Helena T. teve contato com a literatura no momento em que aprendeu a ler, aos seis anos de idade, e desde então encontra nos livros e nas produções de contos a paixão pela escrita e pelo mundo ficcional, extraído da realidade do dia a dia e das vivências que possui.  

Quando entrevistei a escritora para conhecer um pouco mais sobre seu livro “Máscara para um rosto nu” a minha primeira curiosidade foi sobre o nome, que ela faz questão de assinar como Helena T. apenas. “Trevisan é muito bonito, tem uma força bastante grande. Mas há muitos Trevisan’s na área do jornalismo e da literatura e eu percebi que seria mais uma Trevisan, dai achei interessante colocar esse T. porque sugere uma coisa muito parecida comigo mesma. Eu gosto bastante de uma linguagem chamada elipse, que é a gente omitir certos termos da frase sem comprometer o contexto e isso às vezes amplia o entendimento para a fantasia do leitor. Eu sou uma pessoa meio omissa pras coisas, sou minimalista, gosto de ambientes amplos, paredes nuas e poucos objetos na casa e isso pertence muito a minha personalidade também. Eu retrato isso nos meus contos que em geral são bem curtos e uso bastante elipse na minha linguagem”, explica a escritora.

Helena T. possui a suavidade na voz e transmite uma tranquilidade ao falar do seu trabalho. Formada em psicologia durante toda a sua vida escreveu muito, fazendo da escrita uma companheira fiel. “A arte em si mesma é libertadora”, comenta. Para ela, inventar história é uma “delícia e eu percebi desde cedo que a literatura é uma invenção pra ampliação do mundo. Sempre foi uma sensação muito forte em mim que se transformou depois nas características da minha escrita”, conta.

Além da psicologia, ela também atuou na área de publicidade onde por 15 anos trabalhou como editora de uma revista. Quando decidiu de fato se dedicar a escrita percebeu que já estava nela há muito tempo. “Eu iniciei escrevendo livros infantis, mas chegou um momento em que comecei a experimentar a ficção e gostei demais desse caminho. Venho já há seis anos escrevendo ficção”.

Helena T. ao lado de suas criações. (Foto: Arquivo pessoal)

Helena T. e a inspiração para escrever

A escritora conta que a inspiração vem do dia a dia, das coisas que ouve, vê e percebe. Ela captura cenas da realidade e transforma em contos de ficção. Além do mais é preciso muita sensibilidade para perceber o mundo a sua volta. “Toda cena tem uma poesia, tudo que você ouve tem um fato poético. Eu gosto de trabalhar o texto, brincar com as palavras. E geralmente meu processo criativo é pela manhã, que é quando estou mais leve e inspirada. Escrevo à lápis apenas uma frase e daquela frase sai a história”.

Máscara para um rosto nu

Atualmente dedicada somente a escrever livros, Helena T. lançou recentemente seu primeiro livro para adultos focado 100% em ficção. “O livro era pra ser publicado em março, mas foi bem na época que iniciou a pandemia e por coincidência o título retrata o momento atual, onde todo mundo está usando máscara. Além disso a mascara é muito usada na literatura, na poesia e no teatro, e é muito antiga, vem do teatro grego, que representa que somos todos iguais. E foi daí que surgiu a ideia de persona. Além disso, eu tenho um conto com esse mesmo título”.   

Capa do livro “Máscara para um rosto nu” que está à venda no site da Editora Degustar.

Ela explica que dividiu o livro em temas nas áreas de infância, relacionamentos, feminino e despedidas. É uma união de diversos contos que ela escreveu ao longo dos seis anos. Também revela que já tem outro livro de contos pronto e um romance que está escrevendo.

“A produção do livro foi muito gostosa da fazer, discutir com a editora Degustar, com o ilustrador e diagramador, enfim fazer esse trabalho em conjunto foi muito bom. Eu sempre digo que eu não escrevo pra mim, escrevo pra quem me lê. O ato da escrita é um ato da expressão poética do escritor e daí é pro mundo. Por isso sempre penso no tamanho do livro, na lombada, no papel, porque penso na experiência do leitor. Gosto de oferecer a ele uma leitura clara. O leitor se transforma no coautor, porque cada um absorve o texto da sua maneira e é interesse porque o entendimento é diferente para cada pessoa”, explica.

Os textos escritos por Helena T. vem inspirados na natureza humana, pois ela busca transmitir às pessoas as coisas boas da vida. “Acho que ler é uma coisa muito boa a se fazer na vida”.

Sobre o futuro da sua carreira, ela destaca que atualmente os áudios livros estão fazendo bastante sucesso na internet e que é um caminho a se seguir, mas que seu projeto também é editar os próprios livros para oferecer recortes aos leitores. “Atualmente estou usando as mídias digitais para divulgar meu livro, que não teve um lançamento oficial por conta da pandemia”.

Carioca, mas morando em São Paulo desde que se casou, Helena T. se considera uma elipse. “Eu omito algumas partes de mim. O que a literatura me trouxe foi uma possibilidade de expressão, o que eu sou, mas inventando também. Então inventar o que eu sou é uma característica da atividade de escritora que me preenche muito, que me torna alguém melhor, mais completa, mais capaz de tirar as máscaras”, finaliza.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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