Desde que a pandemia chegou, as fronteiras foram fechadas. Com isso, iniciou-se um trabalho intenso e rigoroso no Paraguai na intenção de frear a disseminação do coronavírus. Adotando uma quarentena restritiva, comércios fecharam e toques de recolher foram impostos, não apenas em Ciudad del Este, como em todo o solo do país guarani.

Essa medida permitiu que o Paraguai fosse um dos países da América Latina com menos casos da doença, o que gerou comentários positivos sobre o país que chegou a ser usado como “exemplo a ser seguido”.

A quarentena no país vizinho começou no dia 11 de março. E com a estabilidade nos casos de coronavírus aos poucos os decretos foram permitindo a volta gradual das atividades comerciais e de lazer.

A primeira fase foi de restrição do total, onde só era permitido sair para atividades essenciais, como hospital, farmácia e mercado. Já na fase dois da “quarentena inteligente” foi liberado o funcionamento de lojas, escritórios, eventos sem plateias e construção civil de modo geral. A fase três marcou a volta do comércio de modo geral e atualmente Ciudad del Este se encontrava nessa fase.

No entanto, ontem, 29 de julho, o Ministro da Saúde do Paraguai, Julio Mazzoleni, anunciou que CDE deve voltar a quarentena restritiva, pois o número de casos confirmados de coronavírus voltou a subir na cidade, sendo que o Departamento do Alto Paraná está atualmente com 40% dos casos do país e desses, 80% se encontram em CDE, conforme destacou o jornal paraguaio La Nación.

Com essa decisão, os moradores de outros departamentos do território nacional paraguaio não poderão entrar no Departamento do Alto Paraná, a não ser os casos de exceção como autoridades, imprensa e serviços essenciais na área da saúde e de supermercado.

Revolta da população em Ciudad del Este

Com o anúncio da quarentena restritiva e fechamento total do comércio, a população de CDE se revoltou. Na noite de quarta-feira (29), manifestantes de reuniram em frente a aduana paraguaia para protestar contra o decreto.

De acordo com o La Nación, os moradores organizaram uma manifestação pelas redes sociais com o intuito de se encontrarem na Rotonda Oasis, no micro centro de CDE, para rejeitar a decisão do governo de voltar a fase zero. 

E como combinado, os manifestantes se reuniram e iniciaram uma manifestação intensa no inicio da noite, que gerou confrontos com a Polícia Nacional, do Grupo de Operações Especiais e agentes da Marinha. Famílias inteiras, de acordo com o La Nación, foram às ruas protestar. No entanto, a manifestação saiu de controle e um grupo começou a atirar pedras e destruir caminhões de carga que entravam e saíam do país. Também teve registro de lojas saqueadas e caminhões queimados.

Imagem mostra caminhão em chamas, em meio a manifestação em Ciudad del Este. (Foto: Wilson Ferreira/Ultima Hora)

Além de danos materiais, pessoas ficaram feridas nessa manifestação, pois houve disparos de balas de borracha e bombas de efeito moral, o que resultou em detenção de cerca de 60 pessoas. A Polícia Nacional precisou enviar reforços para conter os manifestantes. Agentes de segurança ficaram feridos. Só foi possível contê-los depois das 22h.

O que dizem as autoridades locais

Ainda de acordo com o La Nacion, o prefeito de CDE, Miguel Prieto, está reunido nesta quinta (30) com o governador Roberto González Vaesken e o ministro do Interior, Euclides Acevedo, para criar um plano de contingência devido à crise econômica na cidade e tentar reverter essa decisão de quarentena zero.

Em meio às manifestações, o presidente da República, Mario Abdo Benítez, anunciou que US$ 26 milhões serão destinados ao Departamento do Alto Paraná. A decisão ainda será discutida no Congresso.

Já a Câmara de Comércio e Serviços se pronunciou após as manifestações de ontem e disse que o governo deve começar a pensar em soluções a longo prazo e não impor soluções provisórias.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

Participe da conversa

1 Comentário

Deixe um comentário

Deixe a sua opinião