Quem paga aluguel sabe que a todo ano o aumento do valor da mensalidade é assustador. Isso porquê esse aumento é medido pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado). Só para se ter uma ideia, neste ano, o índice está em 17,89%, ou seja, a renovação de contratos de aluguel neste ano terão um aumento de mais de 17% em cima do valor atual. Então contratos que estavam a R$ 1.100 no ano passado, por exemplo, passarão para R$ 1.296,79 – ou seja, um aumento de quase R$ 200. De forma isolada pode não parecer muito, mais somada ao IPTU e demais despesas de manutenção de um imóvel, fica um valor muito alto para as famílias que moram de aluguel.

Para tentar reduzir esse valor, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) criou um novo índice para medir o valor dos reajustes nos aluguéis do Brasil. O IVAR (Índice de Variação de Aluguéis Residenciais) serve para medir as variações mensais desses preços, levando em conta os contratos efetivamente fechados.

O objetivo do IVAR é medir a evolução dos preços e, para isso, utiliza valores negociados dos aluguéis em vez de dados de anúncios como base de cálculo. Primeiramente o Ivar será divulgado mensalmente utilizando-se informações de contratos assinados entre locadores e locatários, intermediados por empresas administradoras de imóveis em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Com a metodologia empregada será possível a mensuração da variação média dos aluguéis ao longo do tempo, refletindo melhor o cenário (oferta e demanda) do mercado de locação dos imóveis residenciais.

De acordo com uma matéria da Exame, apesar de não ter um dado concreto, por ter sido lançado recentemente, o Ivar fez uso de dados recentes para calcular, de forma retroativa, qual teria sido o valor do indicador mês a mês desde 2018. Com isso, em 2021 o Ivar terminou em -0,61%, o que reforça a tese de que, na média de mercado, inquilinos realmente negociaram seus contratos com proprietários no contexto da crise econômica deixando de lado o que o IGP-M apontava (alta de mais de 17%).

E esse cálculo atual do Ivar foi feito com base em cerca de 10.000 contratos de locação de imóveis nas quatro das maiores capitais do país.

Com isso, o índice que visa substituir o IGP-M passaria a ser mais fiel na hora de reajustar o valor, já que seria com base no que realmente está acontecendo nesse mercado específico.

De acordo com uma matéria publicada pelo Jornal Nacional no portal G1, não existe uma lei que obrigue a adoção de um índice específico para os aluguéis. Dessa forma, ele é escolhido nas negociações entre proprietários e inquilinos. Mas desde 1989, quando o IGP-M começou a ser calculado, ele passou a ser a principal escolha para a correção dos contratos. No entanto, no ano passado, esse índice passou a ter um aumento muito expressivo, com base em outros setores como desvalorização cambial, aumento do preço dos derivados do petróleo, aumento de preço de commodities, que refletiram no aumento excessivo dos aluguéis.

Agora com o Ivar a intenção é tornar ele o índice específico para medir o preço dos aluguéis no mercado imobiliário, tornando-se muito mais aderente à realidade desse segmento. Com isso, espera-se que em breve o Ivar passe a ser mais uma opção para futuros reajustes de aluguel residencial. 

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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  1. Desvalorização cambial, aumento do preço dos derivados do petróleo e aumento de preço de commodities são faces de uma ilusão a causar inflação sem que houvesse motivo subsistente findando por gerar altas nos preços com motivos artificiais impulsionando a inflação sem causa que a justifique.