Você sabe o que é biologia sintética? Eu nunca tinha ouvido falar até Letícia Caldas, aluna do Colégio Bertoni, me explicar. Basicamente, é uma área que mistura os conhecimentos de genética e engenharia para criar novos seres vivos ou sistemas biológicos. Parece difícil, né? Mas esses alunos fazem parecer fácil. 

Um exemplo prático dessa ciência é a capacidade de produzir organismos que possam detectar poluentes ambientais, como plásticos, através de uma resposta fluorescente. Esse é justamente o objetivo principal do projeto da equipe brasileira, que visa desenvolver um biossensor para detectar bactérias patogênicas em rios e reduzir sua população através de peptídeos antimicrobianos.

O grupo está se preparando com dedicação e têm uma equipe de professores apoiando-os. O Colégio Bertoni possui um foco especial na área de biologia sintética, com professores qualificados, incluindo uma docente com mestrado e doutorado em engenharia genética. 

Eles não estão brincando em serviço! Na Olimpíada Brasileira de Biologia Sintética, nossos jovens cientistas conquistaram cinco medalhas de ouro e duas de bronze.

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Agora, eles têm um sonho ainda maior: participar de uma competição na liga latino-americana da maior competição de Biologia Sintética do mundo, o iGEM Design League, que reúne projetos incríveis da América Latina. Mas eles precisam de apoio para alcançar essa meta. A participação na competição internacional demanda recursos financeiros para cobrir despesas como inscrição, passagens e hospedagem. Essa competição tem como foco projetos relacionados ao meio ambiente e ecossistemas locais.

Projeto DDColi (Detect, Degrade, Construct E.coli)

Coliformes fecais, também chamados de coliformes termotolerantes, são bactérias que habitam o trato digestório de animais de sangue quente, como o homem, e quando presentes em altas quantidades em um recurso hídrico, indicam presença de outros microrganismos possivelmente patogênicos, além de alta taxa de contaminação por poluição fecal.

A bactéria Escherichia coli (E.coli)  é o coliforme fecal mais utilizado, na atualidade, como fonte indicadora de poluição fecal por ser a única bactéria termotolerante, dentre todas as existentes, a habitar o intestino humano, não causando danos, na maioria dos casos. No entanto, cepas de E.coli podem ser patogênicas, devido a genes de virulências capazes de levar a comorbidades. A citar, existem patotipos intestinais (EPEC, ETEC, EIEC, EHEC e EaggEC) e extra-intestinais (ExPEC).

O projeto busca desenvolver um sistema de detecção de coliformes fecais usando fímbrias e intiminas, proteínas encontradas nas bactérias. Um circuito de detecção identifica essas proteínas, ativando um circuito de degradação que produz peptídeos antimicrobianos para eliminar os coliformes. O mecanismo de quorum sensing atua como um “kill switch”, desativando o circuito de degradação quando a concentração das proteínas diminui, mantendo o equilíbrio ecológico.

A equipe busca apoio e patrocínio para viabilizar sua participação na competição internacional. A divulgação ampla do projeto e de suas conquistas é essencial para atrair investidores e parceiros. Através de parcerias com empresas e instituições, os estudantes poderão contar com recursos para aprimorar seu projeto e ampliar suas possibilidades de atuação na área da biologia sintética.

A equipe brasileira sintética demonstra o potencial e a capacidade dos jovens cientistas brasileiros. O mais impressionante é que o time Biostyvia é o primeiro time de Biologia Sintética do Brasil exclusivamente de Ensino Médio.