100fronteiras: Quem é Carol Dedonatti?

Carol Dedonatti: Eu tenho 37 anos, nasci em Foz do Iguaçu e moro no Jardim Eliza, sou professora de ensino fundamental e há mais de dez anos faço um trabalho voluntário com animais de rua. Comecei esse trabalho voluntário numa feira de adoção e nunca mais parei. De lá para cá foram milhares de animais resgatados, tratados, castrados e colocados para a doação responsável. Com isso eu passei a dividir o tempo entre o trabalho na escola e o trabalho voluntário e como não há políticas públicas para a causa animal em Foz sobrecarrega o trabalho das protetoras pois são muitos pedidos diários de ajuda e humanamente não conseguimos atender todos. Por isso recebi esse convite para estar ingressando na política, para conseguir políticas públicas para a causa animal. No entanto, não imaginava que seria a vereadora mais votada de Foz.

100f: Você pensava em ingressar na política, sempre teve familiaridade com o assunto?

Carol: Nunca tive pretensões políticas, não tenho parentes na política e nunca tive envolvimento com a política, muito embora a gente faça política o tempo todo, mas assim, diretamente não. Aí recebi um convite da Bibiana Orsi, que saiu candidata a vice do Paulo Mac Donald e relutei muito, pois não tinha nenhuma experiência. E decidi entrar nos 45 minutos do segundo tempo. Meu desejo era apoiar alguém e não se lançar, mas por ter uma visibilidade muito boa e ser uma das protetoras mais conhecidas na cidade, todo o grupo quis que eu me candidatasse. E então eu fui.

100f: Como foi para você todo esse processo de preparação e campanha?

Carol: Foi muito interessante a trajetória desses cinquenta dias que a gente teve contato com os eleitores. E isso se intensificou muito nas últimas três semanas. Eu esperava que seria muito difícil, é difícil, desgastante, mas aprendi muito, foi muito proveitoso e conheci muitas pessoas que admiram a causa, até mesmo pela expressão dos votos dá para ver como a causa animal é querida.

100f: Nesse seu período de campanha em contato com as pessoas você esperava se eleger e que seria a vereadora mais votada de Foz?

Carol: A gente esperava que venceria. Eu tenho um ponto positivo que é ter uma causa para defender e não é num ponto da cidade específico e sim a cidade toda que trabalhamos e precisamos trabalhar, porque resgatamos animais da cidade inteira. E conversando com as pessoas, principalmente nos semáforos, de dez pessoas cinco conheciam, uma gostava da causa e disse que iria votar, então eu achei, sem falsa modéstia, que iria ser eleita, mas não imaginei que seria em primeiro lugar, até porque essa eleição foi muito atípica por conta da pandemia e por conta do número expressivo de candidatos.

100f: O que representa o cargo de vereadora para você?

Carol: O vereador tem a função de legislar pela comunidade e fiscalizar o prefeito. E a gente pretende aprovar alguns projetos de lei que beneficiem a causa animal, que é a minha bandeira principal. Porém a gente não vai ficar preso a isso, a gente precisa trabalhar por uma cidade toda. Hoje não temos nenhum projeto permanente para a questão animal.

100f: Como será a sua postura na Câmara de Vereadores de Foz?

Carol: As pessoas tem me perguntado muito isso se serei de esquerda ou direita, mas eu vou com a população. Esse negócio de dividir é uma coisa ultrapassada, a gente tem que somar. Se for um projeto que beneficie a comunidade, que seja bom para a cidade eu vou aprovar independente de qualquer coisa e se eu julgar que não é importante para a comunidade infelizmente não vou estar junto.

Carol é protetora animal, voluntária e a vereadora mais votada nessas eleições.

100f: Como você se sente estando inserida nesse cenário de renovação em Foz, sendo mulher, sendo a vereadora mais votada de Foz em sua primeira participação na política e defendendo a causa animal?

Carol: Estou extremamente feliz. É uma representatividade enorme. Mulher. Causa animal. Então assim, eu estou muito lisonjeada, tive uma votação muito expressiva, agradeço o tempo todo por todo mundo que acreditou em mim e me apoiaram. E quero estar aberta a todas as pessoas que queiram me conhecer e mais do que nunca vou precisar do apoio das pessoas, principalmente das protetoras que me ajudaram muito nessa eleição, porque eu não venceria sem elas.

100f: Quais projetos você irá desenvolver na cidade?

Carol: O nosso carro chefe hoje é um projeto permanente de castração, porque hoje temos um número imenso de animais na rua e diariamente nasce ninhadas e ninhadas tanto de cachorros como de gatos. Então em primeiro lugar vamos tentar conseguir parcerias com clínicas veterinárias para fazer essa castração público privada e a partir disso temos também o castramóvel que está na eminência de sair e que surgiu da verba de um deputado estadual da qual várias cidades, incluindo Foz, receberam. Isso será muito bom, pois irá circular nos bairros e muitas pessoas não tem condições de se deslocarem até o centro e com isso consegue fazer a castração nos bairros. O foco principal será a fêmea, tanto gatas quanto cachorras.

Outro projeto que queremos aprovar é o da proibição de animais de grande porte em vias urbanas. O Cavalo de Lata é um carrinho que comporta até 400 quilos e pode ser usado com bicicleta ou moto pelos catadores. Isso reflete em segurança para os motoristas, pedestres e até mesmo para os trabalhadores.

Outro projeto é o banco de ração permanente para as protetoras. E também ir para as escolas conscientizar as crianças, porque criança educa família, sobre a importância de cuidar dos animais e não abandonar e precisa ter uma punição para isso, porque quando começar a pesar no bolso a pessoa passa a pensar duas vezes antes de cometer o abandono e os maus tratos. E a ideia, assim como já existe em outras cidades, é que a multa vá para uma conta essencial como água, luz ou IPTU para que a pessoa não tenha como deixar de pagar.

100f: Você está assumindo agora uma grande responsabilidade junto a comunidade iguaçuense e como você vê essa responsabilidade e essa confiança que as pessoas depositaram em você?

Carol: A responsabilidade é enorme. Primeiro por ser eleita para um cargo tão importante e ainda mais por ser eleita em primeiro lugar. Então assim, dobra o nível de responsabilidade. Sei que vou ser muito cobrada, normalmente já sou pela causa animal, a gente recebe muitas críticas porque as pessoas não entendem que a gente não consegue resgatar todos os animais. Sem contar que há preconceito por defendermos a causa animal e muitas vezes somos questionadas por que não ajudamos crianças ou idosos, mas eu sempre digo que a questão animal é também uma questão de saúde pública, pois hoje os animais que estão na rua podem transmitir doenças que venham a ser repassadas aos seres humanos, como a leishmaniose por exemplo.

100f: Para fechar a entrevista que recado você gostaria de deixar a população iguaçuense?

Carol: Eu quero dizer que estou extremamente feliz pela conquista. Quero agradecer a todas as pessoas que confiaram em mim. Vou fazer o meu melhor. Quero tirar Foz do Iguaçu dessa situação caótica em relação a causa animal e transformar Foz em uma cidade modelo em relação a causa animal, uma cidade pet friendly, que acolhe os animais.  

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Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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