Do colapso à reinvenção: a retomada do turismo em Foz do Iguaçu e seus desafios

Responsáveis por um dos maiores destinos de visitação do país, empresários e colaboradores planejam ações para preservar o setor em tempos de pandemia

Talvez pouca gente tenha marcado isso no calendário, mas o mês de março passado entrou para a história de Foz do Iguaçu. No intervalo de 20 dias a cidade assistiu ao fechamento das fronteiras com Paraguai e Argentina, à suspensão de todos seus atrativos turísticos e à paralisação do serviço de hotelaria. As ações foram adotadas como medidas de combate ao avanço global do novo coronavírus na região trinacional.

“Do ponto de vista do empresário, os prejuízos serão incalculáveis. E isso acabará repercutindo em toda nossa cadeia econômica. Temos de manter a calma para buscarmos alternativas que amenizem o impacto negativo”, disse à época, em tom alarmista, Neuso Rafagnin, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz do Iguaçu (Sindhotéis).

Passados pouco mais de 50 dias desde o início da maior crise já enfrentada pelo setor turístico, não apenas do Destino Iguassu, mas de todo o mundo, o representante dos empresários avaliou o atual cenário de forma um pouco mais moderada.

“Conseguimos uma conquista que foi a reabertura gradual dos meios de hospedagem desde a última segunda-feira (11). Isso representou um alento para o setor, que a partir de agora precisa se reinventar. A prioridade do momento é preservar vidas. Trabalhamos para conciliar isso com a preservação do setor econômico mais importante de Foz do Iguaçu. Milhares de pessoas dependem disso”, ponderou Rafagnin.

Para garantir a segurança necessária à reabertura dos hotéis na cidade, a prefeitura publicou o Decreto Municipal 28.141. Dividida em oito seções, a norma regula toda a cadeia de funcionamento dos estabelecimentos e atendimento aos hóspedes. O decreto se estende a cerca de 180 estabelecimentos, que juntos contabilizam aproximadamente 30 mil leitos e formam um dos maiores parques hoteleiros do país. A normativa abrange ainda atrativos turísticos, serviços de gastronomia, organização de eventos, transporte turístico, agências de viagens e operadoras.

“Graças a esse documento, quem decidir abrir irá fazê-lo de forma responsável. Um termo de responsabilidade sanitária tem de ser assinado. A palavra do sindicato para o setor é no sentido de que respeitem a pandemia e utilizem todas as ferramentas disponíveis para garantirmos a saúde de nossos hóspedes e colaboradores”, destacou Neuso.

Entre as exigências firmadas ao setor hoteleiro, consta a utilização de máscaras em hóspedes, equipamentos de proteção em funcionários, reforço na higienização de ambientes, fornecimento de álcool em gel em locais de circulação e medidas que inibam aglomerações. A troca da roupa de cama dos leitos também foi disciplinada e deverá respeitar critérios de higienização especial a cada novo hóspede.

Planejamento

“Durante o período em que permanecemos fechados, aproveitamos o momento para nos envolvermos nas discussões sobre o setor. Participamos de maneira ativa das reuniões que garantiram essa reabertura gradual. Outro ponto foi o investimento em planejamento e marketing. Temos um plano de ação para este momento de pandemia e analisamos os possíveis cenários do futuro”, informou Jaime Machado Mendes, proprietário do Del Rey Quality Hotel.

O empresário compartilhou com satisfação o registro de visitantes ao longo desta primeira semana de retomada do setor. “Adequamos nosso hotel e assinamos o termo de responsabilidade sanitária. Foi uma felicidade muito grande voltar a receber hóspedes. Tão importante quanto a reabertura do setor é a saúde dos nossos colaboradores e visitantes. Estamos seguindo tudo à risca”, garantiu o hoteleiro.

O empresário revelou que, graças ao acordo coletivo celebrado no início de abril com o sindicato patronal, conseguiu manter todos os empregos. “Nossos funcionários representam nosso maior patrimônio. Voltamos com 10% deles trabalhando, os demais se encontram em casa com os contratos suspensos temporariamente. Faremos o possível para que todos os empregos sejam preservados.”

De acordo com o Sindhotéis, o setor registrou cerca de três mil demissões neste período de quarentena. Para o número não aumentar, o segmento aguarda novas ações de ajuda por parte do governo federal, do estado e do município.

Esperança

Com 23 anos de atuação na hotelaria local, Givanilde Maria Schafer compartilha que retornou ao trabalho com o sentimento de esperança. “Quando recebi a mensagem que iríamos reabrir, a sensação foi de alívio. Mesmo sabendo que será diferente, entendi a importância de nos adaptarmos com as novas rotinas. Ver o sorriso dos meus colegas ultrapassando as máscaras de proteção me fez acreditar que tudo isso vai passar”, declarou.

A reabertura gradual da hotelaria em Foz do Iguaçu liberou no dia 11 passado a hospedagem para viajantes de negócios e por motivos pessoais. A partir de 10 de junho, os estabelecimentos deverão ser reabertos para visitantes de lazer. A evolução dependerá de critérios adotados pela prefeitura com base no avanço da doença na cidade.

“O turismo da nova normalidade exige uma grande responsabilidade de todos nós. Toda a cadeia produtiva do setor precisa estar consciente disso. Essa nova normalidade poderá durar seis meses ou um ano. Então vamos fazer bem a nossa parte, zelando pela segurança sanitária dos nossos colaboradores, turistas e da comunidade”, defendeu Gilmar Piolla, secretário municipal de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos de Foz do Iguaçu.

“Não existe milagre. O turismo vai voltar quando as pessoas reconquistarem a confiança em viajar. Haverá muita competitividade entre os destinos e muita ação promocional. Precisaremos ser criativos, inovadores, até mesmo ousados. Isso já está acontecendo”, concluiu.

Fotografia: Banco de Imagens do Sindhotéis

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