“Eu jamais pensei que ia ser política”.  

Apesar disso, a política já estava na personalidade de Aline Sleutjes. Desde adolescente, era muito participativa nas atividades sociais e escolares de Castro-PR, sua cidade natal. Quando era solicitado um líder de time, uma capitã de turma, representante de associação ela era a primeira a se prontificar.

Não entendia aquilo como política, para mim era apenas uma maneira de fazer parte da sociedade e ajudar as pessoas”.

Até que um dia, uma pessoa que já atuava na política convidou Aline para ser vereadora, e ela brincou,

“Como vou entrar na política se eu não gosto de política?”

E a pessoa respondeu “só você não sabe que já é política”.

Isso fez com que a Deputada refletisse: tudo que precisava de liderança, ela estava à frente. Então, aceitou o desafio de se candidatar a vereadora.

Foi um ano difícil, pois, como tinha apenas 20 anos, estava envolvida com formatura e estágios e não se dedicou totalmente à campanha.

“Foi difícil pois eu não pude fazer campanha, estava fazendo outras coisas que eram importantes naquele momento da minha vida. Acabou faltando 75 votos para entrar. Depois eu entendi, que era aquilo que gostava e que eu sabia fazer, articular, conversar com pessoas, ouvir, tomar atitudes e decidir as coisas.”

Quatro anos depois, Aline se candidatou novamente e, desta vez, foi eleita a vereadora. Desde então não parou mais.

Já participou de sete campanhas eleitorais, ganhou três: duas vezes para vereadora e uma para deputada federal. As que perdeu foram para vice-prefeita, prefeita, deputada estadual e a primeira vez que concorreu para vereadora.

Deputada estadual Aline Sleutjes
Deputada Aline Sleutjes. Foto: 100fronteiras.

“As derrotas foram me fortalecendo, dando musculatura, condições de poder estar cada vez mais forte, não somente na minha cidade mas hoje a nível de estado e Brasil.”

Família de Aline e a carreira política

Aline foi a primeira política de uma família não política, então no início foi difícil para a família aceitar a candidatura da filha.

“Os primeiros anos foram complicados tive pouco apoio, mas depois com o passar do tempo eles começaram a entender que o que eu fazia ajudava a todos.”

Hoje Aline é motivo de orgulho para os pais, eles reconhecem todo o esforço para chegar até Brasília e certamente torcem e vibram com a filha em seus projetos.

Os desafios de uma ex-vereadora em Brasília

Aline é natural de Castro – a capital nacional do leite. Ela foi a primeira mulher de Castro eleita deputada federal.

A sua bandeira é a do agro e ela explica a escolha.

“Quando eu cheguei em Brasília, queria ser a deputada de tudo, eu participava de todas as reuniões e de todas as audiências, ficava indo de comissão em comissão, a cada 15 minutos estava em uma sala diferente. Até que um colega chegou e me disse, ‘a senhora é fantástica mas não vai voltar, aqui em Brasília o deputado de tudo é o deputado de nada, você tem que ter uma bandeira, um rosto’. Eu fiquei pensando, qual era a minha bandeira. Eu sou professora, já trabalhei na área com pessoas especiais na APAE a muito tempo, sou do agro porque minha família é do agro, produtores de leite a mais de 30 anos. Fiquei pensando qual era a minha área. Até que resolvi investir e colocar todos os meus sonhos em uma bandeira principal, que é a do agro porque minha cidade é um talento na agropecuária, é uma referência, a capital nacional do leite nossa região é muito forte assim como o Paraná.”

Desde então ela assumiu um protagonismo muito forte. Em poucos meses já estava na diretoria da frente parlamentar da agricultura. No ano passado Aline foi eleita a primeira mulher da história do Brasil a presidir a comissão da agricultura.

“Apostei no segmento que mantém nosso Brasil vivo, que mantém nossa economia forte que sustenta a nossa nação e mesmo aquele que não planta e não colhe, ele consome. Então todos estão envolvidos direta e indiretamente na agropecuária brasileira”.

Protagonismo feminino na política

O protagonismo que a deputada tem hoje foi uma construção feita ao longo dos anos, ela pontua seus maiores desafios no mundo da política, sendo mulher e a primeira deputada eleita de sua cidade.

  1. “No início o maior desafio foi chegar em Brasília, sendo uma ex-vereadora de uma cidade que nunca elegeu ninguém e provar que estava lá pelos meus méritos. Provar que poderia fazer muito mais do que quem já estava lá.”
  2. “A segunda situação foi provar que mesmo sendo mulher, poderia agregar nos debates do agro onde a maioria é homem”. Ela conta que as primeiras reuniões foram difíceis. “Eu era recebida como uma convidada, um vaso de flor para enfeitar a sala de reunião. Mas depois da terceira e quarta reunião as coisas mudaram, eles entenderam que eu tinha propriedade do assunto.”

Hoje em dia ela afirma que não tem problema nenhum, em questão de ser mulher, todos a respeitam. Lembrando que 90% de sua comissão é masculina.

“Nunca tive nenhum desrespeito, nenhuma fala que pudesse menosprezar ou diminuir a presidente da comissão por ser mulher, aliás, acredito que me respeitam muito por ser mulher também. A primeira mulher da história do Brasil a presidir uma comissão nesse porte. Vejo que é um momento importante para mostrar às mulheres que podemos chegar onde nós quisermos. Neste momento na câmara, temos sete mulheres presidentes de comissão e seis ministras no governo federal. Então este é um momento de muito protagonismo da mulher na política.

“Me sinto muito honrada de poder ser uma mulher no agro, na política, fazendo a diferença, levando novos pensamentos, novas oportunidades e construindo um futuro para nossa nação.”

Deputada estadual Aline Sleutjes
Deputada Aline Sleutjes. Foto: 100fronteiras.

Pré-candidatura no Senado

Agora Aline está passando por mais um desafio que é a pré-candidatura ao Senado. Ela explica que a decisão veio a partir de uma provocação do presidente Jair Bolsonaro.

“Ele perguntou quem seriam os candidatos do estado do Paraná e eu respondi que não tinham muitas opções e que seriam os de sempre. E ele me falou ‘deputada Aline você tem coragem?’ E quando ele me disse isso eu pensei, poxa a única coisa que eu tinha para chegar em Brasília era coragem e fé. Então comecei a ouvir, participar de muitas reuniões e andar pelo Paraná numa caravana chamada Aline pelo Paraná ouvindo meus prefeitos, vereadores, líderes, o agro e perguntando se eles acham que precisamos de renovação e se querem que eu seja a voz. Curiosamente todo lugar eles afirmavam que sim. Então acho que esse desafio se transformou em uma meta, que é renovar a política paranaense.”

Aline agrega várias bandeiras que ela acredita, como renovação, agro, representatividade dos cristãos, da mulher da direita conservadora além da pauta municipalista.

“Vejo que estou em um momento oportuno. Tenho certeza que com união e com o trabalho focado nessa meta nós vamos alcançar nosso objetivo. É um grande desafio, sair dos 150, 200 mil votos para 3 milhões e meio, 4 milhões, é uma oportunidade da gente mostrar que pode e que consegue, além da oportunidade de elegermos uma mulher no Paraná, senadora da direita”.

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