Foi publicada nesta sexta-feira (17) a Portaria 480/2021 (https://bit.ly/aula_presencial), que libera o acesso e uso integral de todas as unidades da UNILA para atividades de ensino, pesquisa e extensão, a partir de 1º de janeiro.

A portaria também possibilita o retorno às aulas presenciais da pós-graduação para 22 de março e da graduação para o dia 18 de abril, datas em que se iniciam os semestres letivos em 2022, de acordo com o calendário acadêmico.

A pandemia de Covid-19 alterou o calendário acadêmico, e os estudantes retomam as aulas depois do recesso natalino. Assim, será possível o uso integral de laboratórios de ensino e pesquisa para as disciplinas oferecidas no semestre vigente.

De acordo com a portaria, os colegiados de cursos e de programas de pós-graduação terão autonomia para decidir sobre a necessidade de manter a oferta de disciplinas de forma remota, conforme a especificidade de cada curso.

O atendimento presencial nos setores administrativos da Universidade foi retomado, de forma gradual, em outubro. A previsão é que o atendimento presencial pleno esteja em vigor também a partir de janeiro.

A retomada está regulamentada pela Portaria 409/2021, que, entre outros itens, prevê os percentuais de servidores em trabalho presencial e as normas sanitárias, como distanciamento e uso de equipamentos de proteção.

Cenários e segurança

A retomada das atividades acadêmicas de forma presencial foi decidida durante reunião do Comitê Institucional de Enfrentamento da Covid-19 (CIEC), realizada no dia 15 de dezembro. Na reunião, foi avaliado um conjunto de variáveis.

A primeira delas é o atual cenário da pandemia, que apresenta os menores índices de novos casos, casos ativos, internações e mortes pela doença desde seu início, o que garante maior segurança para toda a comunidade acadêmica.

O professor da área de Biologia Kelvinson Viana, membro do Grupo de Trabalho que faz o monitoramento dos dados da pandemia em Foz do Iguaçu, e que tem pesquisa voltada ao desenvolvimento de vacinas, lembrou aos membros da CIEC durante a reunião, que a pandemia, naturalmente, se transformará numa endemia.

“Vai ser natural que casos ocorram na comunidade interna. É normal. A comunidade acadêmica não pode se assustar quando esses casos acontecerem, porque nós temos uma população quase 100% vacinada, e dados recentes mostram que as pessoas que são vacinadas eliminam o vírus mais rapidamente em comparação com quem não é. Isso nos dá maior segurança”, destaca.

Ele também citou dados envolvendo a cepa mais recente do coronavírus, a Ômicron. “O vírus circula na Europa desde 15 de novembro. Ou seja, em um mês não temos visto o número de casos subir”, salientou, lembrando que o Rio de Janeiro é o primeiro destino turístico no Brasil e Foz do Iguaçu, o terceiro.

“Levando em consideração que nós temos uma população com grande quantidade de pessoas vacinadas, o que está segurando [a disseminação da cepa] é a vacinação, assim como foi com a Delta.

Não sentimos impacto grande aqui.” Um dos motivos para isso é a grande adesão do brasileiro à vacinação, ao contrário do que ocorre na Europa. “Temos de acompanhar, temos tempo.

Mas ao que tudo indica, nosso panorama não deve ser muito alterado. Novas cepas vão surgir, porque surgem todos os dias. O que a gente tem de maior eficiência é a vacinação.”

Também falando sobre a vacinação, a docente Flávia Trench, médica e também integrante do GT, segue a mesma linha de análise.

“Acho que o vírus veio para ficar, e sempre estará entre nós. E também não me assustam mais as mutações”, disse. Para ela, as medidas de segurança sanitária devem ser seguidas e sempre lembradas à comunidade acadêmica.

“Com as medidas de prevenção e controle, uso de máscara, higienização de mãos, ventilação das salas, mesmo quando estão completas, a gente não tem visto surtos em outras escolas que começaram antes da gente. Não tem porque a universidade ser diferente.”

Coordenadora do Laboratório de Pesquisas em Ciência Médicas, onde são realizados os exames para detecção de Covid desde o início da pandemia, a docente Maria Leandra Terencio enfatiza que, desde setembro, o município já liberou atividades para casas noturnas, festas, supermercados, igrejas e escolas e que este é o momento ideal para que a UNILA retome as atividades presenciais.

Esse é o momento propício porque os índices mostram uma melhora gigantesca nos dados epidemiológicos e técnicos associados a um porcentual elevado de vacinados”, enfatiza. A taxa de casos positivos no município, diz ela, está muito baixo. “É o mais baixo desde o início da pandemia. Hoje, é de 3 a 4 positivos em 100 exames. No pico da pandemia, em fevereiro e março, era de 46 a 50 em 100 exames”, pontua.

Além disso, aponta, atualmente os leitos de Covid nos hospitais estão ocupados por pacientes agravados por comorbidades ou por não vacinados. “Hoje, a pandemia é de não vacinados. Vacina é vida. O vírus não vai embora.” A docente argumenta também que a comunidade acadêmica é formada por uma população muito jovem e que o município já disponibilizou a vacina para esse grupo. “Se alguém se infectar, vai ser assintomático ou ter sintomas muito leves”.

Normativas

Outro estudo que embasou a decisão pela retomada foi realizado pela Pró-Reitoria de Relações Institucionais e Internacionais (PROINT), que avaliou, em contato com o Itamaraty e com embaixadas de vários países, as exigências para a entrada de estrangeiros no Brasil e também para um eventual regresso.

A ideia é dar maior segurança aos estudantes que virão de outros países. Em relação a esses estudantes, também está garantida a oferta da vacina pela rede municipal de saúde, para aqueles que não conseguiram receber o imunizante em seus países de origem.

Para a implementação do retorno presencial, serão realizadas atualizações de normativas institucionais relacionadas à pandemia, como o Plano de Biossegurança.

“Essa é uma decisão fundamental que ocorre com quatro meses de antecedência para a graduação e três meses de antecedência para a nossa pós-graduação, dando um amplo prazo para que a comunidade possa se preparar e se organizar da melhor forma possível para o retorno das atividades presenciais”, diz o reitor da UNILA, Gleisson Brito, em vídeo (https://bit.ly/reitor_retomada) direcionado à comunidade acadêmica.

O reitor lembra que o processo de retomada das atividades presenciais vem sendo realizado de forma gradativa, desde o ano passado, com a liberação de laboratórios para pesquisas com materiais perecíveis e para atividades de mestrado, doutorado e trabalhos de conclusão de curso; estruturação dos espaços para aulas práticas; e retorno das atividades administrativas.

“Foram passos dados com muita cautela, sempre primando pela segurança da comunidade acadêmica, com acompanhamento contínuo dos indicadores epidemiológicos, sempre embasados pelas sólidas evidências científicas, tal como deve ser o processo decisório em uma instituição universitária”, aponta Gleisson.

Desde o início da pandemia, assinala o reitor, foram realizadas 30 reuniões ordinárias do CIEC e editados mais de 40 atos normativos, além de cartilhas, protocolos e planos setoriais “para dar a devida segurança jurídica e ajustar o funcionamento institucional durante pandemia”.

“Um amplo trabalho que culmina com a atual decisão que permite um novo momento institucional, que revigora a esperança e paulatinamente nos traz a possibilidade de voltarmos a viver a integração latino-americana com calor humano, multicultural e bilíngue, que é a marca registrada na nossa UNILA”, diz.

“Vamos juntos passo a passo buscar a superação desses desafios.”

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