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No momento em que o mundo está passando referente a saúde, existem pessoas que estão por trás de conquistas na imunização contra a covid-19, e muitas vezes nem imaginamos quem seja. Veja a seguir, quem está por trás da imunização em Foz do Iguaçu.

Com o objetivo de dar o devido merecimento aos guerreiros da pandemia, conversamos com Adriana Izuka, Coordenadora do Programa de Imunização de Foz do Iguaçu. Ela quem está a frente e representa toda a equipe de imunização do município. 

Adriana é casada, tem duas filhas e ama viajar, ela diz ser importante estar com a família neste momento, mas confessa o quão difícil é se desligar. O Hobby do casal é malhar, para eles, não tem horário e muito menos tempo ruim para um bom treino.

Sempre quis ser enfermeira, quando ainda estava no cursinho para o vestibular tinha vontade de fazer medicina, e decidiu que faria enfermagem. Na época morava em Marília no interior de São Paulo, quando ela e mais uma amiga prestou vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que foi onde se formou em enfermagem e conheceu seu marido.

Assim que concluíram a etapa da faculdade, Adriana e seu marido se casaram e vieram morar em Foz do Iguaçu em 1996 , onde construíram uma família. Na cidade há 25 anos, Adriana não pensa em ir embora, criou suas raízes aqui e já se considera uma iguaçuense de coração. 

É servidora da Prefeitura de Foz do Iguaçu desde os anos 2000, ela era enfermeira e trabalhava da Vigilância Epidemiológica desde 2005, passou por vários setores da Vigilância e no fim de 2016, assumiu o Programa de Imunização do Município.

Adriana Izuka coordenadora de Imunização do Município
Coordenadora de Imunização de Foz do Iguaçu, Adriana Izuka. Foto: Lilian Grellmann/ 100fronteiras

Falando sobre pandemias

Em visita à redação da 100fronteiras, Adriana trouxe Roberto Doldan, diretor da Vigilância Epidemiológica de Foz e amigo de Adriana há mais de 20 anos. Desde que Adriana entrou em cena, Roberto foi quem a ajudou na adaptação. Nessa amizade, duas pandemias já foram enfrentadas (covid-19 e H1N1) e epidemia de dengue no município.

Roberto Doldan Diretor Vigilância Epidemiológica
Roberto Doldan Diretor Vigilância Epidemiológica. Foto: Lilian Grellmann/ 100fronteiras.

Eles comparam as duas pandemias, onde a experiência da H1N1 teve um grande pico, que durou de 3 a 4 meses e depois estabilizou, diferente da pandemia com seus picos e instabilidade. Outra diferença é que, durante todo o período da H1N1, morreram 5 pessoas no município, que na época era muito, e agora são mais de mil vidas perdidas, Adriana e Roberto afirmam que a pandemia da Covid-19 é outra magnitude.

Outra diferença é em relação a vacinas. “Em março de 2020 com o início da pandemia, não existiam vacinas, então a cura ainda não era algo concreto. Apenas no fim do ano o país iniciou com o planejamento das vacinas, então não tínhamos o que fazer a não ser esperar”, afirma Adriana.

A vacinação em Foz do Iguaçu

Sobre a vacinação em Foz do Iguaçu, Adriana e Roberto esclarecem algumas dúvidas. As vacinas dependem exclusivamente do Ministério da Saúde, o município não compra vacinas, é o Governo Federal, e ele quem distribui de acordo com o Plano Nacional de Vacinação, tanto para a vacina da covid-19, quanto para todas as outras vacinas do calendário.

Aqui em Foz do Iguaçu, a corrida da vacinação começou em janeiro, e em questão de semanas a Vigilância de Imunização precisou se organizar, preparar os servidores e dar início na imunização.

Os grupos prioritários seguem o Plano Nacional e Estadual de Vacinação, Adriana e Roberto explicam que o município pode intervir e criar novos grupos prioritários, mas se criar esses novos grupos, não chega vacina para eles. Quando as vacinas são recebidas, cada tanto é destinada a um grupo, e para vacinar o novo grupo teria que tirar a dose de alguém porque não é enviado vacinas a mais. Ou seja, segundo eles, é uma alternativa inviável.

Em Foz do Iguaçu, a previsão é que até setembro, o município consiga vacinar a população de a partir de 18 anos com a primeira dose.

“Com alguns estudos, vimos que com 75% da população vacinada já começa a perceber uma queda nos números de casos, então por até setembro já ficamos em uma situação melhor, com maior número de pessoas imunizadas. Só agora entre julho e agosto temos mais de 50 mil pessoas que vão tomar a segunda dose, então vai dar um aumento na cobertura da segunda dose.”

Adriana Izuka.

Xepa da vacina em Foz do Iguaçu

Em relação a xepa (vacinas que sobram no dia) não tem no município, Adriana afirma que é feito o controle da abertura dos frascos para não sobrar, por exemplo.

“Na Vigilância por volta de 16h já começamos a contar as pessoas para que não fique com nenhuma dose aberta, porque se o frasco é aberto tem que usá-lo inteiro, então temos cadastro de algumas pessoas que não conseguiram agendar, e então chamamos. Não jogamos doses fora, caso não consiga pessoas do grupo prioritário enviamos a dose para outras unidades, mas desperdiçada ela não é”.

Adriana Izuka.

Ela reforça que quando acontece de sobrar doses, a prioridade é chamar pessoas do grupo que está sendo vacinado. Adriana diz ainda para que se alguém souber de casos de pessoas fora do grupo de vacinação que foram imunizados, é para denunciar.

Outro coisa que Adriana pontua em questão da xepa, é que ficaria fácil furar fila porque qualquer um poderia tomar a vacina e falar que é xepa.

Então a alternativa da xepa teria que ser feita de uma forma clara e transparente, para não ter problemas com o Ministério Público, “tanto que Foz do Iguaçu recebeu 100% de transparência para o MP em relação a vacinação, então se vacinamos alguma pessoa que não é do grupo prioritário ele é caracterizado como fura fila, e podemos responder para o Ministério Público então para ter a xepa é preciso estar muito bem definido para que não tenha nenhum problema”.

A chegada das vacinas

“Sempre que precisa, chegamos às 6h30 na Regional, ou a noite, as vezes domingo quando chega as vacinas nós vamos buscar, já fomos ao aeroporto, sempre damos um jeito para iniciar logo a vacinação, então independente do horário é preciso ir, para organizar o mais rápido possível.”

Quando as vacinas chegam, tem todo um processo. Buscar a vacina, guardar e distribuir para mais de 20 unidades, separar insumo, seringa e agulha. Para ir buscar, é preciso ambientar a caixa térmica, as vacinas tem uma temperatura específica que é preciso seguir rigorosamente, e para deixar a temperatura correta pode levar de 40 minutos a 1 hora.

Dependendo do quanto de vacinas o município recebe, a Vigilância calcula o quanto cada unidade vai vacinar. As vacinas vão de forma aleatória para as unidades, Adriana diz que não estão mais divulgando quais vacinas o município está recebendo porque já aconteceu caso de pessoas quererem escolher qual tomar.

Já sobre a população querer escolher vacinas, Adriana e Roberto reforçam que todas as vacinas são eficazes, e que não adianta uma pessoa estar protegida sendo que a maioria da população não está, porque a chance é grande de pegar a doença mesmo com as vacinas.

“Quando todos estão imunizados começamos a formar a imunidade de rebanho e protegemos outras pessoas, então não adianta pensar só em mim, é preciso pensar no coletivo para todos se imunizar e aumentarmos a cobertura.”

Adriana Izuka.

No caso de pessoas quererem escolher vacinas, foi criado um termo de recusa para ter isso no prontuário do paciente, que ele se recusou a se imunizar.

Em relação a tomar a vacina e não ficar bem, o que pode acontecer são efeitos adversos esperados como febre, dor no corpo, dor de cabeça, dor nas articulações, calafrios, disenteria, e sintomas assim são esperados, geralmente após 24/48h isso melhora.

Roberto e Adriana comentam que já aconteceu casos de pessoas tomarem a vacina e já estarem com covid-19. “A vacina não tem como causar a doença, e geralmente a pessoa só vai estar imunizada 15 dias depois da segunda dose, só com a primeira dose ainda não está totalmente seguro.”

Contato internacional entre setores da saúde

Roberto afirma que o Município não tem contato com a saúde da Argentina, a do Paraguai ele admite ser mais fácil a linha de comunicação por terem contatos da Vigilância no país vizinho.

” Para nós da Vigilância é complicado essa questão das fronteiras porque para nós não existe Ponte da Amizade e nem da Fraternidade se tem uma doença importante em Ciudad del Este vai ter em Foz também e vice-versa, com a Argentina a mesma coisa, já tivemos várias experiências das doenças querendo ou não são compartilhadas, o enfrentamento que é diferente, dependendo da estrutura de cada país.”

Roberto Doldan.

Adriana Izuka deixa uma mensagem para a população de Foz do Iguaçu.

“É muito importante que quando chegar a vez de cada um que as pessoas se vacinem, que não fiquem escolhendo a vacina, nós precisamos alcançar a alta cobertura para que consiga melhorar toda a situação, conseguir ver com mais clareza os números de óbitos, internações, número de casos. Então é importante a colaboração de todos e não esquecer que mesmo quem já está vacinado precisa continuar com todos os cuidados, usando máscara mantendo o distanciamento, lavando as mãos, porque só vamos conseguir ficar mais tranquilos quando mais de 70% da população se imunizar com as duas doses. Então quando chegar a sua vez, tome a vacina, não fique escolhendo, tome todos os cuidados, porque a pandemia não acabou e temos que continuar atentos.”

Roberto também deixa sua mensagem. Ele já pegou covid, ficou 17 dias hospitalizado. Perguntei a ele se ficou com alguma sequela, brincando ele diz que a única sequela que ele teve foi engordar. Na família de Roberto, todos pegaram, inclusive seus 7 irmãos, ele também perdeu sua mãe para o vírus, emocionado, ele deixa a seguinte mensagem.

“Quero dizer em questão da oportunidade, lembrar que mais de 1.000 pessoas não tiveram a oportunidade de se vacinar e foram a óbito, que foi o caso da minha mãe, eu sempre reflito em cima disso, que se ela tivesse tido a oportunidade, ela estaria vacinada, teria mais um tempo conosco, mas ela não teve essa oportunidade, nem ela e nem mais 1.000 pessoas. Então as pessoas que estão tendo a oportunidade precisam vacinar, tem que pensar no coletivo, ter empatia.”

Roberto Doldan.

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