Andrea Emmerling me recebeu para uma conversa descontraída em seu local de trabalho, o Hotel das Cataratas, e foi logo compartilhando um sorriso de boas-vindas. Na conversa ela contou que antes de pensar em seguir a carreira na hotelaria, seu sonho de infância era seguir os passos do pai e trabalhar na polícia. No entanto, o sonho foi interrompido aos 12 anos quando ela precisou usar óculos de grau. Isso porque na Alemanha as pessoas que usam óculos não podem fazer parte da polícia. “Aquilo me desestabilizou e passei muitos anos sem saber o que queria fazer. Mas eu também gostava muito de idiomas, e por isso aproveitei o período escolar para estudar inglês, latim, francês e espanhol. E essa paixão pelos idiomas e por diferentes culturas me fez optar pela hotelaria”, comentou.

E assim foi. Andrea conta que ela e sua família nunca tiveram a experiência de se hospedar em um hotel, por isso ela não tinha muita familiaridade com a rede hoteleira, mas fazendo um estágio de dois meses em um hotel da sua cidade se apaixonou. Cursou hotelaria e estagiou em hotéis de outros países, aprimorando os idiomas. “Meu primeiro emprego foi em um hotel perto de Paris, como recepcionista, pois eu queria aprimorar meu francês”, relembra.

Passou por diversos países e teve experiência com muitas culturas, mas nada se compara com o desafio que foi chegar a Foz do Iguaçu no início de 2020 para assumir a gerência-geral do Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel.

“Eu nunca tinha vindo para a América Latina, foi a primeira vez e, também, a primeira vez que ouvi falar das Cataratas do Iguaçu. Quando cheguei aqui e me deparei com o palácio cor de rosa e as Cataratas foi magnífico. E ainda hoje tenho essa mesma sensação quando venho trabalhar. Porque já na entrada do parque sinto que estou entrando em outro mundo. Gosto muito desses 15 minutos até chegar ao hotel, porque me transmite paz poder ter esse contato com a natureza, com o verde, com os bichinhos e paro uns minutinhos com o carro em frente ao mirante para contemplar as Cataratas, que todos os dias apresentam um cenário único. É até difícil descrever tamanha beleza”.

Andrea Emmerling - gerente geral do Hotel das Cataratas
(Foto: Tadeu Brunelli)

Apesar dela dominar cinco idiomas fluentemente, não era familiarizada com o português e, por isso, o idioma foi um dos maiores aprendizados da vinda de Andrea para Foz. No entanto, apesar de ser uma alemã em solo iguaçuense, ela conta que a hospitalidade no hotel lhe impressionou. “Realmente tenho a maior gratidão pela minha equipe e hóspedes, porque todo mundo me recebeu de braços abertos. Tiveram muita paciência comigo e me receberam com carinho, me ensinando a falar português. Isso me deu confiança, pois mesmo eu sendo a gerente-geral eu precisava de feedbacks e eu sempre deixei aberto para que a minha equipe pudesse opinar e me ajudar a melhorar. Fiquei muito grata que muitos funcionários me ajudaram no idioma, eles foram como professores para mim e assim aprendi rapidinho a falar português”. 

No entanto, a diferença cultural foi enriquecedora para Andrea. “85% dos meus funcionários são aqui de Foz do Iguaçu. Nos demais hotéis que trabalhei em outros países tinha muitos alemães. Isso foi um grande aprendizado, pois aqui eu me integro à cultura local”.

A gestão de Andrea também ficou muito marcada por eventos e atividades que envolvem os moradores de Foz . “Um dos meus objetivos comandando o Hotel das Cataratas é poder integrar o morador local com o hotel”. 

Há quase dois anos vivendo em Foz, Andrea começa a se sentir meio brasileira. E isso lhe deu uma experiência mais autêntica, pois lhe tirou da sua zona de conforto, do seu habitat natural. “Hoje meu convívio é totalmente com brasileiros e posso dizer que já domino um pouco do ‘jeitinho brasileiro’”, completa aos risos.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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