Em um desempenho que não se via desde 2016, o dólar fechou o primeiro semestre de 2023 com uma queda expressiva de 9,28%, acendendo um farol de otimismo na região das Três Fronteiras, conhecida por sua intensa atividade comercial ligada ao câmbio.

No último dia de junho, a moeda americana foi oficialmente vendida a R$ 4,80, marcando o fim de um semestre animador em relação à cotação da moeda. Segundo a Agência Brasil (ABr), este é o maior recuo para o mesmo período desde 2016, quando a moeda americana teve uma queda acima de 18%.

O otimismo nas Três Fronteiras, uma região onde a economia está diretamente vinculada ao câmbio internacional, não se deu apenas pelos indicadores econômicos brasileiros, mas também por um conjunto de variáveis nacionais e internacionais.

Em termos nacionais, um dos fatores que contribuíram para esse cenário foi o anúncio pelo governo federal da meta oficial de inflação de 3% para 2026, uma estratégia que contradiz analistas do mercado financeiro que previam uma abordagem mais agressiva que poderia minar a credibilidade da política econômica.

No cenário internacional, a pressão sobre o dólar foi aliviada graças a indicadores da economia dos Estados Unidos que mostraram que inflação e gastos dos consumidores foram menores do que o esperado.

Esses desenvolvimentos beneficiam diretamente a economia da região das Três Fronteiras, onde free shops em Foz do Iguaçu, no Brasil, e em Puerto Iguazú, na Argentina, bem como o centro internacional de compras em Ciudad del Este, no Paraguai, oferecem uma grande variedade de produtos importados de marcas mundiais.

Projeções do matemático iguaçuense Luiz Carlos Kossar indicam que os turistas da fronteira chegam a gastar até 70% de suas receitas de viagem no comércio do lado paraguaio da Ponte da Amizade, evidenciando a forte influência do dólar na economia local.

E a tendência é que essa onda positiva continue até o fim de 2023. Segundo o E-Investidor, que consultou dez corretoras e bancos, as projeções indicam que o dólar se manterá abaixo dos R$ 5, garantindo “patamares de câmbio inferiores aos dos anos anteriores”, como afirmou a XP em uma nota. Com isso, a região das Três Fronteiras pode esperar mais otimismo e crescimento econômico nos próximos meses.