma doação mensal voluntária para que o colégio tenha verbas para fazer as reformas.

Colégio Bartolomeu Mitre antigo
Pátio antes da reforma. (Foto: Arquivo 5º CPM)
5º Colégio da Polícia Militar
Pátio depois da reforma. (Foto: Arquivo 5º CPM)

“É importante destacar que somos um colégio estadual e recebemos o mesmo valor que outros colégios estaduais. Os professores são da rede pública concursados do estado, o que muda é que a gestão é da Polícia Militar. Então não ganhamos nada a mais do que outro colégio, é tudo igual. E, por isso, trabalhamos muito para encontrar parcerias e verbas por meio da APMF para fazermos as melhorias no colégio”.

Major marcos do 5ºCPM

Hoje as turmas são matutinas e vespertinas, sendo que alunos do sexto ao nono ano estudam na parte da tarde e os do ensino médio no período da manhã. É um total de 30 turmas, 15 de manhã e 15 à tarde. Além disso, esperam chegar a mil alunos no início de 2022.

“Todas essas melhorias no colégio não são para mim, amanhã terá outra pessoa no meu lugar. Essas melhorias são para a cidade, para os alunos. A grande chave é a parceria, é o que tem dado um grande resultado para o colégio”, finaliza. 

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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