Foz do Iguaçu 130 anos após a fundação da Colônia Militar do Iguassú

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Bem que as autoridades civis, militares, religiosas e comunitárias da cidade poderiam celebrar a data, pela primeira vez, neste ano

Por: Jackson Lima    

Fotos: Divulgação

A Avenida José Maria de Brito e a Rua Belarmino de Mendonça são conhecidas de todos os moradores de Foz do Iguaçu. As duas vias são uma homenagem do município a dois nomes importantes na fundação da Colônia Militar do Iguassú, a pedra fundamental para a construção, com muito suor, trabalho e penúria de muitos, da pujante Foz do Iguaçu.

José Maria de Brito, piauiense, participou na fundação da Colônia Militar naquele distante 22 de novembro de 1889. Ele era parte da expedição literalmente abridora de caminhos que partiu de Guarapuava em direção à foz do Rio Iguaçu com a missão de descobri-la, ocupá-la e nela manter a presença do Brasil neste palco trinacional.

Já o capitão Belarmino Augusto de Mendonça Lobo, engenheiro militar e dono de um currículo invejável a serviço do Brasil, foi o homem escolhido pelo último ministro da Guerra do Império do Brasil,  João Alfredo Corrêa de Oliveira, para chefiar a recém-criada Comissão Estratégica do Paraná (ou Comissão de Estradas Estratégicas do Paraná) para, de uma vez por todas, abrir estradas no estado – especialmente uma que ligasse Guarapuava a Foz do Iguaçu e aqui estabelecesse a presença nacional na forma de uma colônia militar com a missão de promover a povoação, a produção, a abertura e a manutenção de estradas, a instalação de linhas telegráficas, além do desenvolvimento industrial, comercial e político no ponto extremo da fronteira. Aí estava a semente da futura Foz do Iguaçu.

Ele trabalhou na Colônia Militar de Chopin (1884), chefiou a abertura da estrada para ligar Porto União e Palmas. Já era parte do Estado-Maior do Exército quando foi designado para fazer o mesmo entre Guarapuava e Foz. Abriu ferrovias em São Paulo e, em 1906, foi convidado pelo Barão do Rio Branco para participar do levantamento do Rio Juruá no processo de anexação do Acre. Belarmino de Mendonça morreu em 28 maio de 1913, três meses e alguns dias após a anotação de 6 de fevereiro no Livro de Colonos da Colônia Militar daquele ano, segundo a qual a Colônia do Iguassú deixava de existir pois fora “mandada passar para o regime civil” em cumprimento ao Decreto 1.002 de 29 de janeiro.

Extinta a colônia, o Exército Brasileiro se retirou da fronteira como se quisesse deixar espaço para os civis que, a partir de então, seriam donos de seus destinos. A volta do Exército à cidade só se deu em 1932, para outra vez marcar sua presença por meio da fundação da 1ª Companhia Isolada de Fronteira. Esse acontecimento foi lembrado, no dia 12 de março deste ano, como o 87º aniversário da fundação do 34º Batalhão de Infantaria Mecanizado (34º BIMec), o sucessor da 1ª Companhia e herdeiro orgulhoso da Colônia Militar do Iguassú.

José Maria de Brito permaneceu na Vila Iguassú, que logo se tornou a Foz do Iguassú. Ele se empenhou em diversos trabalhos e, até a sua morte, em 1942, foi o último personagem vivo a ter sido membro do grupo fundador da Colônia Militar do Iguassú. José Maria de Brito deixou eternizada sua impressão digital na Terra das Cataratas com o livro: Descoberta de Foz do Iguaçu e a fundação da Colônia Militar.

José Maria de Brito se encontra sepultado no Cemitério São João Batista com a distinção de ser o único membro da comissão estratégica fundadora da Colônia Militar com morada eterna em Foz do Iguaçu.

O seu túmulo, próximo à entrada do cemitério, foi cuidadosamente mantido pela filha de Frederico Engel, Irma Rios Pruner, pioneira que faleceu aos 99 anos em dezembro de 2018. “Minha mãe pagava as taxas e mandava fazer a limpeza e pintura do túmulo todos os anos desde que ele faleceu”, contou o filho de dona Irma, o piloto e escritor Renato Rios Pruner. Segundo Renato, dona Irma era muito consciente do papel de José Maria de Brito na história de Foz do Iguaçu.



Formada em Jornalismo (UDC) e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas (Unila), atualmente é jornalista e editora na Revista 100fronteiras.


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