Você conhece a comunidade LGBTQIA+ de sua cidade? Aqui em Foz do Iguaçu, pouco se fala sobre suas conquistas e dificuldades diárias, então é nosso intuito aqui que você, como leitor, venha conhecer um pouco mais sobre!

Entrevistamos três nomes da comunidade LGBTQIA + de Foz do Iguaçu, todos com histórias diferentes mas com um objetivo em comum: fazer de Foz uma cidade melhor para todos.

Bruna Ravena

Natural de Manaus, Bruna veio para Foz em 2013 e em 2016 se integrou na comunidade LGBTQIA+ da cidade. Atualmente, ela é estudante de administração, coordenadora da Associação de Travestis e Transexuais de Foz do Iguaçu, Casa de Malhú, da marcha da diversidade e parada do orgulho LGBT+ em Foz, faz parte do Concelho de Igualdade Racial da cidade e do Fórum de HIV/Aids, entre outros. 

“Busco dar visibilidade a comunidade LGBTQIA + de Foz sempre que posso, e também ocupar todos os concelhos, como os de saúde, educação, cultura, etc. A comunidade é muito pouca estimulada na cidade, especialmente na cultura”, diz sobre sua enorme participação com a comunidade em Foz.

Bruna Ravena
Foto disposta por Diego Carvalho.

Como mulher transexual, sua história com a comunidade começou cedo. Cerca de 90% da população transexual e travesti vive da prostituição, e Bruna contou que já fez parte dessa estatística. Nesse período, como necessidade de sobrevivência, conheceu o transgrupo Marcela Prado, em Curitiba, que a ajudou com questões de currículo e trabalho.

Por questões pessoais, Bruna se mudou para Cascavel e depois de um tempo buscou conhecer Foz do Iguaçu, se mudando logo depois. No decorrer desse percurso todo, Bruna nos contou que se descobriu mais ainda, conhecendo personalidades trans de todo o Brasil, e que começou a ver a militância com outros olhos.

“A sociedade precisa entender que não é por luxo, por desejo ou vontade que vivemos da prostituição, é por falta de empregabilidade, falta de acesso a educação dessa população, falta de construções municipais, estaduais e federais, politicas de inclusão que acolhem essa população”, explicou sobre a bandeira que mais levantou no início, a de transexuais e travestis vivendo da prostituição.

Bruna Ravena
Uma das ações feita pela Casa de Malhú, em conjunto com o Rotary Club. Foto disposta por Diego Carvalho.

Com isso, se viu mais ainda na luta por direitos as transexuais de Foz do Iguaçu, e começou a se envolver ativamente na comunidade, em especial na Casa de Malhú, que hoje virou símbolo para a comunidade LGBTQIA+ de Foz do Iguaçu.

A 100fronteiras já fez uma matéria sobre a história do mês do Orgulho LGBTQIA+, confira!

Diego Carvalho

Diego atualmente trabalha como coordenador da Aliança LGBT+ em Foz, diretor de comunicações da UnaLGBT+ do Paraná, também é ator e diretor de teatro. Ele nos contou que a UnaLGBT foi criada exatamente para ter uma pluralidade do movimento representativo LGBTQIA+ no estado e também na cidade.

Marcha da diversidade em 2019. Foto disposta por Diego Carvalho.

Lá por 2014, adentrou o movimento LGBTQIA+ logo após sua participação no movimento secundarista, começando na construção da conferencia LGBT+ de direitos humanos, até mesmo já participou da política de Foz do Iguaçu.

“Em 2020 fui candidato para vice-prefeito e vi na pele como é, e infelizmente senti que Foz do Iguaçu ainda não está preparada para receber um LGBT+ no espaço da política, ainda”.

Diego Carvalho

O ator também criou, junto com seus amigos em 2013, a companhia teatral Jovem do Futuro, onde 26 atores, atualmente, trabalham juntos para transmitir através de músicas e performances artísticas a realidade do mundo de um jeito mais dinâmico. A cia Jovem do Futuro tem como objetivo, acima de tudo, trazer acessibilidade ao teatro.

Diego trabalha ativamente na Aliança e Una LGBT, tanto como coordenador do espaço quanto com a política em geral, sobre as leis para a comunidade LGBTQIA+ de Foz do Iguaçu, sempre em diálogo constante.

Na UnaLGBT é como um coletivo. Quando uma ONG ou algum grupo ligado a comunidade LGBTQIA+ de Foz entra em contato, a UnaLGBT entra em ação seja para a conscientização ou progresso do ato (por exemplos lives da parada LGBT+, debates ativos sobre pautas que importam para a comunidade, entrega de cestas básicas, etc.)

“A missão é lutar diariamente por uma cidade melhor.”, diz.

James Willie

James Willie é dono de uma das únicas cafeteria e bar totalmente para a comunidade LGBTQIA+ aqui em Foz do Iguaçu, a Pagu.

O local foi aberto primeiramente como um espaço para eventos e apresentações de drag queens da cidade e região, já que outros lugares que eram usados como espaço para amostra da cultura LGBT+ foram infelizmente fechados, como por exemplo a Esquina Cultural.

James então teve a ideia de abrir esse espaço para a comunidade drag queen exatamente por essa falta de espaço.

James Willie no espaço da Pagu.

A Pagu cresceu com a ajuda e apoio de muita gente, e desde o começo foi um espaço muito importante, onde quase toda semana acontecia algum evento diferente para e com a comunidade LGBT+.

Mas com a chegada da pandemia, veio a dificuldade. Não apenas para a Pagu, mas para -quase todos os comércios de Foz. Uma alternativa que James achou foi criar um brechó em paralelo ao bar, para auxiliar nas questões financeiras e também apresentar o bar a quem não conhecia.

Durante um tempo, o bar ficou fechado, eles retornaram fazem pouco tempo, agora que James conseguiu dar uma “respirada” por conta da vacinação e diminuição nos casos. James é quem cuida de tudo na Pagu, e ele afirma ainda que aplicativos de delivery estão dando uma força nesses tempos.

Com várias adaptações a Pagu então tornou-se cafeteria, brechó, bar e também um espaço de reunião e eventos, para quando for liberado.

A comunidade LGBTQIA+ de Foz

Como um todo, a comunidade LGBTQIA+ da Terra das Cataratas raramente ganha a atenção que devia receber, então é importante mostrar e contar sobre.

“Por mais que seja linda e maravilhosa, precisamos falar a verdade; em sua maior parte, Foz do Iguaçu continua sendo, em partes, conservadora e lgbtq-fóbica, e a única forma de vencer isso é informando a população, em especial por parte da política que hoje governa a cidade”, disse Diego.

Todo ser humano merece o direito de existir com dignidade e respeito, incluindo principalmente as minorias.

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